Autoridades preparadas para o Verão. Proteção Civil e Autoridade Marítima em tertúlia no Baixo Guadiana

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(Créditos: Carmo Costa). O capitão do Porto de VRSA Pedro Palma (à esq.ª) e o Comandante Distrital da Proteção Civil, Vaz Pinto. Participou nesta tertúlia a presidente da câmara Municipal de VRSA.

A Autoridade Marítima e a Autoridade de Proteção Civil marcaram presença na tertúlia do Jornal do Baixo Guadiana, organizada pelo Jornal do Baixo Guadiana e a Biblioteca Municipal Vicente Campinas, em Vila Real de Santo António, e que na passada quinta-feira debateu o «Verão Seguro: Praia e Floresta». Tanto da parte de uma entidade como de outra não restam dúvidas que a região do Algarve está preparada para fazer face a um Verão que triplica a sua população, tendo a tónica deste encontro focado a época balnear e a época de incêndios.

Não restam dúvidas ao comandante do porto de Vila Real de Santo António, Pedro Palma. e ao comandante operacional distrital da Proteção Civil, Vaz Pinto, que a região tem os meios necessários para fazer face ao aumento significativo da população e aos riscos associados ao Verão, mas também recordaram “o importante papel da sociedade civil que tem de estar informada, cumprir as regras e colaborar com as entidades”.

Pedro Palma referiu desde logo que os maiores comportamentos de risco vêm da parte dos estrangeiros que protagonizam acidentes por falta de uma cultura de respeito pelas regras nas zonas balneares,vigiadas sublinhando que “ao fazê-lo colocam a sua vida e a dos outros, nomeadamente dos nadadores-salvadores, em risco”. Este comandante alertou para o pico de verão que chega a levar para o areal como Monte Gordo cerca 18 mil pessoas, denunciando um Algarve lotado e onde as situações de risco aumentam exponencialmente. “As autoridades, obviamente, não podem prever os acidentes, nem ter um nadador-salvador por cada banhista, mas trabalhamos no sentido da prevenção e atuação rápida e eficaz”.

Praia de Monte Gordo: obras não colocam em causa a segurança, mas aborrecem os turistas

Monte Gordo esteve também em foco pelo facto de ter em obras a frente de mar. O comandante Pedro Palma realçou que “os acessos e meios de segurança não foram colocados em causa com esta requalificação”, tendo a presidente da câmara municipal de VRSA, Conceição Cabrita, mostrado o seu desagrado face ao atraso das obras, explicando que deve-se a um problema de empreitada “ao qual a câmara municipal é alheia”. A autarca garantiu que “a praia ficou mais acessível a todos os níveis” e que “mais de metade dos apoios de praia vão estar preparados para esta época balnear”.

De referir que no Baixo Guadiana há mais linha de costa concessionada este ano, com a abertura da praia Verdelago em Altura, Castro Marim. O comandante do porto salientou a importância “para um aumento das áreas vigiadas face ao aumento da procura turística desta zona”. Pedro Palma garante que os meios de prevenção e salvamento estão operacionais e que “os números falam por si”. De referir que em 2017 não se registou nenhuma morte por afogamento nas praias na área sob a sua jurisdição.

Proteção Civil garante “melhorias consideráveis” desde 2012

O comandante operacional distrital da Proteção Civil, Vaz Pinto, que não teve dúvidas em afirmar que “o Algarve tem o dispositivo e os meios para fazer face à época de incêndios”, que se agudiza a partir de Julho. Este responsável garantiu, ainda, que o Algarve está “desde 2012 muito melhor no que diz respeito à resposta operacional contra incêndios”, afirmando que a evolução nesta área deveu-se “ao muito que se aprendeu com os incêndios daquela ano [2012] e a supressão das lacunas identificadas na altura”. Através da explicação do funcionamento do Dispositivo de Combate a Incêndios este responsável regional lembrou que “99% dos fogos são extintos na sua fase inicial, mas há 1% deles que não o sendo pode ganhar uma enorme dimensão que potencialmente coloca em causa o trabalho de uma década…”.

Já no que diz respeito à mudança registada a nível nacional face à tragédia dos incêndios em Portugal em 2017, o comandante Vaz Pinto admite que esta tragédia fez alterar as mentalidades e garantiu que “hoje as pessoas esrão muito mais alerta porque, mais do que as coimas que estão em causa, temem, efetivamente, pela própria vida”.

O comandante Vaz Pinto afirmou, ainda, que tem a sua tarefa facilitada, graças “ao excelente trabalho dos comandantes das diversas corporações, bem como à rede constituída entre todas as autoridades de segurança e demais entidades”.

De referir que a 24 de Maio de 2018 foi apresentado o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) definido para a região do Algarve, consensualmente assumido por todas as entidades que concorrem para a defesa da Floresta contra incêndios, tendo este dispositivo sido ajustado à evolução da perigosidade. Dentre as alterações significativas para 2018 econtramos o aumento de três equipas de intervenção permanente em Alcoutim, Monchique e Portimão; mais equipas de combate a incêndios florestais e equipas logísticas de apoio ao combate, permanência de dois helícopetros ligeiros de ATI, acréscimo de uma equipa de militares do exército a executar ações de vigilância, nomeadamente no Baixo Guadiana, em Alcoutim, abertura antecipada dos postos de vigia da rede primária e mais um Grupo de Combate a Incêndios Florestais sempre que a região tenha declarado o esatdo de alerta especial de nível laranja ou superior.

Alerta: População envelhecida e dispersa do Baixo Guadiana 

A melhor forma de combater os acidentes é evitando-os sempre que tal possibilidade estiver ao alcance de cada um, uma realidade que é válida tanto para terra como para mar.

Na tertúlia estiveram presentes os comandantes das corporações de bombeiros de Vila Real de Santo António (que também serve Castro Marim) e de Alcoutim, bem como os responsáveis dos serviços municipais da Proteção Civil dos três concelhos. A opinião é unânime no que diz respeito aos fogos: a população está mais sensibilizada, mas o Baixo Guadiana é uma área bastante vulnerável pela área rural despovoada e envelhecida, bem como pela área florestal existente.

Nuno Pereira, comandante dos Bombeiros Voluntários de VRSA garante que “existe muito maior sensibilização da população e há cada vez mais a preocupação das pessoas ao ligar para os bombeiros quando decidem fazer as queimas ou queimadas tão habituais nesta zona”.

Da parte da proteção civil de Castro Marim, o responsável Vítor Rosa espelha a mesma realidade, mas refere ainda que a equipa de proteção civil que “está agora a ser constituída será determinante num acompanhamento no terreno da realidade do concelho” e destacou a importância das limpezas dos terrenos para prevenir os incêndio.

Contudo, o comandante operacional deste serviço municipal explica que no diz respeito à Mata nacional das Terras da Ordem o trabalho de prevenção está parado porque estão a aguardar os resultados do Concurso Nacional para a criação das faixas primárias de gestão de combustível. “Não podemos avançar com qualquer intervenção porque temos de ser legitimados por uma autoridade, que neste caso é o ICNF [Instituto Nacional de Conservação da Natureza e Florestas], uma vez que ao realizarmos os trabalhos vamos intervir em propriedades privadas”, contextualiza Vítor Rosa. Ou seja, enquanto o ICNF não der a conhecer os resultados do concurso a câmara municipal de Castro Marim não pode avançar com a contratação dos serviços e, entretanto, o pico da potencial época de incêndios inicia-se a 1 de Julho. De acordo com Vítor Rosa a candidatura de Castro Marim foi submetida no primeiro trimestre de 2018. O Jornal do Baixo Guadiana tentou obter esclarecimentos do ICNF sobre este concurso, mas até ao fecho desta notícia não nos foi dada a conhecer a razão para a falta de resultados do concurso relativamente a Castro Marim.

Ainda em Castro Marim, mas no que diz respeito a «banhos», Vítor Rosa deixou um alerta na tertúlia que respeita aos “arriscados e perigosos banhos dados por muitas pessoas na barragem de Odeleite, uma área que não tem qualquer vigilância”, mas que preocupa bastante o gabinete municipal de proteção civil. A solução para esta área, referiu o responsável, passaria pela criação de uma praia fluvial naquela área. Projeto que tem estado envolto em polémica com o executivo municipal a apresentar e a oposição a rejeitar por não concordar com o desenho elaborado naquele âmbito.

Alcoutim está a criar «Faixa de Interrupção de Combustíveis»

Já da parte de Alcoutim, tanto o comandante dos Bombeiros Voluntários, Eurico Vicente,  como o responsável da proteção civil, João Simões, as preocupações residem na zona florestal e numa extensa área rural cuja a prevenção no que toca à população “é feita há 20 anos com muitos bons resultados”, sublinharam estes responsáveis.

Por aqui já está no terreno a criação da faixa de interrupção de combustíveis ao longo de toda a EN124, começando no cruzamento de Tacões e terminando na localidade de Cortes Serranos. João Simões explica que, obrigatoriamente, esta faixa tem de estar finalizada até ao final de Junho. “No terreno estão três empresas contratadas pelo município ao abrigo do concurso do ICNF e os trabalhos estão a decorrer com normalidade”, afiança.

Mata de VRSA: mantida pela equipa de sapadores florestais

De destacar que a Mata dunar de Vila Real de Santo António é “mantida pela equipa de sapadores municipais de VRSA”. Segundo o comandante municipal Eduardo Bonança “trata-se de uma área cuja propriedade é do ICNF, mas cuja manutenção tem sido feita pela equipa municipal, umas vezes com verbas e outras sem; contudo, sendo uma zona de grande preocupação como potencial foco de incêndio que é”. Tal como nos explicou este comandante operacional municipal, “o facto de esta mata ser espaço de eleição de muitos desportistas ajuda bastante no que diz respeito aos alertas que as pessoas dão quando algo de anormal se passa”.

 

 

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Susana Helena De Sousa
Formação Superior em Jornalismo (Carteira Profissional 9621): Especialização em Imprensa Escrita pelo Centro Nacional de Formação de Jornalistas (CENJOR) Formação media pela Representação da Comissão Europeia em Portugal Experiência em Jornalismo: Rádio (Voz D'Almada, PAL FM, Guadiana FM), Televisão (TVI, AXN, RTP, Canal História) e Imprensa Escrita (Jornal de Setúbal, Semanário O Algarve, Jornal i, Jornal do Baixo Guadiana); Tese de Licenciatura Bi-Etápica: «Serviço Público de Televisão», (publicação com entrevista a Carlos Pinto Coelho) Co-produção, realização e apresentação do programa de Rádio «Se Dúvidas Existem...», do Núcleo de Estudos e Intervenção Psicolõgica de VRSA Co-produção, realização e apresentação do programa «Viver Aqui», do Núcleo de Imigração da Cruz Vermelha Portuguesa de VRSA para o Alto Comissariado para o Diálogo Intercultural Assistente de Realização para Televisão Produtora para Televisão Escrita para Reportagens Televisivas Escrita de Documentário para TV «O Contrabando no Baixo Guadiana» Escrita do texto filme documental «Um Dia na Santa Casa», de Eduardo Soares Pinto Formação Avançada em Dança Contemporânea (CIRL) Formação Inicial em Teatro (TAS, Teatro O Elefante) Formação Inicial Interpretação para Televisão (Aloysio Filho pela ACT) Participação em antologia poética «5.50» (Poetas do Guadiana) Escrita de prefácio para obra editada (Os Poetas do Guadiana nos meios de comunicação social) e outra obra inédita Autora convidada do livro de contos «Ruas» de Pedro Oliveira Tavares e João Miguel Pereira Revisão de Livro de Contos inédito de Mouji Soares Curandoria de exposição de fotografia de Eduardo Soares Pinto, Espanha Co-organização da exposição internacional de arte «Minha Fukushima» na Eurocidade do Guadiana, da Peace and Art Society Organização da Exposição «Aline´s Project» em VRSA, da Peace and Art Society Apresentação de Galas Moderação de Debates e Tertúlias Apresentação de Livros Organização de eventos Co-fundadora do Eco&Design Hotel «Monte do Malhão» Co-fundadora da Mostra Internacional de Cinema «FRONTEIRAS» Voluntariado para a área da comunicação em IPSS's

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