Produtores de Sal Artesanal temem subversão do conceito biológico do produto

0
148

Em 2018 foi aprovada a nova regulamentação europeia de produção biológica e da rotulagem dos produtos biológicos. O sal é um dos produtos que integra a nova lista, embora ainda estejam a ser criadas as regras para obter o selo biológico. Em Castro Marim (e não só) os produtores de sal artesanal temem que lobbies fortes levem a que a União Europeia aprove a certificação de biológico também para o sal industrializado ou até para o sal de mina.

“Claramente, o sal marinho artesanal tem todas as características para ser considerado um produto biológico e por isso com toda a certeza integrará a nova regulamentação europeia” afirma Luís Horta Correia, presidente da Terras de Sal, cooperativa que em nome de muitos produtores mostra a sua preocupação com o avanço de lobbies fortes que outro tipo de sais estão a fazer no sentido de também receberem o carimbo «Biológico» da União Europeia. Refere-se, nomeadamente ao sal marinho industrial e ao sal de mina, que “de natural têm pouco ou nada, como é o extremo caso do sal de mina”. Para a Terras de Sal “há uma luta que se tem de travar, e não há tempo a perder”, e por isso desde meados de 2018 que se reuniu diversas vezes a este propósito, nomeadamente com os restantes produtores de Castro Marim e Tavira, com a Direção Geral da Agricultura e Desenvolvimento Rural, com o Secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, com a Federação Europeia de Sal Artesanal e com a Direção Geral de Agricultura da União Europeia, em Bruxelas. A colaboração com os produtores artesanais europeus nesta matéria, especialmente com os franceses e espanhóis, têm sido muito importante.

Até Fevereiro Bruxelas encerra caderno de regras

Entre janeiro e fevereiro de 2019 Bruxelas deverá fechar o caderno de regras para a produção de sal biológico e até lá resta aos produtores, nomeadamente, às associações de produtores de sal artesanal, esperar que os peritos da União Europeia e dos Estados Membros fiquem sensíveis às explicações técnicas que lhes levaram e “chamar a atenção da opinião pública e unirem-se contra a deturpação do conceito biológico no caso do sal”. A regulamentação aprovada em 2018 entrará em vigor no ano de 2021. De acordo com o que o nosso jornal conseguiu apurar junto da cooperativa Terras de Sal há um triângulo de Estados- Membros que está em completa sintonia quanto a esta questão e que não tem dúvidas em opor-se, desde logo, ao sal de mina como produto biológico. Portugal, Espanha e França estão concertados e terão demonstrado uma posição contra o reconhecimento do sal de mina como biológico. Não será tarefa fácil, porque há países com fortes interesses na comercialização deste sal e que fazem o caminho contrário, mostrando-se empenhados em subverter as regras daquilo que se deve encarar como biológico. “Como é que um sal que é transformado quimicamente ou um que passa por processos de lavagem que o leva a perder as suas características minerais marinhas pode ser considerado natural?” e “como é que a exploração de uma mina pode ser uma produção sustentável e defensora da biodiversidade, princípios básicos do regulamento biológico?”, questiona Luís H. Correia. Convencer a União Europeia a este nível é a tarefa árdua que têm pela frente, mas da qual não desistem. “Conhecemos esta história. As autoridades e regulamentos tem sempre dificuldade em enquadrar o sal tradicional. Não é carne nem é peixe. Para uns, produto industrial, para outros do mar, para outros agricola. Este facto leva a que as instituições não dominem o assunto e seja frequentemente relegado para regulamentos avulsos. É assim mais difícil explicarmos do que se tratam” reconhece Luís H. Correia que recorda a necessidade premente dos produtores reivindicarem também que o agora criado sal biológico seja, ao contrário do que o novo regulamento define, o único sal admitido no fabrico de produtos que ostentem selo biológico.

Produtores querem ver Flor de Sal definida enquanto produto na UE

Além disso, e porque a tarefa é de facto árdua, outra das lutas que estes produtores estão a travar tem que ver com a criação de legislação que defina o produto Flor de Sal a nível europeu. “Em Portugal a flor de sal está bem definida legalmente enquanto produto, mas a nível da UE e noutros países, como é o caso de França, não está”. Para reverter a situação os produtores portugueses e, franceses uniram esforços, estando a desenvolver estudos e propostas conjuntas para apresentação à UE. A provar isso mesmo está a próxima reunião da Federação Europeia de Sal Artesanal que terá lugar em Castro Marim no primeiro trimestre de 2019. No meio disto tudo “fica uma palavra para o Governo português para que não descure a defesa da indústria portuguesa de sal artesanal, produto em que fomos historicamente líderes europeus e que, com certeza, poderemos voltar a ser. E as lutas dos produtores de sal artesanal que pugnam por levar aos consumidores um produto natural, saudável e ambientalmente sustentável, e que não pode ser confundido com outro tipo de sais não naturais», remata Luís H. Correia. É de referir que o processo da Denominação de Origem Protegida para o sal e flor de sal tradicional de Castro Marim foi entretanto submetido, num processo que envolveu produtores, câmara municipal de Castro Marim e empresa municipal local Novbaesuris, esperando-se a sua aprovação para breve. Este será um importante instrumento de defesa e promoção do sal artesanal de Castro Marim, mais um passo no reconhecimento da sua elevada qualidade.

Publicidade
Partilhar
Susana Helena De Sousa
Formação Superior em Jornalismo (Carteira Profissional 9621): Especialização em Imprensa Escrita pelo Centro Nacional de Formação de Jornalistas (CENJOR) Formação media pela Representação da Comissão Europeia em Portugal Experiência em Jornalismo: Rádio (Voz D'Almada, PAL FM, Guadiana FM), Televisão (TVI, AXN, RTP, Canal História) e Imprensa Escrita (Jornal de Setúbal, Semanário O Algarve, Jornal i, Jornal do Baixo Guadiana); Tese de Licenciatura Bi-Etápica: «Serviço Público de Televisão», (publicação com entrevista a Carlos Pinto Coelho) Co-produção, realização e apresentação do programa de Rádio «Se Dúvidas Existem...», do Núcleo de Estudos e Intervenção Psicolõgica de VRSA Co-produção, realização e apresentação do programa «Viver Aqui», do Núcleo de Imigração da Cruz Vermelha Portuguesa de VRSA para o Alto Comissariado para o Diálogo Intercultural Assistente de Realização para Televisão Produtora para Televisão Escrita para Reportagens Televisivas Escrita de Documentário para TV «O Contrabando no Baixo Guadiana» Escrita do texto filme documental «Um Dia na Santa Casa», de Eduardo Soares Pinto Formação Avançada em Dança Contemporânea (CIRL) Formação Inicial em Teatro (TAS, Teatro O Elefante) Formação Inicial Interpretação para Televisão (Aloysio Filho pela ACT) Participação em antologia poética «5.50» (Poetas do Guadiana) Escrita de prefácio para obra editada (Os Poetas do Guadiana nos meios de comunicação social) e outra obra inédita Autora convidada do livro de contos «Ruas» de Pedro Oliveira Tavares e João Miguel Pereira Revisão de Livro de Contos inédito de Mouji Soares Curandoria de exposição de fotografia de Eduardo Soares Pinto, Espanha Co-organização da exposição internacional de arte «Minha Fukushima» na Eurocidade do Guadiana, da Peace and Art Society Organização da Exposição «Aline´s Project» em VRSA, da Peace and Art Society Apresentação de Galas Moderação de Debates e Tertúlias Apresentação de Livros Organização de eventos Co-fundadora do Eco&Design Hotel «Monte do Malhão» Co-fundadora da Mostra Internacional de Cinema «FRONTEIRAS» Voluntariado para a área da comunicação em IPSS's

Deixe uma resposta

Please enter your comment!
Please enter your name here

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.