Pescadores do Guadiana «estão em risco de desaparecer». Secretaria de Estado avança com regime de exeção para este rio

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A tertúlia dedicava-se à Economia do Mar, mas o drama que vivem os pescadores do rio Guadiana não deixou ninguém indiferente. Neste fórum, realizado no final de 2018 pelo Jornal do Baixo Guadiana com a câmara municipal de Castro Marim (na Casa do Sal), participaram três pescadores tradicionais do Guadiana que manifestaram muita apreensão e revolta para com as condições em que desenvolvem a atividade (que é também sinónimo de preservação do património cultural). Desde legislação que consideram desadequada, à obra de balizamento e sinalização que garantem ter sido prejudicial para a atividade na medida em que «deixou de haver espaço para a pesca», como acusam. Atualmente, são 36 os pescadores tradicionais do Guadiana (entre Mértola e VRSA), tendo a maioria mais de 70 anos e com pouca formação. Cabe aos mais novos levar por diante as muitas reivindicações destes homens que apelam para que o Guadiana seja visto com olhos de ver e para que a sua pesca tradicional não se perca. Enquanto isso, aguardam respostas das autoridades.

«A extinção do pescador no Guadiana não é algo tão longínquo»

Ricardo Gonçalves, é o mais novo destes homens; que da pesca artesanal fazem vida ou modo de vida. No seu caso é uma paixão a que dá azo nos tempos livres, mas na família o pai conhece este ofício desde sempre. Facilidades nunca houve, mas agora, garantem “as dificuldades são mais que muitas”. Estes pescadores reivindicam um regime de exceção para o Guadiana sob pena de esta se tornar insustentável no que diz respeito ao cumprimento da lei. “Se há exceções noutros rios para que esta economia não se perca porque nunca mais a criam para nós”. Algo que é factual passa por alguma falta de informação e de formação destes homens ao nível legislativo o que a juntar à idade avançada proporciona uma instabilidade muito grande da atividade. Não atingem, por vezes, quantidade mínima de pesca para venda em lota que lhes permita manter as licenças. Se nada for feito para viabilizar economicamente esta atividade o número de pescadores neste rio descerá rapidamente e a sua extinção não será algo tão longínquo assim. Secretaria de Estado das Pescas adianta que está a ser estudada exceção para Guadiana

Secretaria de Estado das Pescas garante regime de exceção para o Guadiana

O Jornal do Baixo Guadiana já falou sobre este tema com o Secretário de Estado das Pescas, José Apolinário, que adiantou ao nosso jornal que a legislação para o rio Guadiana está em vias de ser alterada. O que nos faz depreender que para este «grande rio do Sul» venham a surgir incidências tal como acontece noutros rios nacionais. Esta informação foi adiantada pelo nosso jornal em 2018, fruto do acompanhamento que temos dado a este tema. Mais recentemente (5 de Janeiro) houve uma reunião em Mértola, no Alentejo, entre José Apolinário e os presidentes das Câmaras de Mértola e Alcoutim, a Capitania do Porto de Vila Real de Santo António, o ICNF, as Juntas de Freguesia de Mértola, de Santana de Cambas, de Espírito Santo, de Alcoutim, e pescadores dos concelhos de Mértola e Alcoutim, com o objetivo de criar um regime especial para a pesca profissional no rio Guadiana. Ao que o nosso jornal conseguiu apurar esta reuniu serviu para apresentar o rascunho da portaria que criará o regime de exceção para o Guadiana, tendo sido dada oportunidade aos 18 pescadores presentes para dar contributos para a versão final dessa mesma portaria.

O nosso jornal já enviou um conjunto de questões ao secretário de Estado das Pescas para explicar, nomeadamente, em que consistirá a incidência a criar no Guadiana, bem como encara as críticas relativas à obra de navegabilidade [balizagem e sinalização] no Guadiana. Questões às quais aguardamos resposta.

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Susana Helena De Sousa
Formação Superior em Jornalismo (Carteira Profissional 9621): Especialização em Imprensa Escrita pelo Centro Nacional de Formação de Jornalistas (CENJOR) Formação media pela Representação da Comissão Europeia em Portugal Experiência em Jornalismo: Rádio (Voz D'Almada, PAL FM, Guadiana FM), Televisão (TVI, AXN, RTP, Canal História) e Imprensa Escrita (Jornal de Setúbal, Semanário O Algarve, Jornal i, Jornal do Baixo Guadiana); Tese de Licenciatura Bi-Etápica: «Serviço Público de Televisão», (publicação com entrevista a Carlos Pinto Coelho) Co-produção, realização e apresentação do programa de Rádio «Se Dúvidas Existem...», do Núcleo de Estudos e Intervenção Psicolõgica de VRSA Co-produção, realização e apresentação do programa «Viver Aqui», do Núcleo de Imigração da Cruz Vermelha Portuguesa de VRSA para o Alto Comissariado para o Diálogo Intercultural Assistente de Realização para Televisão Produtora para Televisão Escrita para Reportagens Televisivas Escrita de Documentário para TV «O Contrabando no Baixo Guadiana» Escrita do texto filme documental «Um Dia na Santa Casa», de Eduardo Soares Pinto Formação Avançada em Dança Contemporânea (CIRL) Formação Inicial em Teatro (TAS, Teatro O Elefante) Formação Inicial Interpretação para Televisão (Aloysio Filho pela ACT) Participação em antologia poética «5.50» (Poetas do Guadiana) Escrita de prefácio para obra editada (Os Poetas do Guadiana nos meios de comunicação social) e outra obra inédita Autora convidada do livro de contos «Ruas» de Pedro Oliveira Tavares e João Miguel Pereira Revisão de Livro de Contos inédito de Mouji Soares Curandoria de exposição de fotografia de Eduardo Soares Pinto, Espanha Co-organização da exposição internacional de arte «Minha Fukushima» na Eurocidade do Guadiana, da Peace and Art Society Organização da Exposição «Aline´s Project» em VRSA, da Peace and Art Society Apresentação de Galas Moderação de Debates e Tertúlias Apresentação de Livros Organização de eventos Co-fundadora do Eco&Design Hotel «Monte do Malhão» Co-fundadora da Mostra Internacional de Cinema «FRONTEIRAS» Voluntariado para a área da comunicação em IPSS's

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