A música clássica e a continuação da viagem pelas tradições do canto chão

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Faço votos para que a vossa semana tenha corrido da melhor forma possível e para que estejam a “aprender” um pouco mais sobre a história da música ocidental.

Depois das comemorações na semana passada de uma data bastante importante para todos aqueles e aquelas que diariamente dignificam esta maravilhosa arte que é a música, – Comemorações de Santa Cecília Padroeira dos músicos –  esta semana continuamos a nossa viagem nas tradições do Canto Chão.

Anteriormente tinha escrito um pouco sobre o Canto Greco-Bizantino, Canto Siríaco e o Canto Moçárabe. Nesta rubrica irei escrever um pouco sobre o Canto Ambrosiano, Canto Romano Antigo e uma pequena introdução ao Canto Gregoriano.  Na próxima rubrica irei continuar a escrever um pouco mais sobre este canto e a sua importância.

Canto Ambrosiano

O rito milânes é uma das poucas tradições litúrgicas preservadas até ao presente na Igreja Católica. Esse facto, deve-se essencialmente ao empenho de alguns dos grandes Bispos daquela diocese nomeadamente: S. Ambrósio.

Defendeu-se durante muito tempo a tese de que a liturgia e o canto ambrosiano fossem anteriores ao canto romano. Hoje, afirma-se que têm origem comum.

  1. Ambrósio ficou célere na História de Milão não só pela resistência que opôs à heresia ariana que a imperatriz Justina pretendia impor naquela cidade, como também pela sua atividade musical à frente da comunidade cristã local.

Não se sabe ao certo se as melodias utilizadas nos hinos são verdadeiramente da autoria de S. Ambrósio ou se são de origem popular mas,  atribui-se a este Santo o hino de Matinas e o Te Deum (chamado por isso Hino Ambrosiano).

Segundo a tradição, os salmos praticados na liturgia milanesa eram executados de uma forma antifonal.

Canto Romano Antigo

Foi nos finais do Séc. XIX que o monge beneditino D. André Mocquereau descobriu na biblioteca Vaticana alguns códices contendo melodias diferentes do Canto Gregoriano e do Canto Ambrosiano. Denominando-as de Canto Vaticano, mas não foram unânimes os diagnósticos e em 1912 D. Andoyen afirmou tratar-se de música Pré-Gregoriana.

Em 1950, Bruno Staeblein considerou esta música relacionada com o Canto Gregoriano e deu-lhe então o nome de Canto Romano Antigo. Para Bruno Staeblein o Canto Gregoriano é a revisão do Canto Romano Antigo e chegou a existir em Roma duas tradições musicais em simultâneo.  No palácio papal o Canto Gregoriano e nos mosteiros de Latrão o Canto Romano Antigo.

Mais recentemente Helmuth Hucke leva mais longe a sua investigação e concluiu que o Canto Romano Antigo penetrou no império carolíngio, com principal objetivo de unificar e de aproximação dos tronos imperial e papal.

Canto Gregoriano

O Mito Gregoriano

Quem atribiuiu pela primeira vez a S. Gregório Magno uma acção musical é a Vida de Gregório Magno, escrita por João Diácono. Afirma ter sido S. Gregório o fundador da Schola Canturum e o compilador de Antifonário.

A lenda diz então que o Canto Gregoriano terá sido inspirado por Deus diretamente a S. Gregório através de uma pomba que lhe apareceu atrás de um biombo e que ao seu ouvido lhe começou a ditar as melodias gregorianas.

A história diz apenas que S. Gregório esteve em Constantinopla antes de ser papa e teve a oportunidade de conhecer a liturgia e o canto dos cristãos orientais. Durante o seu pontificado fez algumas reformas litúrgicas mas, não aparecem referências à disciplina musical.

Para além dos factos, a tradição gregoriana é tardia (a Vita de João Diácono aparece quase três séculos depois do pontificado de S. Gregório) e só se explica pelo hábito de colocar ações inovadoras sob a égide e o nome de personagens famosas.

Na próxima semana iremos  continuar a nossa viagem no Canto Gregoriano e ver para além da sua formação,  a sua notação, os seus estilos de composição e o ritmo gregoriano.

Desafio-os a deixarem os vossos comentários!

 

 

 

 

 

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João Bartolomeu
João Miguel Guerreiro Bartolomeu, nascido a 26 de junho de 1985. Iniciou os seus estudos musicais com o Maestro António Batista na escola de música da Banda da Associação Cultural de Vila Real de Santo António. Estudou no Conservatório Regional de Beja – Classe do Professor Paulo Cordeiro e na Universidade de Évora- Curso de Música na Classe do Prof-Hugo Assunção. Ao longo do seu percurso musical fez parte da Orquestra Filarmónica de Lisboa, Orquestra Sinfónica Juvenil Portuguesa e da Orquestra de Estúdio WESO (West european Studio Orchestra-Orquestra de gravações para anúncios publicitários ) e do Ensemble MPMP. Trabalhou com diversos maestros tais como, Kodo Yamagishi, Christopher Bochmann, Jan Wierzba , Diogo Costa , Roberto Pérez, Fernando Marinho, António Saiote, André Granjo, José Pedro Gomes,Leandro Alves, Pedro Neves, Jean Sebastien Bereau entre outros . Frequentou masterclasses de trombone com professores tais como, Hugo Assunção, André Conde,Paulo Cordeiro, Byron Fulcher , Hermenegildo Campos, Nuno Scarpa,entre outros. Orientou diversas masterclasses de trombone, em Santa Marinha-Seia, Pampilhosa da Serra, Moura, Gavião, Vila Real de Santo António entre outros locais. Foi também responsável pela classe de trombones no I estágio de orquestras de sopros do Conservatório Regional de Vila Real de Santo António, no Curso de Instrumentistas do Conservatório Regional do Baixo Alentejo-Beja e no Estágio de Orquestra de Sopros em Abrantes. Tocou a solo com a Banda musical Castromarinense em diversas ocasiões, com a banda da Sociedade Filarmónica e Recreativa Alverquense-Alverca e com a banda da Sociedade Musical União Recreio e Sport Sineense-Sines. Lecionou no Conservatório Regional de Vila Real de Santo António, no Curso Profissional de Instrumentistas de Vila Real de Santo António, no Conservatório do Baixo Alentejo-Beja, Moura e Castro Verde e no Ensemble Montemor. Atualmente é professor de metais na escola de música da Sociedade Estrela da Beira-Santa Marinha, Seia, professor de iniciação e instrumento na escola de música do Grupo Musical e Fraternidade Pampilhosense-Pampilhosa da Serra, professor de música na Santa Casa da Misericórdia da Pampilhosa da Serra-valência creche e pré-escolar e é ainda maestro da banda da Sociedade Filarmónica Galveense-Galveias e coordenador da sua escola de música. É também aluno no curso de banda na Academia Europeia de Direção de Banda na classe dos Professores Paulo Martins, Jan Cober,Javier Viceiro-Figueira,André Granjo e Andrés Alvarez.

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