Não perca a viagem pela «Rota dos Presépios do Guadiana»

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São inúmeros os presépios que se prolongam pelo Baixo Guadiana. Na viagem que fizemos neste âmbito descobrimos uma autêntica rota. Siga esta viagem e descubra as inúmeras surpresas que aqui não desvendamos para o deixar ir à descoberta, literalmente.

A partir de 2009 iniciou-se a criação de um presépio tradicional em Castro Marim, com peças que pertenciam a Ernesto Pires. O Presidente da Junta de Castro Marim, Vítor Esteves, destacou a facto de tentarem sempre que o presépio fosse diferente todos os anos. Mais tarde, pensaram em introduzir o sal e fizeram um presépio de sal, o que seria uma experiência nova. Contudo, foi uma excelente aposta porque os visitantes gostaram da novidade. O atual presépio tem peças que identificam atividades tradicionais da região como a renda de bilros, o forno de cal, a matança de porco e profissões como o tanoeiro, cesteiro, entre outras. Possuí cerca de 3800 peças, 8 toneladas de sal, utilizaram um colorante (óxido de ferro era usado para dar cor à cal). A equipa é constituída por 9 pessoas, que demoraram 27 dias a montar tudo, num total de 300 horas. A maioria das peças foram manufaturadas pelo senhor Adrelino Pena, outras foram emprestadas por Nuno Correia, por particulares e inclusive, peças excedentes do presépio de VRSA (há partilha entre os presépios da região).

Presépio Gigante de Vila Real de Santo António

Augusto Rosa um dos criadores do presépio gigante informou que este presépio existe há 16 anos, foi uma ideia inicialmente concebida pelo senhor Ernesto Pires. Atualmente, é construído por uma equipa de 5 pessoas liderada por: Augusto Rosa e Teresa Marques. Este presépio tem cerca de 220 metros quadrados, mais de 5000 peças, cerca de 60 em movimento. A maioria das peças é produzida ao longo do ano pelos membros da equipa. Augusto Rosa afirmou que demoraram 40 dias a montar o presépio e 12 horas por dia. Utilizaram material variado para compor o presépio, desde musgo, cortiça, madeira, pedra e 25 toneladas de areia. As novidades este ano são: alguns sons de animais como galinhas, vacas; foi construído o teatro de Heródes, a «Aldeia de Maria» foi renovada. O presépio gigante tem a particularidade de a Virgem Maria e José moverem-se diariamente, só no dia 25 é que estarão na gruta com Jesus. Joaquim Soares explicou que todos os anos investigam sobre a conceção de novas peças, este ano resolveram construir o teatro de Heródes, que foi iniciado em fevereiro. No ano passado tiveram 33 mil visitantes visitantes.

Exposição de uma centena de Presépios em Altura

Exposição com mais de 100 Presépios em Altura Nélia Mateus, Presidente da Junta de Freguesia de Altura decidiu realizar esta exposição de diversos presépios devido a um desafio lançado por uma de suas netas. Apresentou cerca de 100 presépios provenientes de variados países, desde Angola, Brasil, São Tomé e Príncipe, Bósnia- Herzegovina, Israel, México, Cabo Verde, e também as ilhas da Madeira e Açores. As escolas de Altura também participaram com alguns presépios elaborados com material reciclável, destacamos um presépio feito com ovos cozidos. O gosto por esta tradição surgiu na infância de Nélia, quando recriava o nascimento de Jesus em casa de seus pais. Ainda hoje preserva o presépio especial, que tem mais de 50 anos com peças feitas em barro pintado. O presépio maior que se localiza no centro da sala de exposição tem cerca de 5 metros quadrados , foi construído por Ernesto Pires e Maria do Carmo. Salientamos o presépio típico do Algarve, onde o menino jesus está de pé, tem tangerinas e trigo que era semeado nas latinhas de conserva «searinhas » no dia de nossa Senhora da Conceição, a fruta e o trigo simbolizavam as colheitas e sementeiras desta zona, pedia-se ao menino Jesus para que este abençoasse as searas.

Presépio ao Vivo em Odeleite

João Pereira, presidente da Junta de Freguesia de Odeleite explicou que o presépio ao vivo tem cerca de 16 anos, é uma parceria da «Associação Social da Freguesia de Odeleite», da Junta de Freguesia e da Câmara Municipal de Castro Marim. Esta iniciativa surgiu com o intuito de atrair visitantes para Odeleite, e tem tido uma grande aceitação. Há cerca de 4 anos que se tornou num evento com grandes dimensões. Paula Pinto, presidente da Associação informou que inicialmente, o presépio surgiu devido a uma iniciativa de CCDR, sobre um concurso dos presépios, no qual Odeleite participou e ficou conhecida como «aldeia presépio». Paula afirmou que esta atividade tem cerca de 50 participantes, demoraram um mês meio a preparar todo o evento. O grupo de teatro «Satori», proveniente de Salir é contratado, e colabora há cerca de três anos, antigamente, os atores eram pessoas de Odeleite. A criação de um presépio ao vivo apareceu para marcar a diferença em relação às outras terras, atrai mais visitantes, especialmente espanhóis.

Presépios de Ayamonte

A rota dos «belénes» é realizada por Paróquias, Associações, Câmara, Lojas e Particulares que constroem o seu presépio e permitem que este esteja patente ao público, geralmente, até ao dia 8 de janeiro. Iremos destacar o presépio de María Rivero e António Barro (Picao), que abrem a porta de sua casa e apresentam um presépio construído na varanda. As figuras e as casas são na sua maioria feitas por António. O casal explica que construía o «belén» para a família até que a neta começou a trazer amigas e por sua vez mais pessoas queriam visitar. Há 4 anos decidiram abrir ao público, têm muitas visitas, inclusive de infantários e escolas da cidade. É uma tradição que António gosta, porque relembra a sua infância e recria momentos felizes com seus irmãos. Picao planeia todos os anos a criação do seu presépio, tenta colocar algo típico de Ayamonte e descreve a história do nascimento de Jesus (anunciação, fuga para o deserto), respeitando sempre o que se pensa ter existido na época. Confessa que adora montar um presépio, com todos os detalhes, pois representam a vivência de um povo. Gosta de partilhar a sua arte e divertir-se, por isso, não quer cobrar nada.

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Carmo Costa
Maria do Carmo Costa nasceu no Monte do Estoril, estudou e viveu alguns anos em Lisboa, mas atualmente vive em Espanha. É licenciada em Ciências da Comunicação e tem Mestrado em Relações Interculturais. Estudou inglês e espanhol em institutos de línguas. Frequentou o Curso de Fotografia, realizado pela Associação Um Quarto Escuro de Vila Real de Santo António. Publicou ebooks na Amazon, um de culinária, denominado “Bebidas Quentes e Saborosas: Receitas Caseiras e Fáceis” (versão inglesa e espanhola); publicou também ebooks infantis, tais como, “Aprender os Números com o Putchi” (versão inglesa e espanhola); “Aprender as Formas Geométricas com o Putchi” (versão inglesa e espanhola); “Aprender as Cores com o Putchi”; “As Aventuras de um Copo de Chá”; “Carol, The Flower that Dreamed to Fly”; “Uma Aventura de Natal”. Participa no grupo “Poetas do Guadiana”, onde declama poemas de sua autoria e de outros autores.

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