«A visibilidade que o acordeão tem hoje reflete a sua grande versatilidade»

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A Escola de Acordeão de Castro Marim, funciona no Barrocal em Altura, na Sede da Mito Algarvio [Associação de Acordeonistas do Algarve]. Neste momento tem 15 jovens com idades compreendidas entre os 6 e os 15 anos. A par destes há alunos nesta escola com idades até aos 81 anos. Estaremos perante a revitalização do acordeão, tão típico da serra algarvia? Falámos com o professor João Pereira, também ele conhecido acordeonista, e que no Baixo Guadiana tem formado inúmeros músicos que se apaixonaram por este instrumento tão «nosso».

Como vão surgindo estes jovens até à escola? O que os motiva para o acordeão?

João Pereira (JP): O acordeão tem fortes raízes na nossa região, logo há essa apetência natural para o instrumento, a grande maioria surge devido à visibilidade alcançada por alguns alunos que acaba naturalmente atraindo outros. Há casos em que são os pais ou avós que nutrem um grande carinho pelo instrumento, como não tiveram a oportunidades de aprender, levam os filhos e netos a experimentarem.

JBG: Um dos seus alunos já ganhou prémios nacionais e internacionais. Como olha para o percurso de Hugo Madeira e até que ponto ele deve ser visto como um exemplo motivacional quer para os outros alunos, bem como para o futuro do acordeão?

JP: Os concursos devem ser sempre encarados pela componente da participação e como um dos processos da aprendizagem, pode ser benéfico como pode também ter o efeito contrário, é necessário uma grande preparação não só prática e teórica mas também psicológica. Tenho dois alunos que já foram premiados, o João Sabóia num concurso de jovens talentos e o Hugo Madeira em vários concursos de âmbito nacional e internacional, fruto de muita dedicação, muitas horas de estudo completado com talento, nada acontece por acaso. O Hugo como outros jovens estão num processo de desenvolvimento, se continuarem com a mesma dedicação, persistência, superação, paixão e motivados para estudar ao longo da vida, certamente o futuro será risonho.

JBG: O acordeão está numa fase de ascensão? A que se deve?
JP: A visibilidade que hoje o acordeão começa a ter, em vários ambientes e
estilos musicais, são reflexo da grande versatilidade do instrumento, começa- se a quebrar algumas barreiras, a imagem que existia do acordeão apenas no contexto da música tradicional está
a dissipar-se. A conquista de importantes prémios internacionais por parte de jovens acordeonistas, assim como o surgimento do acordeão em grandes palcos, estão a contribuir para que se verifique esta ascensão, neste momento e a título de exemplo, temos o agrado de ver o acordeonista João Frade no palco do mundo, quer em projetos próprios quer acompanhando grandes nomes da música como é o caso de Mariza.

JBG: Qual a idade ideal para se começar a aprender acordeão?
JP: A idade ideal para se começar a aprender música, diria que na barriga
da mãe, para aprender acordeão a partir dos seis anos.

JBG: Qual o papel da Mito Algarvio, a Associaçao de Acordeonistas que celebrou mais um aniversário?
JP: A Mito Algarvio tem tido um papel fundamental na projeção e no apoio
aos acordeonistas e ao acordeão, é a única instituição portuguesa que integra o mais alto organismo mundial de acordeão, a “Confédération Internationale des Acordéonistes Member of the International Music Council, an NGO oficial partner of UNESCO”, sendo responsável pelas provas de seleção de acordeonistas portugueses para a participação na Copa do Mundo de Acordeão. Temos apoiado de forma efetiva, logisticamente e monetariamente, a participações de jovens acordeonistas
em importantes concursos mundiais. Ao longo destes seis anos de existência, contabilizamos mais de duas dezenas de apoios a edições de livros e trabalhos discográficos, de referir também o filme “A sabedoria na
ponta dos dedos – O Mito do Acordeão Algarvio” e o livro e exposição
“Acordeão Alm´Algarvia” uma parceria com o Município de Castro Marim, que muito contribuiu para a salvaguarda e dignificação do instrumento.
Fruto do reconhecimento do trabalho desenvolvido a Mito Algarvio foi distinguida em Abril de 2018 com o Prémio Excelência Algarve, como uma das instituições mais relevantes na região, distinção entregue no Casino de Vilamoura pelo Postal do Algarve. De salientar ainda que em 2020 a
organização da Copa do Mundo de Acordeão estará a nosso cargo, um evento que irá trazer até ao nosso território delegações
de várias partes do mundo.

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Susana Helena De Sousa
Formação Superior em Jornalismo (Carteira Profissional 9621): Especialização em Imprensa Escrita pelo Centro Nacional de Formação de Jornalistas (CENJOR) Formação media pela Representação da Comissão Europeia em Portugal Experiência em Jornalismo: Rádio (Voz D'Almada, PAL FM, Guadiana FM), Televisão (TVI, AXN, RTP, Canal História) e Imprensa Escrita (Jornal de Setúbal, Semanário O Algarve, Jornal i, Jornal do Baixo Guadiana); Tese de Licenciatura Bi-Etápica: «Serviço Público de Televisão», (publicação com entrevista a Carlos Pinto Coelho) Co-produção, realização e apresentação do programa de Rádio «Se Dúvidas Existem...», do Núcleo de Estudos e Intervenção Psicolõgica de VRSA Co-produção, realização e apresentação do programa «Viver Aqui», do Núcleo de Imigração da Cruz Vermelha Portuguesa de VRSA para o Alto Comissariado para o Diálogo Intercultural Assistente de Realização para Televisão Produtora para Televisão Escrita para Reportagens Televisivas Escrita de Documentário para TV «O Contrabando no Baixo Guadiana» Escrita do texto filme documental «Um Dia na Santa Casa», de Eduardo Soares Pinto Formação Avançada em Dança Contemporânea (CIRL) Formação Inicial em Teatro (TAS, Teatro O Elefante) Formação Inicial Interpretação para Televisão (Aloysio Filho pela ACT) Participação em antologia poética «5.50» (Poetas do Guadiana) Escrita de prefácio para obra editada (Os Poetas do Guadiana nos meios de comunicação social) e outra obra inédita Autora convidada do livro de contos «Ruas» de Pedro Oliveira Tavares e João Miguel Pereira Revisão de Livro de Contos inédito de Mouji Soares Curandoria de exposição de fotografia de Eduardo Soares Pinto, Espanha Co-organização da exposição internacional de arte «Minha Fukushima» na Eurocidade do Guadiana, da Peace and Art Society Organização da Exposição «Aline´s Project» em VRSA, da Peace and Art Society Apresentação de Galas Moderação de Debates e Tertúlias Apresentação de Livros Organização de eventos Co-fundadora do Eco&Design Hotel «Monte do Malhão» Co-fundadora da Mostra Internacional de Cinema «FRONTEIRAS» Voluntariado para a área da comunicação em IPSS's

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