A música clássica e o início de uma viagem pela Grécia Antiga

0
80

Faço votos para que a semana dos nossos leitores tenha corrido da melhor forma possível. Convido-vos novamente para seguirmos a nossa viagem semanal por mais um período da história da música, esta também ligada à história universal,  ao separá-las seria extremamente difícil para o leitor entender a evolução das artes.  (neste caso: a música). Após a semana anterior termos feito uma paragem na pré-história, esta semana vamos até à Grécia Antiga.

Nunca é de mais salientar que na primeira fase da nossa longa e fascinante viagem pelos períodos da História da música, por ser uma fase inicial da civilização humana não existem muitos compositores nem instrumentos musicais, assim como nem existia ainda o termo música. O homem primitivo vivia praticamente para caçar e descansar.

Ao entrarmos na época da Grécia Antiga, verificamos que esta tem um papel fundamental para o desenvolvimento da cultura ocidental e não só. A Grécia é o berço da civilização ocidental, nela foi criada a política (criação da Democracia), as ciências (a matemática inicialmente fazia parte das ciências) e as artes (música, dança e teatro) e a Filosofia.

Os cidadãos, embora apenas a classe mais rica, não estando acessível ao povo, passou a ter acesso à educação. Na educação passou a constar o ensino das artes (música, dança e teatro), o ensino da política, o ensino da filosofia e o ensino da arte da guerra. Aos cidadãos que tinham acesso à educação passou-se a chamar-lhes os patrícios.

Sendo os gregos um povo bastante ligado aos deuses, o termo música nasce da palavra “Musa” e servia como forma de estar mais perto da divindade, no fundo seria o caminho para a perfeição. A lira era o instrumento usado para acompanhar as declamações de poemas. A citara (instrumento de cordas) e os aulos (instrumento de sopro) eram usados na tragédia grega.

Para além do aparecimento dos instrumentos musicais, podemos verificar que estes dividiram-se  em famílias. A Cítara e a lira pertencem à família das cordas e o Aulo e a Voz que já existia na época da pré – história. O inicio da criação das Artes começou como união, a música estava ligada à poesia e ao teatro (tragédia grega), em períodos posteriores criou-se uma diversidade na Arte que separado cada ramo, chegando a pensar-se que cada um dos ramos só faria sentido e só teria o seu total valor apresentado individualmente.

Um dado extremamente curioso e importante na época da Grécia Antiga foi o facto de Pitágoras (autor da teoria de Pitágoras, matemática) descobrir as notas musicais e os intervalos a que cada grau se encontravam um do outro. Tudo isto foi possível através da vibração de cada nota.

Nota: Sempre que em música se fala em grau, o grau corresponde a cada nota da escala, por exemplo se for de Dó Maior, o Dó será o primeiro grau (I) o Ré será o segundo grau (II) e por ai fora.

Quando se fala em intervalo, o mesmo é a distância que cada nota está uma da outra e quando se fala em vibração da nota, entende-se a vibração da mesma por segundo, como por exemplo se fosse um elástico a vibra 440 vezes por segundo (escutaríamos um Lá que serve como referencia para as orquestras afinarem os instrumentos).

Espero por todos vós na próxima semana e lanço o desafio de colocarem as vossas dúvidas ou simplesmente a vossa opinião (mesmo não concordando com algo).

Boas leituras e boas audições.

Aqui fica a minha sugestão musical para o fim de semana:

 

Publicidade
Partilhar
João Bartolomeu
João Miguel Guerreiro Bartolomeu, nascido a 26 de junho de 1985. Iniciou os seus estudos musicais com o Maestro António Batista na escola de música da Banda da Associação Cultural de Vila Real de Santo António. Estudou no Conservatório Regional de Beja – Classe do Professor Paulo Cordeiro e na Universidade de Évora- Curso de Música na Classe do Prof-Hugo Assunção. Ao longo do seu percurso musical fez parte da Orquestra Filarmónica de Lisboa, Orquestra Sinfónica Juvenil Portuguesa e da Orquestra de Estúdio WESO (West european Studio Orchestra-Orquestra de gravações para anúncios publicitários ) e do Ensemble MPMP. Trabalhou com diversos maestros tais como, Kodo Yamagishi, Christopher Bochmann, Jan Wierzba , Diogo Costa , Roberto Pérez, Fernando Marinho, António Saiote, André Granjo, José Pedro Gomes,Leandro Alves, Pedro Neves, Jean Sebastien Bereau entre outros . Frequentou masterclasses de trombone com professores tais como, Hugo Assunção, André Conde,Paulo Cordeiro, Byron Fulcher , Hermenegildo Campos, Nuno Scarpa,entre outros. Orientou diversas masterclasses de trombone, em Santa Marinha-Seia, Pampilhosa da Serra, Moura, Gavião, Vila Real de Santo António entre outros locais. Foi também responsável pela classe de trombones no I estágio de orquestras de sopros do Conservatório Regional de Vila Real de Santo António, no Curso de Instrumentistas do Conservatório Regional do Baixo Alentejo-Beja e no Estágio de Orquestra de Sopros em Abrantes. Tocou a solo com a Banda musical Castromarinense em diversas ocasiões, com a banda da Sociedade Filarmónica e Recreativa Alverquense-Alverca e com a banda da Sociedade Musical União Recreio e Sport Sineense-Sines. Lecionou no Conservatório Regional de Vila Real de Santo António, no Curso Profissional de Instrumentistas de Vila Real de Santo António, no Conservatório do Baixo Alentejo-Beja, Moura e Castro Verde e no Ensemble Montemor. Atualmente é professor de metais na escola de música da Sociedade Estrela da Beira-Santa Marinha, Seia, professor de iniciação e instrumento na escola de música do Grupo Musical e Fraternidade Pampilhosense-Pampilhosa da Serra, professor de música na Santa Casa da Misericórdia da Pampilhosa da Serra-valência creche e pré-escolar e é ainda maestro da banda da Sociedade Filarmónica Galveense-Galveias e coordenador da sua escola de música. É também aluno no curso de banda na Academia Europeia de Direção de Banda na classe dos Professores Paulo Martins, Jan Cober,Javier Viceiro-Figueira,André Granjo e Andrés Alvarez.