Muito mais é o que nos une do que o que nos separa. O desenvolvimento entre o rio e o mar no Baixo Guadiana

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Tertúlia juntou diversas pessoas na Casa do Sal em Castro Marim

Foi aprovada a Estação Náutica do Baixo Guadiana que promete revolucionar a vida envolta do mar e do rio que banham este território, dando-lhe maior pujança económica. A notícia foi conhecida na tertúlia do Jornal do Baixo Guadiana no passado dia 31 de Outubro, na Casa do Sal, em Castro Marim, por Luís Madeira, presidente da Associação Naval do Guadiana que coordenou a candidatuta. Nesta tertúlia participaram diversos agentes económicos e associativos ligados aos recursos de mar e de rio. A opinião é unânime: apesar das inúmeras potencialidades e provas dadas (quer seja no desporto como nos negócios) falta mais e melhor quer seja em água doce, como salgada e nas suas margens, bem como uma maior atenção do poder político para este território único na sua riqueza natural. 

Imagem: Carmo Costa

O presidente da câmara municipal de Castro Marim, Francisco Amaral, anfitrião na Casa do Sal desta tertúlia, lamentou os constrangimentos que existem e que impedem a potencialização do rio Guadiana, denunciando que no Algarve “não existe força política” para alterar a realidade. O autarca considerou que o Guadiana tem “enorme potencial”, mas que não conseguem ser suficientes se alavancado a esse potencial não forem criadas condições que permitam o florescimento de negócios que tragam maior qualidade ao destino Baixo Guadiana. Por seu turno, e também nos momentos iniciais da tertúlia, Sílvia Madeira, diretora-executiva da Odiana, anunciou uma candidatura da associação com o foco para financiamento público do rio e do mar nas suas variadas vertentes. Por fim, Dinís Faísca, diretor do Jornal do Baixo Guadiana, lembrou a importância destes encontros para a discussão de temas tão determinantes, sendo o nosso jornal um veículo das mensagens de todos.

Foi aprovada a Estação Náutica do Baixo Guadiana

Foi anunciado em primeira mão nesta tertúlia que foi aprovada a candidatura para a criação da primeira Estação Náutica do Baixo Guadiana. Tal como o nosso jornal já tinha anunciado quando a candidatura foi submetida pela Associação Naval do Guadiana (ANG), trata-se de uma estrutura que pretende integrar uma rede de oferta turística náutica de qualidade, organizada a partir da valorização integrada de recursos náuticos presentes num território e da sua promoção. As estações náuticas estão já bastante difundias em Itália, França e Espanha e que tal como já acontece com as estações de esqui, estabelecem à volta de uma atividade um conjunto de oferta turística diversificada incluído alojamento, restauração, eventos culturais, divertimento noturno, entre outras. Luís Madeira, presidente da ANG não tem dúvidas em afirmar que esta estrutura poderá alterar a realidade económica à volta da costa e do Guadiana. Por cá trata-se de uma estação náutica transnacional (que envolve Espanha) e congrega inúmeros parceiros.

“Falta-nos massa crítica”, diz empresário da Nautiber

Rui Roque, empresário na área da construção naval está confiante no desenvolvimento do rio e do mar que banham este território. Não obstante todos as potencialidades este empresário considera que um dos maiores problemas do território na sua afirmação, nomeadamente no que diz respeito à economia do mar, tem que ver com a falta de massa crítica e envolvimento multiorganizacional em torno das potencialidades naturais. Para Rui Roque “o Guadiana tem de vender experiências”.

Ricardo Bernardino, coordenador da associação Terras do Baixo Guadiana, explicou a posição determinante que a associação teve em 2002 ao apostar no Baixo Guadiana como um todo, em que o Guadiana é a espinha dorsal. Este responsável lembrou as diversas iniciativas empresariais que têm sido apoiadas por fundos comunitários e que se dedicam à exploração económica do Guadiana.

A pesca tradicional corre o risco de extinção

Nesta tertúlia participaram três pescadores tradicionais do Guadiana que manifestaram muita apreensão e revolta para com as condições em que desenvolvem a atividade que é também sinónimo de preservação do património cultural. Desde legislação que consideram desadequada, à obra de balizamento e sinalização que garantem ter sido prejudicial para a atividade.

Atualmente são 36 os pescadores tradicionais do Guadiana (entre Mértola e VRSA), tendo a maioria mais de 70 anos e com pouca formação. Cabe aos mais novos levar por diante as muitas reivindicações destes homens que apelam para que o Guadiana seja visto com «olhos de ver»; e para que a sua pesca tradicional não se perca. Enquanto isso, aguardam respostas das autoridades que, garantem, que “nunca mais chegam”.

Como é que o desporto náutico contribui para o desenvolvimento? Grupo Desportivo de Alcoutim em destaque

São dezenas os atletas de canoagem que, ao longo dos anos, têm enchido o Grupo Desportivo de Alcoutim (GDA) de um palmarés invejável. O presidente do clube revela as potencialidades deste rio e chama a atenção para as competições internacionais que contribuem para o estímulo económico do concelho. Contudo, apela a uma maior intervenção dos apoios públicos nesta área e a uma preservação da limpeza do rio que está posta em causa desde que desapareceu a figura do «Guarda do Rio».

Luís Horta Correia, presidente da Cooperativa «Terras de Sal», apelou nesta tertúlia para que o diálogo entre todos seja contínuo e a cooperação um estímulo ao conhecimento e à ação.

Por último, o presidente da Associação de Pesca Desportiva Guadiana, alertou também para a poluição do rio, bem como para a necessidade de melhor aproveitamento das infraestruturas na zona ribeirinha de Vila Real de Santo António. Este responsável lamenta a criação do canal de navegação tal como foi feito por considerar que criou um conflito com a pesca desportiva.

Esta tertúlia contou ainda com a presença de diversos tertulianos habituais, como foi o caso de Francisco Galveis, presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros de VRSA, Isabel Calheiros, mas também com a presença do antigo velejador e empresário na área marítimo-turística João Horta.

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Susana Helena De Sousa
Formação Superior em Jornalismo (Carteira Profissional 9621): Especialização em Imprensa Escrita pelo Centro Nacional de Formação de Jornalistas (CENJOR) Formação media pela Representação da Comissão Europeia em Portugal Experiência em Jornalismo: Rádio (Voz D'Almada, PAL FM, Guadiana FM), Televisão (TVI, AXN, RTP, Canal História) e Imprensa Escrita (Jornal de Setúbal, Semanário O Algarve, Jornal i, Jornal do Baixo Guadiana); Tese de Licenciatura Bi-Etápica: «Serviço Público de Televisão», (publicação com entrevista a Carlos Pinto Coelho) Co-produção, realização e apresentação do programa de Rádio «Se Dúvidas Existem...», do Núcleo de Estudos e Intervenção Psicolõgica de VRSA Co-produção, realização e apresentação do programa «Viver Aqui», do Núcleo de Imigração da Cruz Vermelha Portuguesa de VRSA para o Alto Comissariado para o Diálogo Intercultural Assistente de Realização para Televisão Produtora para Televisão Escrita para Reportagens Televisivas Escrita de Documentário para TV «O Contrabando no Baixo Guadiana» Escrita do texto filme documental «Um Dia na Santa Casa», de Eduardo Soares Pinto Formação Avançada em Dança Contemporânea (CIRL) Formação Inicial em Teatro (TAS, Teatro O Elefante) Formação Inicial Interpretação para Televisão (Aloysio Filho pela ACT) Participação em antologia poética «5.50» (Poetas do Guadiana) Escrita de prefácio para obra editada (Os Poetas do Guadiana nos meios de comunicação social) e outra obra inédita Autora convidada do livro de contos «Ruas» de Pedro Oliveira Tavares e João Miguel Pereira Revisão de Livro de Contos inédito de Mouji Soares Curandoria de exposição de fotografia de Eduardo Soares Pinto, Espanha Co-organização da exposição internacional de arte «Minha Fukushima» na Eurocidade do Guadiana, da Peace and Art Society Organização da Exposição «Aline´s Project» em VRSA, da Peace and Art Society Apresentação de Galas Moderação de Debates e Tertúlias Apresentação de Livros Organização de eventos Co-fundadora do Eco&Design Hotel «Monte do Malhão» Co-fundadora da Mostra Internacional de Cinema «FRONTEIRAS» Voluntariado para a área da comunicação em IPSS's

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