Jovem de Alcoutim em destaque na ciência a nível nacional

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Jovem Elias Palma com os professores Luís Neves (esq.ª) e Paulo Silva (à d.ta). Projeto «Eco Control» valeu-lhe menção honrosa de exigente júri.

O Jovem Elias Palma, estudante finalista do Curso Profissional de Mecatrónica Automóvel da Secundária do Agrupamento de Escolas de Vila Real de Santo António,  rendeu o exigente júri da XII Mostra Nacional da Ciência que decorreu na Alfândega do Porto. Até aquela Mostra levou o projeto «Eco Control», coordenado pelo Professor Paulo Silva na área de Ciências do Ambiente. Com uma ambiciosa preocupação ambiental Elias pretendeu criar um mecanismo que fosse a solução para o grave problema da falta de água no planeta Terra. Da cabeça deste jovem alcoutenejo de 18 anos saiu um contador que envia os dados na hora para uma aplicação que permite ao utilizador da água perceber a quantidade que utiliza deste recurso limitado seja quando toma banho, lava as mãos, lava a loiça, entre outros momentos do quotidiano.

Sair de lá com uma menção honrosa “é feito notável”, salientou ao Jornal do Baixo Guadiana o professor Luís Neves, de Economia e responsável por incutir no jovem a vontade de participar e de desempenhar o melhor papel nesta competição que começou com o Concurso Nacional de Jovens Cientistas. O docente que desde que há dois anos lecciona em VRSA, e tem coordenado a participação de alunos com vários projetos em concursos regionais e nacionais, incute com muito entusiasmo nos alunos a vontade para participarem nestas competições que aliás conhece bem e onde tem levado inúmeros alunos das escolas onde tem passado.

“A força que o professor Luís Neves deu foi determinante”, assume o jovem estudante e, quem sabe, futuro engenheiro que alia aos seus projetos causas de extrema importância e atualidade, bem como, tal como aprendeu com o docente de economia, tem em conta o mercado-alvo e a sustentabilidade financeira. De referir que a ideia deste projeto surgiu em Setembro/Outubro do ano passado quando se antecipava, ao contrário do que veio a acontecer, uma seca extrema no país. “Sabemos que a seca é um fenómeno que não está fora de possibilidade de acontecer e as preocupações ambientais são determinantes para a prevenção”, sublinhou o jovem com o seu projeto.

“Não é usual encontramos jovens com as preocupações ambientais e as noções complexas que o Elias demonstrou nesta área”, testemunha, por sua vez, Paulo Silva. Já Luís Neves atesta a “grande competência deste jovem para a comunicação e empreendedorismo”. É que um mês antes de ir ao Porto Elias tinha falado para uma plateia de cerca de 150 pessoas numa outra competição com outro projeto e a sua performance “foi notável e diferenciadora”, elogiam em uníssono os docentes que o têm acompanhado neste percurso.

Escola de «amanhã»: muito prática e promotora de um conhecimento «mais à medida»

E se ao contactarmos com Elias Palma ficamos a saber que decidiu seguir um Curso Profissional por considerar que “não tinha capacidades para seguir um curso de Científico-Humanísticas” percebemos também o quão errado estava ao pensar desta forma porque tal como atesta o diretor do Agrupamento de Escolas de VRSA, Vítor Junqueira, “infelizmente, o que existe ainda é um preconceito de encarregados de educação e alunos relativamente aos cursos mais profissionalizantes quando a escola do futuro será, precisamente, mais prática e envolta em projetos multidisciplinares onde os alunos adquirem os seus próprios conhecimentos e os professores interagem na criação da estrutura do aluno”. Segundo o responsável a mentalidade está a mudar, pois se atentarmos às estatísticas deste agrupamento cerca de 50% dos alunos já prefere um currículo que esteja na lista de Cursos Profissionais. Por aqui as opções são variadas num leque de 15 cursos.

Para a direção desta escola não restam dúvidas quanto “à importante aquisição de competências por parte destes alunos ao integrar competições, criando projetos a partir da multidisciplinariedade”. Vítor Junqueira demonstra estar, claramente, de olhos postos no futuro e acredita que nas próximas décadas as alterações serão profundas e a autonomia do conhecimento será premissa de alunos e professores.

Nesta Mostra Nacional da Ciência o agrupamento de Escolas de VRSA foi o único a representar o Algarve e o jovem a destacar-se a nível nacional vive em Alcoutim. “Talvez muitos dos alunos não tenham noção do esforço que jovens como o Elias fazem para estar na escola às 08h”, sendo que Elias ali ao lado nos contou que diariamente levanta-se às 06h da manhã. Mas também nos diz que “quem tem pouco tempo aproveita-o melhor do que quem tem muito”, afirmando-se orgulhoso pelo percurso percorrido apesar da distância de casa à escola.

Ir a estes concursos, para além da disponibilidade de tempo, representa disponibilidade financeira, já que “não é possível para a escola suportar todas as despesas”. Uma realidade que a direção gostaria de ver alterada face à importância que atribui a estes eventos no percurso escolar pela dinâmica de aprendizagem que incutem.

Por seu turno, Elias Palma tem a forte convição que “nada será como dantes”. As competências que adquiriu na concepção e apresentação do seu projeto “servirão e muito” para o seu futuro quer estejamos a falar do ensino superior ou do mercado de trabalho.

De referir que ao Concurso Nacional de Jovens Cientistas este agrupamento submeteu mais  três projetos; que não vingaram, mas não desistiram, quer nas áreas das ciências sociais, ambiente e informática. “O objetivo é que sendo projetos que consideramos elegíveis que sejam melhorados para que para o ano possam ser submetidos de forma mais maturada”, antecipa expectante o professor Luís Neves.

Escola do Futuro «está à porta»

O agrupamento de escolas de VRSA está a chegar e a vencer em concursos nacionais diversos, sendo que em próximas notícias vamos dar conta disso mesmo. Para Vítor Junqueira, o diretor, é uma “honra e um momento de satisfação enorme ter alunos com estas competências tão exigentes”. Uma consideração que alia a outra não menos exemplificativa da realidade. “A escola tem de se preparar para o futuro e seguir a linha de conhecimento que vai ser uma realidade bastante diferente daquela que temos até aqui”. Expectante e confiante no Projeto de Autonomia e Flexibilidade Curricular que vai entrar em vigor em 2018/2019 [para 1.º 5.º, 7.º e 10.º anos] acredita que a mudança será feita de forma estruturada e numa preparação clara dos jovens para a seleção do conhecimento e especialização.

A Mostra Nacional de Ciência é uma organização da Fundação da Juventude desde 2006, com o apoio da Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, entidade responsável pela escolha do júri que avaliou os trabalhos expostos, escolhidos durante a 26.ª edição do Concurso de Jovens Cientistas.

De referir que o projeto vencedor desta Mostra foi um bioplástico sustentável, desenvolvido por estudantes de Ovar com recurso a borras de café, folhas secas, bolotas e cascas de tremoço.

As imagens da XII Mostra Nacional da Ciência estão disponíveis aqui.

 

Os projetos apresentados na Mostra Nacional da Ciência foram muito diversos e colheram grande atenção do público presente.
A Alfândega do Porto recebeu inúmeros projetos que saíram do 26.º Concurso Jovens Cientistas
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Susana Helena De Sousa
Formação Superior em Jornalismo (Carteira Profissional 9621): Especialização em Imprensa Escrita pelo Centro Nacional de Formação de Jornalistas (CENJOR) Formação media pela Representação da Comissão Europeia em Portugal Experiência em Jornalismo: Rádio (Voz D'Almada, PAL FM, Guadiana FM), Televisão (TVI, AXN, RTP, Canal História) e Imprensa Escrita (Jornal de Setúbal, Semanário O Algarve, Jornal i, Jornal do Baixo Guadiana); Tese de Licenciatura Bi-Etápica: «Serviço Público de Televisão», (publicação com entrevista a Carlos Pinto Coelho) Co-produção, realização e apresentação do programa de Rádio «Se Dúvidas Existem...», do Núcleo de Estudos e Intervenção Psicolõgica de VRSA Co-produção, realização e apresentação do programa «Viver Aqui», do Núcleo de Imigração da Cruz Vermelha Portuguesa de VRSA para o Alto Comissariado para o Diálogo Intercultural Assistente de Realização para Televisão Produtora para Televisão Escrita para Reportagens Televisivas Escrita de Documentário para TV «O Contrabando no Baixo Guadiana» Escrita do texto filme documental «Um Dia na Santa Casa», de Eduardo Soares Pinto Formação Avançada em Dança Contemporânea (CIRL) Formação Inicial em Teatro (TAS, Teatro O Elefante) Formação Inicial Interpretação para Televisão (Aloysio Filho pela ACT) Participação em antologia poética «5.50» (Poetas do Guadiana) Escrita de prefácio para obra editada (Os Poetas do Guadiana nos meios de comunicação social) e outra obra inédita Autora convidada do livro de contos «Ruas» de Pedro Oliveira Tavares e João Miguel Pereira Revisão de Livro de Contos inédito de Mouji Soares Curandoria de exposição de fotografia de Eduardo Soares Pinto, Espanha Co-organização da exposição internacional de arte «Minha Fukushima» na Eurocidade do Guadiana, da Peace and Art Society Organização da Exposição «Aline´s Project» em VRSA, da Peace and Art Society Apresentação de Galas Moderação de Debates e Tertúlias Apresentação de Livros Organização de eventos Co-fundadora do Eco&Design Hotel «Monte do Malhão» Co-fundadora da Mostra Internacional de Cinema «FRONTEIRAS» Voluntariado para a área da comunicação em IPSS's

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