“A música clássica” e o início de uma viagem pela música e o cristianismo

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Faço votos para que a vossa semana tenha corrido da melhor forma possível e que tenham comemorado o São Martinho com muitas castanhas e jeropiga.

Na nossa longa e fascinante viagem já percorrermos a pré-história,  a Grécia Antiga e a Roma Antiga.

Na semana anterior vimos que a Roma Antiga não teve um papel tão fulcral como a Grécia Antiga. Apenas teve um papel mais objetivo depois da conquista do império grego e da adaptação de costumes pertencentes ao mesmo.

Nesta semana iremos seguir a nossa viagem e fazer uma paragem na música e o cristianismo.

Com a origem do Cristianismo começa verdadeiramente a cultura ocidental, também chamada, por isso mesmo, cultura cristã.  A cultura cristã nasce no ocidente através de Carlos Magno nessa altura, a vida torna-se fundamentalmente agrária e estabelecem-se os princípios do feudalismo. A influência da igreja estende-se a todos os aspetos culturais e floresce a Arte Românica e o cantochão.

Não esquecer que foi Carlos Magno que unificou a europa ocidental depois das invasões germânicas.

A nível musical, também sofreu inúmeras alterações. A música passa a caracterizar-se por ser música modal, monódica,  ritmo livre e composição anónima, assim estabelece-se os neumas como notação musical.

A nível de género e forma passa a existir “Missa”, “Tropos” e “Drama litúrgicos”.

“A Missa” era constituída pelos Ritos de introdução, Liturgia da palavra, Liturgia do sacrifício e Ritos de despida.

Os “Dramas litúrgicos” são composições dramáticas cantadas ou recitadas no contexto da religião católica.

“Tropos” era composições musicais que se utilizavam recursos estilísticos, por exemplo a Alegoria ou a Metáfora.

Diz-se música monódica porque apenas existia uma voz, a música modal porque  obedecia a diferentes tipos de modos, a música de ritmo livre, porque a mesma não respeitava qualquer tipo de regra e cada um poderia executa-la no seu tempo.

Os neumas surgem como notação musical,  são os primórdios das figuras rítmicas como as conhecemos nos dias de hoje

Podemos então constatar que o aparecimento do Cristianismo teve um impacto profundo a nível musical e contribuiu para o desenvolvimento do mesmo.

Na próxima semana a nossa viagem irá continuar na mesma época e irei explicar um pouco das tradições do Canto Chão. Irei falar sobre os mais importantes, como: o Canto Greco-Bizantino, o Canto Arménio, o Canto Sírio, o Canto romano antigo, o Canto Ambrosiano, o Canto Moçárabe e o Canto Gregoriano.

A cada semana que passa a nossa viagem começa a ser cada vez mais interessante, e podemos ir verificando que a mudança nas sociedades teve um papel extremamente importante no desenvolvimento das artes.

Desafio-os a deixarem os vossos comentários.

Deixo aqui uma sugestão musical.

Boas leituras e boas audições!

 

 

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João Bartolomeu
João Miguel Guerreiro Bartolomeu, nascido a 26 de junho de 1985. Iniciou os seus estudos musicais com o Maestro António Batista na escola de música da Banda da Associação Cultural de Vila Real de Santo António. Estudou no Conservatório Regional de Beja – Classe do Professor Paulo Cordeiro e na Universidade de Évora- Curso de Música na Classe do Prof-Hugo Assunção. Ao longo do seu percurso musical fez parte da Orquestra Filarmónica de Lisboa, Orquestra Sinfónica Juvenil Portuguesa e da Orquestra de Estúdio WESO (West european Studio Orchestra-Orquestra de gravações para anúncios publicitários ) e do Ensemble MPMP. Trabalhou com diversos maestros tais como, Kodo Yamagishi, Christopher Bochmann, Jan Wierzba , Diogo Costa , Roberto Pérez, Fernando Marinho, António Saiote, André Granjo, José Pedro Gomes,Leandro Alves, Pedro Neves, Jean Sebastien Bereau entre outros . Frequentou masterclasses de trombone com professores tais como, Hugo Assunção, André Conde,Paulo Cordeiro, Byron Fulcher , Hermenegildo Campos, Nuno Scarpa,entre outros. Orientou diversas masterclasses de trombone, em Santa Marinha-Seia, Pampilhosa da Serra, Moura, Gavião, Vila Real de Santo António entre outros locais. Foi também responsável pela classe de trombones no I estágio de orquestras de sopros do Conservatório Regional de Vila Real de Santo António, no Curso de Instrumentistas do Conservatório Regional do Baixo Alentejo-Beja e no Estágio de Orquestra de Sopros em Abrantes. Tocou a solo com a Banda musical Castromarinense em diversas ocasiões, com a banda da Sociedade Filarmónica e Recreativa Alverquense-Alverca e com a banda da Sociedade Musical União Recreio e Sport Sineense-Sines. Lecionou no Conservatório Regional de Vila Real de Santo António, no Curso Profissional de Instrumentistas de Vila Real de Santo António, no Conservatório do Baixo Alentejo-Beja, Moura e Castro Verde e no Ensemble Montemor. Atualmente é professor de metais na escola de música da Sociedade Estrela da Beira-Santa Marinha, Seia, professor de iniciação e instrumento na escola de música do Grupo Musical e Fraternidade Pampilhosense-Pampilhosa da Serra, professor de música na Santa Casa da Misericórdia da Pampilhosa da Serra-valência creche e pré-escolar e é ainda maestro da banda da Sociedade Filarmónica Galveense-Galveias e coordenador da sua escola de música. É também aluno no curso de banda na Academia Europeia de Direção de Banda na classe dos Professores Paulo Martins, Jan Cober,Javier Viceiro-Figueira,André Granjo e Andrés Alvarez.

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