Mítica «pista da Praia Verde» foi reativada. Empresário lança-se no turismo aventura

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Fotos e vídeo: Carmo Costa

Foi reativada a mítica pista da «Praia Verde», como é conhecida há várias décadas, mas que, mais precisamente, fica localizada na Fonte/São Bartolomeu, no concelho de Castro Marim. Trata-se de um investimento privado, na ordem dos 250 mil euros, num terreno da família Drago, a mesma família que explorou a pista até ao ano de 1996.

Desde então a pista esteve encerrada e de há dois anos a esta parte o piloto Pedro Cotovio empenhou-se em tornar uma realidade o seu projeto «Sky Xpedition» e ativar um turismo aventura de modo a satisfazer as ambições a muitas amantes do voo.

“Muitas vezes as pessoas escolhem o seu destino de férias com base em imagens aéreas, mas a verdade é que na maior parte dos casos as suas férias não incluem a experiência de desfrutar de um voo”. Pedro Cotovio sublinha esta vertente em jeito de venda de um produto que, garante, tem cada vez maior procura. Este empresário, com uma larga experiência em proporcionar voos em balão de ar quente e paratrike, reconhece no aparelho que elegeu para dar asas ao seu novo negócio uma componente de segurança e versatilidade inigualáveis.  “Os clientes que procuram este tipo de experiências fazem a sua pesquisa e tomam conhecimento de todas as características do girocóptero”, nota o empresário.

Pedro Cotovio lança-se, assim, à pista com um produto completamente inovador em pleno território do Baixo Guadiana e que promete chamar a atenção, desde logo, dos mais ousados. “Sendo que é curioso ver que os habitantes desta zona estão muito interessados em perceber o que aqui fazemos, como dinamizamos esta pista que já teve um tráfego bastante grande e que por largas décadas esteve inativa”, conta Pedro Cotovio ao nosso jornal. Recorde-se que por estar inserida em plena Reserva esta é uma eco-pista e esse fator é também um dos atrativos do produto apreciado por quem procura estar em contacto com a natureza de um forma completamente diferente.

Voar no girocópetro da «Sky Xpedition» pode durar desde os 15, 30 ou 60 minutos até um percurso de vários dias em que o mar e a terra estão incluídos. Voar sobre Portugal Continental, Açores, Eslovénia, Marrocos, entre outros destinos já é possível. Se bem que Pedro Cotovio assume que “se conseguíssemos juntar os Açores com a Ria Formosa e as salinas de Castro Marim teríamos o paraíso na terra. Visto do céu!”. O empresário não se cansa de elogiar a beleza em terra vista dos céus “numa palete de cores incrível e arrebatadora”. De realçar que este equipamento está preparado para pessoas com mobilidade reduzida.

Maioria dos clientes são estrangeiros

Para já a maioria dos clientes vem do estrangeiro até ao Baixo Guadiana para explorar o território a partir do céu. No Inverno caso haja muito frio o arrojado girocóptero aciona aquecimento de modo a que “voar todo o ano seja uma experiência única”. Pedro Cotovio fala, assim, orgulhosamente de um projeto que encara também como “um desafio interessante”. Foram precisos dois anos para conseguir colocar de pé esta aventura. Contou com o “inexcedível apoio do Turismo de Portugal que olhou para a ideia como algo completamente inovador”. E se por um lado admite que as instituições financeiras não facilitam a vida às start up, por outro aplaude a abertura e recetividade da Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC).

Pedro Cotovio contou, ainda, com o apoio da câmara municipal de Castro Marim para a limpeza do terreno da pista. Mais à frente e dentro do projeto Pedro Cotovio gostaria de estabelecer uma parceria com o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), nomeadamente de poder contribuir com os seus voos para a vigilância. Bem como ao nível de parcerias está a começar a criar redes com os empresários, nomeadamente, hoteleiros locais.

O Baixo Guadiana e a dicotomia isolamento-potencialidade

Hoje, completamente instalado, gostaria de ver nascer ali um hangar e crescer a dinâmica aérea. “um dia esta pista deveria transformar-se num aeródromo”. Com os olhos postos no futuro realça as potencialidades do território do Baixo Guadiana que enfrenta o outro lado da moeda. Por aqui o isolamento pode ser proporcional às potencialidades e Pedro Cotovio sente que faz falta “uma dose maior de pragmatismo, de fazer as coisas acontecer”.

Este Algarve mais raiano conhece-o desde criança, pois era para aqui que vinha de férias. O empresário admite que olha para o negócio com uma visão também romântica onde quer ganhar dinheiro à custa da felicidade dos outros! “Proporcionar experiências únicas e, por isso, inesquecíveis, e ainda lucrar com isso é uma visão poética da vida empresarial que eu adotei para a vida”.

Instalado em plena Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e VRSA, onde os flamingos parecem já estar completamente adaptados à presença de uma «ave rara» que agora para ali se mudou (o girocóptero azul de um design que dá nas vistas), e acompanhado da sua fiel amiga de quatro patas, de nome Sal, Pedro Cotovio tem o tempo e a serenidade necessárias para dia após dia acreditar que deu um rumo certo a esta aventura a que se chama vida empresarial no Baixo Guadiana. “Em Maio do próximo ano já estaremos com a Sky Xpedition em velocidade de cruzeiro”, remata.

 

Veja aqui o video com excertos da entrevista:

 

 

 

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Susana Helena De Sousa
Formação Superior em Jornalismo (Carteira Profissional 9621): Especialização em Imprensa Escrita pelo Centro Nacional de Formação de Jornalistas (CENJOR) Formação media pela Representação da Comissão Europeia em Portugal Experiência em Jornalismo: Rádio (Voz D'Almada, PAL FM, Guadiana FM), Televisão (TVI, AXN, RTP, Canal História) e Imprensa Escrita (Jornal de Setúbal, Semanário O Algarve, Jornal i, Jornal do Baixo Guadiana); Tese de Licenciatura Bi-Etápica: «Serviço Público de Televisão», (publicação com entrevista a Carlos Pinto Coelho) Co-produção, realização e apresentação do programa de Rádio «Se Dúvidas Existem...», do Núcleo de Estudos e Intervenção Psicolõgica de VRSA Co-produção, realização e apresentação do programa «Viver Aqui», do Núcleo de Imigração da Cruz Vermelha Portuguesa de VRSA para o Alto Comissariado para o Diálogo Intercultural Assistente de Realização para Televisão Produtora para Televisão Escrita para Reportagens Televisivas Escrita de Documentário para TV «O Contrabando no Baixo Guadiana» Escrita do texto filme documental «Um Dia na Santa Casa», de Eduardo Soares Pinto Formação Avançada em Dança Contemporânea (CIRL) Formação Inicial em Teatro (TAS, Teatro O Elefante) Formação Inicial Interpretação para Televisão (Aloysio Filho pela ACT) Participação em antologia poética «5.50» (Poetas do Guadiana) Escrita de prefácio para obra editada (Os Poetas do Guadiana nos meios de comunicação social) e outra obra inédita Autora convidada do livro de contos «Ruas» de Pedro Oliveira Tavares e João Miguel Pereira Revisão de Livro de Contos inédito de Mouji Soares Curandoria de exposição de fotografia de Eduardo Soares Pinto, Espanha Co-organização da exposição internacional de arte «Minha Fukushima» na Eurocidade do Guadiana, da Peace and Art Society Organização da Exposição «Aline´s Project» em VRSA, da Peace and Art Society Apresentação de Galas Moderação de Debates e Tertúlias Apresentação de Livros Organização de eventos Co-fundadora do Eco&Design Hotel «Monte do Malhão» Co-fundadora da Mostra Internacional de Cinema «FRONTEIRAS» Voluntariado para a área da comunicação em IPSS's

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