«Ainda estamos no início da representatividade dos cidadãos na UE», dizem os jovens

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No passado dia 30 de Maio a Escola Secundária de Tavira, Dr. Jorge Correia, acolheu o primeiro de três grandes eventos dos Centros Europe Direct do Algarve e de Huelva, com trabalhos em português e espanhol, que pretendem colocar os cidadãos da fronteira do Guadiana à conversa face à proximidade das eleições europeias em 2019. Foi uma oportunidade de ouvir, refletir, bem como opinar sobre a razão de ser da Europa e as conquistas dos últimos 10 anos

De referir que no total vão ser realizados 10 eventos transfronteiriços nas fronteira da União Europeia (UE). Trata-se de uma iniciativa da Direção-Geral da Comunicação da Comissão Europeia com as representações nacionais e os Centros Europe Direct de Fronteira. O objetivo é a formacão de uma verdadeira opinião pública europeia.

Na sessão de dia 30 de Maio o público da sessão de Tavira foi constituído por estudantes, denominados de new voters, bem como por representantes das mais variadas organizacões públicas e privadas (ver abaixo)  que ao longo de uma manhã tiveram a oportunidade de realizar diversas atividades e discutir o presente e futuro desta desta União que nasce em 1957 para preservar a Paz no continente.

New Voters: As dúvidas e as expetativas

De referir que foi notório nesta sessão que os jovens estão com muitas dúvidas, mas também com elevada expectativa face à UE e denotaram uma grande preocupação com a política externa desta instituição, criticando o facto de haver mais uma união económica do que política. Os jovens consideraram, inclusive, que ainda estamos a dar os primeiros passos no que diz respeito à união política. Para estes é determinante, para um aumento da representatividade dos cidadãos, que haja uma maior informação acerca do que é a UE, como funciona, que peso real têm os cidadãos nesta união. E no que diz respeito a essa informação é também de salientar que da parte dos mais novos há uma grande reticência em relação à informação que é veiculada pelos media. E se a pergunta passa por saber quais as fontes de informação que consideram credíveis a resposta conta-nos que segundo os estudantes a solução é pesquisar muito, mas mesmo muito, no mundo digital ligações que abordem a temática, sendo o cruzamento de informação determinante para um real conhecimento. Para além disso referiram, igualmente, que caso não optem por uma pesquisa autónoma a informação sobre a União Europeia não chega em tempo útil. Considerando que esta informação “chega tarde”, salientaram, ainda, a importância de mecanismos locais e regionais que façam a ponte com Bruxelas.

Jovens foram convidados a debater questões-chave e num «silence floor» analisaram as opiniões partilhadas

Sessão trabalhou na disseminação do conhecimento sobre a UE

Em Tavira  foram levadas a cabo diversas dinâmicas que paulatinamente permitiram à assistência juvenil ir assumindo um conjunto de conceitos e conhecimento para que a sessão contribuísse para esclarecimentos vários no que diz respeito ao passado, presente e futuro da UE. Foi intensa a dinâmica realizada ao serem criados grupos que abordaram questões-chave, tendo-se chegado a inúmeras conclusões. De referir que esses grupos contaram com facilitadores, ou seja, profissionais que atuam em diversas áreas. Aos jovens não restam dúvidas que a união entre os países facilita a resolução de problemas, mas quando se lhes questiona qual a opinião sobre se «a União Europeia deve / não deve ter mais poderes na política externa, a política social e de tributação (deliberando por maioria e não por unanimidade)» as reticências ainda são grandes. Ou seja, os jovens consideram que esta resposta será mais fácil de dar [em defesa da maioria] caso o sentimento de cidadão europeu cresça em cada um de nós. Reside, em suma, no aumento da credibilidade do projeto europeu essa assumpção de deliberação maioritária em detrimento da deliberação por unanimidade. Por outro lado, as políticas externas e a tributação são áreas que os jovens consideram que deveriam funcionar, inteiramente, num modelo comum. Reeducar os cidadãos para a importância da política também foi uma das ideias-chave que os jovens transmitiram. Só uma real união a todos os níveis permitirá resolver desde os mais simples aos mais complexos problemas que afetam a União Europeia. Obviamente que o fenómeno dos migrantes teria de estar em destaque nas diversas considerações feitas. Os jovens acreditam que a resolução deste problema passa por uma forte coesão política entre os países-membros, apelando ao diálogo e à Paz.

Um dos pontos altos da sessão foi aquele em que os jovens portugueses e espanhóis deram a conhecer a sua opinião sobre a União Europeia, e de acordo com questões-chave, a toda a assistência

As conclusões do Rapporteur

No que diz respeito à dinâmica de trabalho dividido em grupo que colocou os participantes frente a questões-chave quando se debate o futuro da UE é importante referir que no total foram trabalhadas três questões (ver abaixo). Cada questão contou com a ajuda de um facilitador que a esclareceu perante o grupo e estimulou ao diálogo e ao elenco de conclusões. Posteriormente coube a João Faria da Representação da Comissão Europeia em Portugal, e que teve o papel de rapporteur nesta sessão do passado dia 30 de Maio em Tavira, reunir todas as conclusões que durante a manhã foram apresentadas pelo porta-voz de cada grupo.

João Faria, da Representação da Comissão Europeia em Portugal, levou a cabo a apresentação de uma comunicação e realizou o papel de rapporteur desta sessão.

João Faria: «É claro que nem todos concordaram, mas é possível, no entanto, identificar as visões dominantes sobre cada questão. O resumo é o seguinte:
Pergunta 1: A UE deve ter mais poderes em matéria de política externa, política social e política orçamental?
Política Externa: A maioria tende a concordar, já que os poderes crescentes da UE são vistos como a única opção para projetar os valores europeus (ou seja, os direitos humanos) na arena mundial.
Política Social: Embora a maioria sublinhe a necessidade de mais justiça social, o aumento dos poderes da UE nesta área não é visto como uma prioridade.
No que diz respeito à educação – discutida por alguns grupos no âmbito da rubrica política social – muitos grupos sublinharam a necessidade de uma maior cooperação entre os Estados-Membros, levando a uma abordagem comum sobre alguns temas e promovendo um sentimento de cidadania europeia.
Política Fiscal: Mais justiça foi a demanda mais comum. Não necessariamente levando a políticas fiscais harmonizadas, mas garantindo que pelo menos valores máximos e mínimos (taxas) sejam aceitos e garantam uma concorrência justa.

Pergunta 2: Num mundo globalizado, os membros da UE só podem enfrentar os desafios?
Foi amplamente reconhecido que os Estados-Membros devem permanecer unidos para fazer ouvir a sua voz, respeitando as diferenças culturais, mas promovendo o diálogo.
Em áreas como a defesa do meio ambiente, onde o que está em jogo é global, a ação conjunta é vista como a única opção viável. O mesmo se aplica à cooperação militar.
A globalização é vista como tendo mais vantagens do que desvantagens, mas também que mais tem que ser feito no nível local para minimizar seus efeitos negativos.
Para países como Portugal e Espanha, onde o turismo desempenha um papel crucial, a abertura é vista como vital.

Pergunta 3: A UE progrediu no que respeita à representação democrática dos cidadãos? Ou apenas os estados estão representados?
Foi geralmente reconhecido que a representação democrática dos cidadãos na UE melhorou – e é percebida como tal – mas também isso ainda está por fazer.
A educação para a cidadania – principalmente nas escolas, não apenas nos currículos formais, mas também em atividades complementares – é vista como uma prioridade.
As eleições do PE em 2019 são vistas como uma oportunidade a não perder.

Centros Europe Direct do Algarve e de Huelva: à conversa sobre as Eleições Europeias

Da parte dos Centros Europe Direct de Faro e Huelva houve todo um envolvimento na organização e execução do evento

Em maio de 2019 [23 a 25] vão realizar-se eleições para o Parlamento Europeu em toda a União Europeia, dando a oportunidade a todos os cidadãos da UE de eleger os seus representantes para os próximos 5 anos. A convite da Comissão Europeia, o Centro Europe Direct Algarve, hospedado na CCDR Algarve e o Centro de Informação Europeia da Diputación de Huelva (Europe Direct Huelva) vão realizar três dos 10 eventos transfronteiriços, a acontecer um pouco por todas as fronteiras dentro da EU, até março de 2019.

Projeto-piloto vai estar na fronteira até 2019

Este projecto-Piloto, financiado pela Comissão Europeia, destina-se a um grupo transnacional de cidadãos do Algarve, em Portugal e da Província de Huelva, em Espanha. Os participantes serão informados sobre o estado atual da União Europeia e terão ocasião de discutir as possíveis opções para o seu futuro, moldado necessariamente pelo resultado das eleições europeias de 2019. «Estes cidadãos hão-de olhar para a política da UE da mesma forma que olham para as políticas nacionais, onde as linhas de separação não dependem do lugar de origem do cidadão, mas do teor das suas decisões e dos valores que defende», pode ler-se no comunicado oficial.

«A Europa já não é uma opção; é o quadro em que as nossas vidas se movem»

Para além dos new voters a plateia preencheu-se de representantes de diversas entidades da fronteira do Guadiana que une Portugal e Espanha

A União Europeia é uma realidade que influencia de várias formas a nossa qualidade de vida. Nesse sentido, a Europa já não é uma opção. É o quadro em que as nossas vidas se movem. Torna-se então absolutamente necessário compreender os canais democráticos através dos quais os cidadãos podem dar “cor e forma” às políticas e decisões que vêm de Bruxelas, como é o caso do nosso voto nas eleições europeias. É necessária uma opinião pública europeia que esteja ciente das questões europeias e possa debater publicamente ideias sobre o futuro da Europa. A participação dos territórios: instituições, associações, grupos de cidadãos, representantes públicos, new voters, comunicação social, cidadãos em geral, é essencial no que se refere ao exercício da cidadania, para que cada um compreenda o valor da sua participação nas eleições europeias, para que se decida em conjunto o futuro da Europa.

Por último, a sessão de 30 de Maio contou a participação de diversos convidados de instituições de um lado e outro da fronteira: Centro Europe Direct Huelva, Universidade Huelva, Diputación de Huelva, Instituto Andaluz de la Juventud de Huelva/Junta de Andalucía, Representación de la Comisión Europea en España, ETIC, Universidade de Algarve, NERA, CCViva Algarve,  EEN – Entreprise Europe Network, IEFP/Rede EURES, IEFP/EURES T, Associação ODIANA, CCDR Algarve, Centro Europe Direct Algarve, Escola Secundária de Tavira, APA – ARH Algarve, Jornal do Baixo Guadiana, Rádio Gilão, Câmara Municipal Tavira, Associação Liláz, Cooperativa ECOS, Eurocidade do Guadiana, DGESTE-DSRAL e a Representação da Comissão Europeia.

#EuPublicOpinion #FutureOfEurope #EuHaveYourSay #EuropeInMyRegion #Europedirect #DiscoverEU

Conheça quais os eventos que estão programados para a fronteira e que sucedem ao evento de Tavira:

25 Outubro 2018: El Granado
Os desafios e as opções que se perfilam para o futuro da Europa.
14 Fevereiro 2019: Vila Real e San Silvestre.

Algumas imagens da sessão em Tavira:

 

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Susana Helena De Sousa
Formação Superior em Jornalismo (Carteira Profissional 9621): Especialização em Imprensa Escrita pelo Centro Nacional de Formação de Jornalistas (CENJOR) Formação media pela Representação da Comissão Europeia em Portugal Experiência em Jornalismo: Rádio (Voz D'Almada, PAL FM, Guadiana FM), Televisão (TVI, AXN, RTP, Canal História) e Imprensa Escrita (Jornal de Setúbal, Semanário O Algarve, Jornal i, Jornal do Baixo Guadiana); Tese de Licenciatura Bi-Etápica: «Serviço Público de Televisão», (publicação com entrevista a Carlos Pinto Coelho) Co-produção, realização e apresentação do programa de Rádio «Se Dúvidas Existem...», do Núcleo de Estudos e Intervenção Psicolõgica de VRSA Co-produção, realização e apresentação do programa «Viver Aqui», do Núcleo de Imigração da Cruz Vermelha Portuguesa de VRSA para o Alto Comissariado para o Diálogo Intercultural Assistente de Realização para Televisão Produtora para Televisão Escrita para Reportagens Televisivas Escrita de Documentário para TV «O Contrabando no Baixo Guadiana» Escrita do texto filme documental «Um Dia na Santa Casa», de Eduardo Soares Pinto Formação Avançada em Dança Contemporânea (CIRL) Formação Inicial em Teatro (TAS, Teatro O Elefante) Formação Inicial Interpretação para Televisão (Aloysio Filho pela ACT) Participação em antologia poética «5.50» (Poetas do Guadiana) Escrita de prefácio para obra editada (Os Poetas do Guadiana nos meios de comunicação social) e outra obra inédita Autora convidada do livro de contos «Ruas» de Pedro Oliveira Tavares e João Miguel Pereira Revisão de Livro de Contos inédito de Mouji Soares Curandoria de exposição de fotografia de Eduardo Soares Pinto, Espanha Co-organização da exposição internacional de arte «Minha Fukushima» na Eurocidade do Guadiana, da Peace and Art Society Organização da Exposição «Aline´s Project» em VRSA, da Peace and Art Society Apresentação de Galas Moderação de Debates e Tertúlias Apresentação de Livros Organização de eventos Co-fundadora do Eco&Design Hotel «Monte do Malhão» Co-fundadora da Mostra Internacional de Cinema «FRONTEIRAS» Voluntariado para a área da comunicação em IPSS's

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