A música clássica e o início de uma viagem pela Polifonia inicial

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A nossa viagem irá prosseguir mais uma semana, embora curta, já percorreu algumas épocas na História da música, e como todos os nossos/as leitores/as ao longo de todas as semanas constatou, o Homem, desde cedo descobriu e desenvolveu o seu talento inato para as artes, em especial para a música.

Depois de termos percorrido os mais importantes das tradições do Canto Chão, e até termos verificado que o Canto Gregoriano é a base do nosso Cante Alentejano – Património Imaterial da Humanidade -, esta semana iremos fazer uma pausa na nossa viagem na polifonia inicial.

Irei então falar um pouco sobre o conteúdo Histórico-Cultural e sobre as origens da polifonia.

Contexto Histórico-Cultural

A partir do séc. XI a Europa ocidental recupera toda uma dinâmica sociocultural que tenha perdido com o Feudalismo. Para isso contribuíram vários fatores: as cruzadas; as peregrinações; o desenvolvimento do comércio e o desenvolvimento das cidades.

A emergência de uma classe burguesa e a criação das universidades deve-se ao facto do desenvolvimento das cidades.

Na arte, o estilo românico dá lugar ao estilo gótico. A arte deixa de ser anónima e surgem os primeiros autores identificados na literatura e na música. Surge ainda as primeiras obras em língua vulgar, através do movimento trovadoresco.

A música litúrgica desenvolveu-se no sentido da polifonia que assenta as suas primeiras bases neste período sendo por esse motivo designado de ARS ANTÍQUA.

Surgem as primeiras figuras de notação mensural e a música subordina-se aos ritmos de acentuação ternária (devido ao algarismo três ser considerado o número perfeito).

A utilização de instrumentos ainda é esporádica na música litúrgica servindo essencialmente para sustentar o cantus firmus. Pelo contrário,  a música profana utilizava bastante uma componente instrumental e diversificada.

Os principais centros de produção artística vão localizar-se sobretudo na França.

As origens da polifonia

Dentro da cultura ocidental, polifonia identifica a sua música culta a partir do Séc.IX.

Todavia, a partir de uma definição etimológica (poli-fonia = muitos sons), é preciso alargar este conceito a culturas musicais extraeuropeias.

De facto a polifonia não é uma invenção da Europa medieval. A palavra em si mesma embora com exceções diferentes já tinha sido utilizada pelos Gregos.

Compreende-se que determinados instrumentos antigo como a harpa, a lira e os próprios di-aulos grego, possibilitavam a produção de vários sons ao mesmo tempo. Por outro lado, embora executando a mesma nota, conjuntos de instrumentos, da mesma ou várias famílias, produziam sons diferentes simultâneos conforme a sua dimensão.

Este encontro real de sons acusticamente diferentes a que foi chamado de Heterofonia, provém, da própria natureza, razão pela qual se irá encontrar nas mais diversas culturas musicais de acordo com as tradições locais.

Há quem chame a isto Polifonia primitiva, mas o termo é evidentemente inadequado, uma vez que, por um lado, ainda hoje se produz naturalmente em grandes culturas extraeuropeias, mas por outro, corresponde ao que hoje se reconhece como verdadeiras obras de arte, como se pode ver pela música de Gamelan.

A nossa viagem por esta semana termina com a promessa de que na próxima semana irei aprofundar um pouco mais sobre a polifonia.

É de salientar que polifonia é nada mais, nada menos, que conjuntos de sons em simultâneo.

Desafio os nossos leitores/as a deixarem os vossos comentários e dúvidas.

Faço votos da continuação de uma excelente fim de semana.

Boas leituras e boas audições

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João Bartolomeu
João Miguel Guerreiro Bartolomeu, nascido a 26 de junho de 1985. Iniciou os seus estudos musicais com o Maestro António Batista na escola de música da Banda da Associação Cultural de Vila Real de Santo António. Estudou no Conservatório Regional de Beja – Classe do Professor Paulo Cordeiro e na Universidade de Évora- Curso de Música na Classe do Prof-Hugo Assunção. Ao longo do seu percurso musical fez parte da Orquestra Filarmónica de Lisboa, Orquestra Sinfónica Juvenil Portuguesa e da Orquestra de Estúdio WESO (West european Studio Orchestra-Orquestra de gravações para anúncios publicitários ) e do Ensemble MPMP. Trabalhou com diversos maestros tais como, Kodo Yamagishi, Christopher Bochmann, Jan Wierzba , Diogo Costa , Roberto Pérez, Fernando Marinho, António Saiote, André Granjo, José Pedro Gomes,Leandro Alves, Pedro Neves, Jean Sebastien Bereau entre outros . Frequentou masterclasses de trombone com professores tais como, Hugo Assunção, André Conde,Paulo Cordeiro, Byron Fulcher , Hermenegildo Campos, Nuno Scarpa,entre outros. Orientou diversas masterclasses de trombone, em Santa Marinha-Seia, Pampilhosa da Serra, Moura, Gavião, Vila Real de Santo António entre outros locais. Foi também responsável pela classe de trombones no I estágio de orquestras de sopros do Conservatório Regional de Vila Real de Santo António, no Curso de Instrumentistas do Conservatório Regional do Baixo Alentejo-Beja e no Estágio de Orquestra de Sopros em Abrantes. Tocou a solo com a Banda musical Castromarinense em diversas ocasiões, com a banda da Sociedade Filarmónica e Recreativa Alverquense-Alverca e com a banda da Sociedade Musical União Recreio e Sport Sineense-Sines. Lecionou no Conservatório Regional de Vila Real de Santo António, no Curso Profissional de Instrumentistas de Vila Real de Santo António, no Conservatório do Baixo Alentejo-Beja, Moura e Castro Verde e no Ensemble Montemor. Atualmente é professor de metais na escola de música da Sociedade Estrela da Beira-Santa Marinha, Seia, professor de iniciação e instrumento na escola de música do Grupo Musical e Fraternidade Pampilhosense-Pampilhosa da Serra, professor de música na Santa Casa da Misericórdia da Pampilhosa da Serra-valência creche e pré-escolar e é ainda maestro da banda da Sociedade Filarmónica Galveense-Galveias e coordenador da sua escola de música. É também aluno no curso de banda na Academia Europeia de Direção de Banda na classe dos Professores Paulo Martins, Jan Cober,Javier Viceiro-Figueira,André Granjo e Andrés Alvarez.

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