A música clássica e o início de uma viagem pelas tradições do «canto chão»

0
20

Faço votos para que a vossa semana tenha corrido da melhor forma possível e para que estejam a “aprender” um pouco mais sobre a história da música ocidental. Continuamos com a importância do Cristianismo na História, a civilização ocidental e na música.

Na rubrica anterior verificamos que o aparecimento do Cristianismo modificou por completo quer as características quer a forma musical que se conhecia até então. Esta semana iremos ver as tradições do canto chão.

No canto Greco-Bizantino apesar da influência natural da cultura grega, a música dos cristãos desta região acusa mais a influência siríaca. A música instrumental grega aparece em Bizâncio através da cítara e do aulos, embora os referidos instrumentos fossem muito divulgados não eram utilizados na liturgia cristã, onde só a música vocal tinha lugar. Entre as melodias que ficaram da música Birmânia conta-se o célebre hino à luz do entardecer, o Lucernário, ainda hoje cantado na Igreja grega e latina. O imperador Justiniano o Grande, para além de Imperador foi também um grande, compositor e criou um coro de 25 elementos e Santa Sofia.

No canto Siríaco a mentalidade judaica destes cristãos é evidente e natural mas, os cristãos da Síria impuseram a sua originalidade à prática da fé, vindo a influenciar a música cristã de Bizâncio, da Arménia, da Itália e da França meridional. A sua originalidade baseia-se sobretudo no canto antifónico dos salmos e na prática dos hinos.

A antífona não foi criada nesta altura, pois à relatos que já seria anteriormente usada por povos semitas. A assembleia dividia-se em dois coros, de um lado os homens adultos, do outro lado mulheres e crianças que se reuniam na aclamação conjunta de um pequeno refrão ou aleluia, no princípio e no fim de um salmo.

A forma mais cultivada na Igreja siríaca eram os hinos que se baseavam em poemas estróficos.

  1. Efrem foi o músico e compositor mais importante. Nos seus hinos utikizava melodias populares com fim de atrair o povo para a verdade.

 

Canto Moçárabe

A palavra moçárabe deriva do árabe Mustarabi que significa árabe naturalizado.

Os árabes invadiram a península ibérica e foram apenas travados a norte por Carlos Martel.

Respeitados pelos dominadores árabes, os cristãos praticavam a sua liturgia e o seu canto de acordo com a sua tradição. É de salientar que o arabismo não está ausente do processo de enculturação ibérica e não se pode negar sem mais que o canto cristão moçárabe tenha algo a ver com a própria música árabe e inclusive podemos verificar bastantes semelhanças com a música ambrosiana.

Na próxima semana a nossa viagem irá continuar pela história das tradições do canto chão.

O cristianismo e o culto a Deus a partir desta época teve um papel importantíssimo nas composições musicais, pois todas as composições serviam para louvar o Senhor e a sua grandiosidade.

Desafio-os a deixarem os vossos comentários.

Deixo aqui sugestões musicais.

Boas leituras e boas audições!

 

 

 

 

Publicidade
Partilhar
João Bartolomeu
João Miguel Guerreiro Bartolomeu, nascido a 26 de junho de 1985. Iniciou os seus estudos musicais com o Maestro António Batista na escola de música da Banda da Associação Cultural de Vila Real de Santo António. Estudou no Conservatório Regional de Beja – Classe do Professor Paulo Cordeiro e na Universidade de Évora- Curso de Música na Classe do Prof-Hugo Assunção. Ao longo do seu percurso musical fez parte da Orquestra Filarmónica de Lisboa, Orquestra Sinfónica Juvenil Portuguesa e da Orquestra de Estúdio WESO (West european Studio Orchestra-Orquestra de gravações para anúncios publicitários ) e do Ensemble MPMP. Trabalhou com diversos maestros tais como, Kodo Yamagishi, Christopher Bochmann, Jan Wierzba , Diogo Costa , Roberto Pérez, Fernando Marinho, António Saiote, André Granjo, José Pedro Gomes,Leandro Alves, Pedro Neves, Jean Sebastien Bereau entre outros . Frequentou masterclasses de trombone com professores tais como, Hugo Assunção, André Conde,Paulo Cordeiro, Byron Fulcher , Hermenegildo Campos, Nuno Scarpa,entre outros. Orientou diversas masterclasses de trombone, em Santa Marinha-Seia, Pampilhosa da Serra, Moura, Gavião, Vila Real de Santo António entre outros locais. Foi também responsável pela classe de trombones no I estágio de orquestras de sopros do Conservatório Regional de Vila Real de Santo António, no Curso de Instrumentistas do Conservatório Regional do Baixo Alentejo-Beja e no Estágio de Orquestra de Sopros em Abrantes. Tocou a solo com a Banda musical Castromarinense em diversas ocasiões, com a banda da Sociedade Filarmónica e Recreativa Alverquense-Alverca e com a banda da Sociedade Musical União Recreio e Sport Sineense-Sines. Lecionou no Conservatório Regional de Vila Real de Santo António, no Curso Profissional de Instrumentistas de Vila Real de Santo António, no Conservatório do Baixo Alentejo-Beja, Moura e Castro Verde e no Ensemble Montemor. Atualmente é professor de metais na escola de música da Sociedade Estrela da Beira-Santa Marinha, Seia, professor de iniciação e instrumento na escola de música do Grupo Musical e Fraternidade Pampilhosense-Pampilhosa da Serra, professor de música na Santa Casa da Misericórdia da Pampilhosa da Serra-valência creche e pré-escolar e é ainda maestro da banda da Sociedade Filarmónica Galveense-Galveias e coordenador da sua escola de música. É também aluno no curso de banda na Academia Europeia de Direção de Banda na classe dos Professores Paulo Martins, Jan Cober,Javier Viceiro-Figueira,André Granjo e Andrés Alvarez.

Deixe uma resposta

Please enter your comment!
Please enter your name here

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.