Razão #4: a UE garante zonas balneares e águas limpas

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Especial Eleições Europeias

«60 anos, 60 boas razões para a União Europeia»

 

*Os textos são de Sofia Colares Alves, Chefe da Representação da Comissão Europeia em Portugal

Mares poluídos, praias contaminadas pelo petróleo e fosfatos na água para beber são riscos para a saúde humana que têm sido ultrapassados graças às medidas da União Europeia (UE) para manter as águas limpas, tanto para banhos como para consumo. Prova disso são os resultados do relatório Europeu sobre as águas balneares que indicam que a qualidade das águas balneares na Europa continua a melhorar. A Comissão Europeia e a Agência Europeia do Ambiente (AEA) lançaram este mês o relatório Europeu sobre as águas balneares de 2017 que analisa a qualidade das zonas balneares europeias tendo em conta as medições e análises feitas no ano anterior. Tal como se tem verificado em relatórios anteriores, a grande maioria das zonas balneares monitorizadas pode orgulhar-se da boa qualidade das suas águas: mais de 85% satisfaziam as mais rigorosas normas de qualidade (qualidade «excelente»), o que significa que a maioria das zonas balneares de toda a Europa está isenta de poluentes nocivos para a saúde humana e para o ambiente; mais de 96% das zonas balneares satisfazem, também, os requisitos mínimos de qualidade estabelecidos ao abrigo das regras da União Europeia. Como vem sendo hábito, Portugal tem um lugar de destaque com 85% das suas zonas balneares a cumprir as normas de excelência da qualidade de água. Contudo, a contaminação fecal das águas continua a representar um risco para a saúde humana, nomeadamente se esta contaminação ocorrer em zonas balneares, já que nadar em praias ou lagos contaminados torna os organismos dos seres humanos mais vulneráveis, aumentando as possibilidades de contrair doenças.

As principais fontes de poluição são as águas residuais e as águas de drenagem provenientes das explorações e dos terrenos agrícolas. Mas, não só. Um outro risco mais alto se levanta e é urgente alertar para as consequências do mesmo: falo-vos dos microplásticos. 80% do lixo oceânico provem dos hábitos de consumo diários pois o plástico está presente em quase tudo o que utilizamos no dia-a-dia. Assim sendo, sem nos apercebermos, o plástico invade o nosso dia-a-dia e uma grande quantidade deste acaba por ir parar aos oceanos. Esta poluição plástica é uma séria ameaça para os oceanos, colocando em risco os ecossistemas frágeis, a vida marinha, os meios de subsistência associados a esta, bem como a saúde humana. Face a esta ameaça dos microplásticos, a UE tem vindo a promover a investigação cientifica para nos permitir conhecer melhor o tema e recentemente foram lançados dois estudos que ajudarão a conceber a política da UE em matéria de microplásticos. Para além destes estudos, também foram lançados projetos que estudam os impactos da microplastia no meio marinho, projetos estes que são financiados através do orçamento destinado à investigação, no domínio da sensibilização e da literacia oceânica. Uma das principais prioridades passa por fortalecer a pesquisa e dados internacionais sobre o oceano e o objetivo é criar uma rede mundial de dados marinhos aberta a todos. Mas a solução à ameaça do lixo plástico pode muito bem partir de cada um de nós, tendo mais cuidado com o uso dos plásticos no nosso quotidiano e reciclando o plástico para que este seja reutilizado e não acabe a poluir os nossos oceanos.

Sabia que, por ano, descarregamos 10 milhões de toneladas de plástico no oceano? Sabia que este mesmo plástico permanece nas águas durante largas centenas de anos? Mas mais: sabia que por cada 3 toneladas de peixe se encontra uma tonelada de plástico no mar? Um estudo prevê que até 2050 haverá mais plástico do que peixes nos nossos oceanos. Esta é uma realidade assustadora com a qual me deparei recentemente numa iniciativa de recolha de plásticos numa praia da Costa da Caparica: das palhinhas às beatas de cigarros, a quantidade de lixo recolhido foi exorbitante. E isto é culpa de todos nós, dos nossos maus hábitos e desleixo face aos resíduos que deixamos na areia das nossas praias e que podemos muito bem corrigir. Tal como os peixes não comem em pratos de plástico, nós muito mais devemos fazer para não ter peixe-plástico à mesa.

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