Conceição Cabrita: “Eu não vou mascarar a dívida, mas sim trabalhar para que seja paga”

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Conceição Cabrita numa entrevista em que nos fala do percurso feito dentro da câmara municipal de Vila Real de Santo António onde começou há 12 anos como vereadora, onde assumiu no terceiro mandato com Luís Gomes a vice-presidência e onde a experiência e conhecimento permitiram-lhe assumir a liderança de uma candidatura à câmara municipal. A social-democrata, fala-nos da dívida, do presente e do futuro do município onde nos conta que relativamente à empresa municipal podemos falar de uma eventual internalização e não de fecho e despedimentos. É a primeira mulher presidente por estas terras.

Fotos: Carmo Costa

Recorda-se como estava  há um ano? Um Verão quente em vários sentidos, certamente!?…

Boa pergunta essa… Estávamos por esta altura, a nível do partido, a preparar a candidatura para arrancar. Já estava a sair aos fins-de-semana; aliás desde Janeiro que já saía ao sábado e domingo porque desde o início do ano que preparávamos a lista de  candidatos de modo a podermos sair para a rua e dar-nos a conhecer. Em Junho já estávamos numa altura complexa em que os meus opositores já começavam a atacar…

Já se encontrava numa fase muito quente, portanto.

Sim, muito quente; bastante quente.

E como é que se sentia a Conceição Cabrita, candidata a presidente da câmara e que na altura cumpria o quarto ano de vice-presidente, sendo que antes disso tinha sido oito anos vereadora?

O facto de ter sido oito anos vereadora e quatro vice-presidente desta câmara de alguma forma fazia-me sentir em lugares de bastidores. Havia algum receio, caso ganhasse, de saltar para a frente. Eu tinha sempre um líder que era muito diferente de mim, mas com quem aprendi muito e cresci: o Luís Gomes. E nesta fase a que se refere eu estava na eminência de ser a primeira mulher a ganhar esta câmara. Lembro-me que havia sondagens que me davam a vitória, mas sem maioria, e portanto estava muita coisa a mexer cá dentro, interiormente.

Pelo facto de ser mulher sentia que essa maioria podia estar mais longe?

Sentia… Sentia e sinto (risos). Como mulher presidente tenho de me afirmar. Eu não posso, não devo, nem quero afirmar-me como homem. Mas por outro lado vejo que este ainda é um mundo muito masculino. Neste período, há precisamente um ano, estava tudo muito complexo para mim. Foi bom depois começar a andar na rua. Deu-me força e quanto mais andava mais força tinha…

E porquê?

Porque sentia que estava a ganhar terreno. Pedi sempre à minha equipa e às pessoas que nos acompanhavam para nunca responderem às acusações da oposição. E, portanto, optei sempre por nunca responder negativamente aos comentários que iam surgindo.

Portanto, optou sempre por viver aquilo que ia sentindo na rua junto dos eleitores…

Sim, na rua e com as pessoas. E talvez graças ao sexto sentido que o homem não tem (risos) é que me apercebi que estava a ganhar terreno! Palmilhámos muitos quilómetros. Apesar de muito cansaço o tempo de campanha e o que nos antecedeu foi muito importante porque quanto mais andava mais sentia o afeto e carinho das pessoas; e era isso que me dava cada vez menos vontade para falar da oposição.

Sentiu que o trabalho que desenvolveu ao longo de 12 anos nos bastidores  viu-se refletido na rua quando decidiu assumir protagonismo, sendo a candidata à presidência da câmara?

Sem dúvida alguma. E penso que também foi importante, face ao meu percurso, assumir um conjunto de compromissos e não de promessas. A única promessa que fiz foi trabalhar muito e o melhor que sei.

Fazer compromissos e não promessas é uma nuance importante que adoptou pelo facto de ser mulher?!

Eu  na minha situação e sabendo já, caso ganhasse, o que me esperava aqui dentro nunca poderia fazer promessas. Acho que seria enganar as pessoas…

Face ao sentimento e reforço positivos que, segundo diz, ia ganhando na rua [primeiro na pré-campanha e depois na campanha] o que mudou após ter ganho as eleições quando, finalmente, assumiu a presidência desta câmara municipal?

(Pausa) Eu tive aqui dentro um percurso que foi passar da sala do fundo para esta. Fui caminhando e isso faz-nos passar por várias etapas da nossa vida, relativamente aqui dentro; o que é muito bom. Aterrar aqui de pára-quedas é diferente. No meu caso não foi isso que aconteceu. Agora o que é estranho aqui é quem era esta São que ajudava e que ouvia a pessoas e que agora não tem tempo às vezes para ouvir. Isto a mim aflige-me muito…

Sente que tem uma equipa que de alguma forma a substitui nessa função de relação com as pessoas?

Sim, é verdade que tenho, mas as pessoas querem a São e notam a minha ausência na rua.

E o que pode dizer a essas pessoas?

Em primeiro lugar pedir desculpa, mas explico que tenho muitos processos em áreas que não tinha conhecimento porque nunca mexia nelas. Falo, por exemplo, nas áreas de Urbanismo e Finanças, nomeadamente, que me retiram muito tempo para estudá-los, o que me afasta de fazer o que mais gosto: andar na rua e visitar as pessoas.

Mas vejo que tem utilizado as redes sociais para colmatar essa situação, ou não é bem assim?

Sim utilizo, mas mesmo assim existem situações onde tenho que obrigatoriamente estar presente. Por exemplo, a obra de Monte Gordo está a desgastar muito porque os atrasos não são da nossa responsabilidade, mas vejo que os nossos munícipes e os turistas que nos visitam estão muito incomodados. Por isso faço questão de ir frequentemente, neste caso, para o terreno. A outro nível, tenho feito atendimentos e noto que há pessoas que ainda não encaixaram a mudança da São vereadora para a São presidente. Algumas pessoas criticaram-me, mas eu não me importo. A verdade é que tive que começar a «arrumar a casa» à minha maneira; tive de me adaptar à nova equipa, tive de projetar este mandato de uma forma diferente daqueles que foram os 12 anos anteriores.

Li numa das vezes em que utilizou a expressão «arrumar a casa» num contexto em que dizia que gostaria que a câmara municipal fosse autossustentável. Não considera isso uma utopia?

Essa é uma meta minha, mas que admito que possa ser uma utopia. Face aos investimentos feitos nos últimos 12 anos há uma dívida que foi contraída que é pública e por nós assumida que serviu, ao contrário do que a oposição diz, não para hipotecar gerações futuras, mas sim para dar às gerações presentes e futuras uma qualidade de vida e oportunidades que até aqui não existiam. Sem sombra de dúvidas que há que pagar esta dívida e o facto de eu ter essa responsabilidade faz-me uma certa confusão, é verdade. Eu não vou mascarar a dívida, mas sim trabalhar para que seja paga. Se pensarmos: a nível de infraestruturas está praticamente tudo feito. Está a terminar a obra de Monte Gordo, a zona ribeirinha de VRSA temos de pensar o que vamos fazer, mas agora é tempo de focar na forma de pagar todo o investimento que foi feito. Temos estratégias para baixar a despesa e aumentar a receita. Já fizemos algumas mudanças… Eu não estou a criticar o que estava antigamente porque eu fiz parte dos vários executivos e reafirmo que fizeram-se coisas mal, mas a maioria do que se fez foi benéfico. Mas agora tenho de me focar no presente: sou eu que estou aqui e sou eu que para o bem e para o mal tenho de prestar contas aos munícipes.

No que diz respeito a cortes o que está em mente ou até a ser, eventualmente, executado?

Dado ao investimento que fizemos e porque agora temos de o pagar não se estranhe se houver cortes em situações que a câmara poderia ajudar e não o faz. É o caminho para a estabilidade financeira.

Falamos do quê, por exemplo?

Nunca poderemos acabar com os apoios sociais, mas talvez tenhamos que rever esses apoios e ordenar outro tipo de ajudas; como por exemplo aos clubes e associações. Volto a dizer: eu sempre tive estes pelouros e sei o que fiz de bem e de mal, mas temos de criar regulamentos e tem de ser a população a colaborar para que cheguemos a essa saúde financeira. Há que ter noção que a regulamentação dos apoios é uma clara exigência do FAM, o Fundo de Apoio Municipal. Só assim poderemos ter acesso à terceira tranche deste apoio; e há medidas que em breve vão ser anunciadas. Não se trata de cortes, mas sim de alterações para baixarmos as despesas. E não me refiro apenas às associações, mas no que diz respeito a eventos e aos circuitos de despesa que temos de reformular. Para mim isto não são as gorduras. As gorduras são outras situações como as que estamos também a alterar a sua dinâmica: falo de saídas, almoços… são coisas pequeninas mas que fazem diferença. Estou a exigir demais aos funcionários que estão a trabalhar ainda mais… mas tenho de sublinhar que o FAM está a exigir muito de todos nós. Eu peço desculpa aos funcionários, mas apelo a que todos façamos um esforço para remarmos para o mesmo lado.

E o que considera que será mais difícil de cortar?

(Pausa) Eu tenho de mudar primeiro o meu chip; a mudança tem de estar primeiro em mim para depois transmitir aos outros. O mais crítico poderá ser a mudança de mentalidades… Eu posso ser vista como uma má e é normal que algumas pessoas possam não entender certas mudanças. Mas eu tenho que fazer perceber que as alterações são-nos impostas.

A dívida é elevada…

São 153 milhões de euros, entre SGU e Câmara. É uma carga pesada…

Diz-se que a empresa municipal SGU vai fechar…

Ouve-se de tudo… A primeira mudança, repito, terá de ser de mentalidades. O concelho está a renascer e estão a aparecer cada vez mais negócios. Temos mais ferramentas para que as pessoas não dependam tanto da câmara. Temos de depender da câmara em determinadas circunstâncias e há casos dos quais eu não abdico; situações graves de saúde em que as pessoas não têm mesmo outra alternativa se não a câmara. Essas pessoas terão sempre o apoio da câmara, disso não haja dúvida; esteja em que situação estiver financeiramente o município. E a oposição pode acusar-me do que quiser, mas eu  nunca abandonarei quem mais precisar de nós.

E a SGU vai fechar ou não?

Com Lei dos Precários uma das medidas que tomámos na SGU foi passar a efetivos todos os que estavam em regime de prestação de serviços ou a contrato. Isso significa que não temos ideia de fechar. Uma coisa é fechar e as pessoas ficarem sem trabalho e outra coisa é proceder à internalização – esta é uma palavra que existe, mas que muitos teimam em dizer que não existe. Ou seja, o que posso garantir é que caso houvesse uma fusão havia uma integração dos funcionários da SGU na câmara. Isto caso avançássemos, e como estamos a avançar, aliás, com a concessão das águas.

Portanto, trata-se de uma fatia grande de funcionários que com a concessão passariam para a empresa concessionada, sendo que os outros ficariam na câmara, é isso?

Os outros ficariam na SGU ou caso se verificasse que não há rentabilidade da SGU passariam para a câmara; mas nada disto está fechado. São tudo questões que foram acordadas com o FAM. Uma coisa é o encerramento e o desaparecimento da SGU e outra coisa é a internalização da SGU. É preciso esclarecer porque há certas más-línguas que gostam muito de transtornar a cabeça aos que trabalham. Quero que fique bem claro, e que já expliquei aos funcionários, que nada acontecerá sem que eles sejam devidamente informados. Portanto, logo imediatamente após assinarmos com a Aquapor falaremos com os funcionários e só depois é que mandamos a notícia para a rua.

Três mandatos seguidos caso fosse eleita seriam suficientes para arrumar a casa?!

Sim. Um mandato não seria suficiente, mas um segundo sim e um terceiro de certeza. Sabe que eu tenho sempre esta fé que VRSA está a mudar. Em 12 anos com investimentos públicos da parte da autarquia conseguimos colocar o concelho no mapa e há coisas boas que estão para chegar. Apesar desta cruz toda; desta negatividade que a oposição ainda tenta fazer pior, sinto que os três mandatos seriam suficientes para mostrar o nosso trabalho.

Precisamente, a oposição recentemente quis ajudá-la a arrumar a casa com uma auditoria às contas, mas a presidente da câmara não quis ajuda. Porquê?

Eu percebo onde quer a oposição chegar… Está a fazer a sua oposição e não sou eu que lhes vou dar dicas para fazer melhor. O raciocínio deles é que eu pertenci 12 anos ao executivo e interrogam-se porque é que agora eu quero mudar as coisas. Na verdade, sistematicamente, a oposição quer que eu me volte contra o meu antecessor, mas isso eu não vou fazer: por lealdade, por respeito e pelo meu trabalho que também aqui tive em 12 anos nos executivos. O que eu disse em relação ao chumbo da proposta de auditoria tem que ver com o facto de nós já sermos muito bem auditados pelas mais diversas entidades fiscalizadoras. Quando somos já tão fortemente auditados eu questiono-me que empresa iria realizar uma auditoria aos 20 anos de gestão anterior, com a oposição propunha? Tenho muito respeito pela oposição, mas não admito que passem determinados limites. Aceito que a oposição questione, mas não pode acontecer querer intrometer-se na gestão de um executivo que tem a responsabilidade dos pelouros.

Considera que esta auditoria serviria para tentar apenas destabilizar é isso?

Eu considero que esta auditoria serviria para fazer sangue que é o que eles querem. Eu já pedi para que os vereadores sem pelouro tenham uma oposição construtiva e não solicitarem algo como uma auditoria que não acrescentaria nada e apenas viria aumentar a nossa despesa, porque não se tratava de um processo simples e certamente seria bastante dispendioso.

Justifica-se perguntar-lhe do que, em  12 anos, se orgulha mais e o que considera que constitui erros irrepetíveis?

O que mais me orgulho é de ter visto este que é o meu concelho evoluir. Há pessoas que ainda não viram isso; ou porque não querem ver ou porque têm uma vida muito facilitada. Temos um concelho, plano, limpo, inovado e com qualidade de vida. Quanto a erros irrepetíveis pode ser o excesso de alguns eventos. E também foram desenhados alguns projetos megalómanos que não estão aplicáveis à realidade.

Por exemplo?

Para Monte Gordo antes da crise tinha sido desenhado um projeto que se verificou não ser adaptado à realidade e que foi reformulado; entretanto foi gasto bastante dinheiro nesses projetos que acabaram por não servir… Mas olhe que não há muito de que me arrependa.

Quanto aos parquímetros como está a possível alteração à modalidade origina implementada? Isto porque a grande crítica recai não sobre a legitimidade de haver zonas parqueadas, mas sim sobre o horário, valores e perímetro, nomeadamente na cidade de Vila Real de Santo António.

Um dos compromissos da campanha foi conversar com a empresa concessionada [ESSE] o que já fizemos e posso adiantar que já temos programadas algumas medidas para o Inverno para que não haja vilarealenses de primeira e vilarealenses de segunda. Quanto a Monte Gordo dizer-lhe que acabo com o estacionamento pago não é possível porque não há estacionamento, apesar de termos zonas livres que vão contra o caderno de encargos celebrado com empresa de estacionamento. A verdade é que Monte Gordo no Verão ao nível de estacionamento é muito caótico como se pode constatar: não há lugar para estacionar face à afluência turística.

Gostava que me respondesse se o parquímetro serviu o objetivo de rotatividade lugares, nomeadamente em VRSA, ou foi uma troika dentro de VRSA que previa receitas para fazer face à dívida municipal?

De momento como não temos resolvido um desentendimento com a empresa no que diz respeito ao que diz no Caderno de Encargos ainda não temos a questão das receitas resolvida, mas queremos ter, claro. Mas além da receita queremos a nível do centro histórico conseguir ordenar o trânsito. E se verificar estamos a conseguir concretizar esse objetivo. Já não há carros em cima dos passeios e a circulação nas artérias dentro do centro está muito mais limitativa.

Mas podemos antever que noutras zonas da cidade pombalina após o Verão vão surgir alterações quanto ao estacionamento pago?

Poderão surgir e a seu tempo serão anunciadas. Sobretudo tem a ver com questões de horários em diferentes zonas porque se há zonas que devem manter-se inalteráveis outras há que devem ver diminuído horário ou até ser suprido o pagamento de parquímetro.

Voltando a Monte Gordo. A requalificação desenhada não fica pronto esta época balnear…

O que temos ali são dois grandes problemas de empreitada e de obra. Esperemos abrir cerca de 8 concessionários este verão, cerca de metade dos previstos. A obra do calçadão é um grande problema. Diariamente vou à obra para ver em que ritmo está a avançar. É normal que as pessoas se zanguem com a câmara. Acredito que para o ano não se lembrem de tudo isto… Mas, sem dúvida, que perante atrasos dos empreiteiros e as condicionantes com as obras quem mais sofre é quem não tem culpa nenhuma: residentes e turistas. Tem-nos cabido pressionar o máximo possível para que as obras avancem mais rápido. Há um técnico da SGU que está sempre na obra a fiscalizar e que faz o papel de mau…

Sem ter começado a requalificação da frente ribeirinha de VRSA já sofreu muitos atrasos… Mas esta também foi sempre uma obra desejada e falada por parte dos executivos a que pertenceu nos últimos 12 anos. Em que ponto estamos depois de se ter apresentado o projeto com fundos estrangeiros?

Estamos num impasse. O problema antes era com a Docapesca, mas agora estamos à espera da resposta do fundo inglês. Não avançou como previsto neste que é um projeto interessantíssimo para o nosso concelho. Perante este impasse não sei se será dada continuidade ou se tomará novo rumo.

Entretanto, outros investidores seguiram avante com projetos na cidade, mesmo em frente ao rio. Empresários como o Grupo Pestana não pressionam para que VRSA tenha uma nova cara sobre o rio? Não existe essa pressão?

Não. Eu acredito que estes investidores são os motores de todo o restante desenvolvimento. Acredito que se eles investiram cá foi porque viram o nosso potencial turístico e acreditam no futuro desta terra. Depois não viverão exclusivamente da nossa cidade, mas numa relação com o turismo de natureza, ao longo do nosso Baixo Guadiana. Caberá à nossa restauração também modernizar-se para acolher a potencial diversidade de turistas que iremos receber daqui para a frente.

E em Monte Gordo vai nascer o novo hotel em frente ao mar ou não?

Posso precisar que tivemos reunião a 8 de Abril com Ministro de Ambiente onde levámos três temas: a situação dos nossos mariscadores de Monte Gordo, a relocalização de parque de campismo de Monte Gordo e o Hotel previsto para esta localidade. Esta última questão Hotel fez com que o ministro me pedisse um mês para dar uma resposta. Esse prazo já foi largamente ultrapassado e até agora nada de conclusivo. É bom lembrar que há um parecer favorável da APA [Agência Portuguesa do Ambiente] do Algarve, sendo que propusemos relocalizar hotel para uma zona consolidada, afastando da zona dunar. Tivemos, como disse um parecer positivo. Fizemos escritura com investidor para a construção do hotel e um ano depois surge um parecer negativo de Lisboa, mas da mesma entidade. O senhor ministro garantiu-me que este revés no parecer nada tinha a ver com a titularidade de terreno, mas sim com a sensibilidade da zona… Não faz sentido algum já que optámos por uma zona completamente impermeabilizada. O ministro tem de nos dizer sim ou não e perante a sua resposta avançamos ou não com um pedido de indemnização ao Governo porque caso se mantenha o parecer negativo a empresa vai avançar com um pedido de indeminização à câmara pelos gastos que teve com a escritura do terreno.

E em que fase está o  hotel do Complexo Desportivo de VRSA?

Vai avançar após relocalização dos campos de ténis e padel, mas é um processo que está demorado.

Há um espaço multiusos em VRSA que está a meio há tanto anos…

O espaço multiusos foi uma contrapartida de uma cooperativa de casas a custos controlados que após a primeira fase de construção do multiusos entrou em insolvência. Quando passar para nós o edifício, e tivermos dinheiro, queremos terminar a obra.

E que planos tem este executivo para a freguesia de Vila Nova de Cacela. Temos Manta Rota e Cacela Velha que já se afirmaram, mas depois uma outra parte da freguesia mais rural e a sede de freguesia. O que está projetado neste sentido?

Temos que terminar o Plano Diretor Municipal até ao final de Dezembro deste ano. Não podemos crescer muito mais; pois temos mar, rio e reserva. Em Vila Nova de Cacela temos barrocal e gostaríamos que esta freguesia deixasse de ser eminentemente dormitório. A localidade de Santa Rita tem que ser transformada numa vila-museu. A nossa cultura não pode ser só sol e praia. Temos de dinamizar o mercado de Cacela que atualmente está muito impessoal. Para o ano talvez consigamos fechar a zona central de Vila Nova de Cacela e transformar numa  zona mais pedonal e ter mais vida. Esta localidade tem de ganhar maior atratividade e articular-se mais com Cacela Velha e Manta Rota. Espero não ferir os cacelenses, mas por vezes parece que nesta freguesia há muito bairrismo e pouca relação entre os lugares e não pode ser…

(entrevista realizada a 22 de Junho)

 

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Susana Helena De Sousa
Formação Superior em Jornalismo (Carteira Profissional 9621): Especialização em Imprensa Escrita pelo Centro Nacional de Formação de Jornalistas (CENJOR) Formação media pela Representação da Comissão Europeia em Portugal Experiência em Jornalismo: Rádio (Voz D'Almada, PAL FM, Guadiana FM), Televisão (TVI, AXN, RTP, Canal História) e Imprensa Escrita (Jornal de Setúbal, Semanário O Algarve, Jornal i, Jornal do Baixo Guadiana); Tese de Licenciatura Bi-Etápica: «Serviço Público de Televisão», (publicação com entrevista a Carlos Pinto Coelho) Co-produção, realização e apresentação do programa de Rádio «Se Dúvidas Existem...», do Núcleo de Estudos e Intervenção Psicolõgica de VRSA Co-produção, realização e apresentação do programa «Viver Aqui», do Núcleo de Imigração da Cruz Vermelha Portuguesa de VRSA para o Alto Comissariado para o Diálogo Intercultural Assistente de Realização para Televisão Produtora para Televisão Escrita para Reportagens Televisivas Escrita de Documentário para TV «O Contrabando no Baixo Guadiana» Escrita do texto filme documental «Um Dia na Santa Casa», de Eduardo Soares Pinto Formação Avançada em Dança Contemporânea (CIRL) Formação Inicial em Teatro (TAS, Teatro O Elefante) Formação Inicial Interpretação para Televisão (Aloysio Filho pela ACT) Participação em antologia poética «5.50» (Poetas do Guadiana) Escrita de prefácio para obra editada (Os Poetas do Guadiana nos meios de comunicação social) e outra obra inédita Autora convidada do livro de contos «Ruas» de Pedro Oliveira Tavares e João Miguel Pereira Revisão de Livro de Contos inédito de Mouji Soares Curandoria de exposição de fotografia de Eduardo Soares Pinto, Espanha Co-organização da exposição internacional de arte «Minha Fukushima» na Eurocidade do Guadiana, da Peace and Art Society Organização da Exposição «Aline´s Project» em VRSA, da Peace and Art Society Apresentação de Galas Moderação de Debates e Tertúlias Apresentação de Livros Organização de eventos Co-fundadora do Eco&Design Hotel «Monte do Malhão» Co-fundadora da Mostra Internacional de Cinema «FRONTEIRAS» Voluntariado para a área da comunicação em IPSS's

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