Gastronomia, Algarve Cooking Vacations, Cultura e Turismo Criativo

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A gastronomia é parte integrante da experiência cultural.

Em 7 de Julho de 2000, o Conselho de Ministros aprovou uma resolução que propunha o reconhecimento da gastronomia como “bem imaterial integrante do património cultural de Portugal”. Na altura estiveram envolvidos os Ministérios da Economia, Cultura e Agricultura e propunham várias medidas, entre as quais: o levantamento do receituário tradicional português; a criação de uma base de dados de receitas e produtos tradicionais portugueses; a identificação dos requisitos que permitissem a certificação de receitas e produtos tradicionais portugueses; a criação de condições para a inventariação dos estabelecimentos de restauração e de bebidas existentes no País que incluíssem nas suas ementas, as receitas da cozinha tradicional portuguesa; a promoção interna e externa da gastronomia nacional associada ao turismo; a criação de concursos locais, regionais e nacionais de gastronomia; a promoção de novas receitas à base de produtos portugueses; o contributo para a melhoria da oferta turística nacional, pela remodelação de estabelecimentos (instalações e qualidade do serviço prestado).

A comida é de facto um recurso vital; pode ser uma forma de socialização e relaxe, mas também uma forma de conhecer os sabores e saberes dos outros. Para muitos é um verdadeiro ritual.

Ainda que a comida sempre tenha integrado a experiência de consumo do turista, muito recente a percepção de vantagem competitiva associada à gastronomia, assim como o estudo do fenómeno.

A cobertura pelos Media dos festivais e eventos que incluem comida é muito positiva. A gastronomia tem-se afirmado como um atrativo muito forte para os destinos turísticos e as experiências de turismo gastronómico e enológico são muito atrativos para os millenials (gerção Y ou a geração que nasceu depois dos anos 80 e da internet).

Tavira é desde de Dezembro de 2013, a comunidade representativa de Portugal na inscrição da Dieta Mediterrânica como Património Cultural Imaterial da UNESCO. A Dieta Mediterrânica é uma oportunidade, assim como a ênfase colocada crescentemente na promoção de estilos de vida saudáveis

Por sua vez, o Turismo Culinário é um produto muito popular – tendo deixado ser visto como mais uma experiência gourmet de um hotel de 5 estrelas. No Instagram os posts com fotografias sobre comida batem recordes. A internet e os social media constituem as fontes de informação principais.

Os workshops e aulas de cozinha estão entre as propostas mais bem sucedidas – levam os turistas a recolher os ingredientes, a confeccionar e depois a experimentar e a degustar.

Alguns estudos revelam tendências de crescimento para este segmento dos “turistas gastronómicos e culinários” e demonstram que no seu orçamento de viagem gastam cerca de 50% em alimentação, enquanto os demais turistas ficarão por 1/3 dos seus gastos. A este valor económico e comercial podemos acrescer o valor psicológico, da emoção e da satisfação que estas propostas geram em quem nos visita, mas sobretudo o valor cultural que tem associado, pois traduz-se na preservação e transmissão de conhecimento sobre práticas alimentares e estilos de vida, bem como culturas e técnicas produtivas.

Foi assim com grande entusiasmo que a semana passada partilhámos com o projeto “Algarve Cooking Vacations” (da Tertúlia Algarvia com financiamento do Turismo do Algarve e do CRESC2020) as nossas experiências no âmbito do Programa DiVaM da Direção Regional de Cultura do Algarve e aquelas que integram o Creatour.pt, que procura Desenvolver Destinos de Turismo Criativo em Cidades de Pequena Dimensão e em Áreas Rurais e que se traduz num projeto de investigação liderado pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, onde a Universidade do Algarve é uma das entidades parceiras através do CIEO – Centro de Investigação sobre o Espaço e as Organizações (financiado pelo COMPETE 2020 e pela Fundação para a Ciência e Tecnologia).

Como principais benefícios a gerar e objetivos a prosseguir neste âmbito deixamos algumas indicações: transmissão de conhecimento e saberes; criação de condições que permitam a continuidade do trabalho de recolha e investigação, e o retorno económico necessário que permita a sustentabilidade e o alargamento do mercado; melhorar as condições de vida para os produtores locais e melhores produtos; agenda de promoção integrada; ações de salvaguarda e valorização ao nível das técnicas, dos espaços de experimentação e do produto final.

Só desta forma podemos salvaguardar a diferenciação e a dimensão cultural que integra a gastronomia algarvia, e que são nossas raízes multiculturais.

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Alexandra Gonçalves
Diretora Regional de Cultura do Algarve desde 16 de Dezembro de 2013 Doutorada em Turismo pela Universidade de Évora (2013), Mestre em Gestão do Património Cultural pela Universidade do Algarve em colaboração com a Univ. de Paris-8 (2002) Pós Graduada em Direito do Património Cultural pela Faculdade de Direito, da Universidade de Lisboa (2017) Professora Adjunta da Escola de Gestão, Hotelaria e Turismo da Universidade do Algarve e investigadora do CIEO - Research Centre for Spatial and Organizational Dynamics da UALG Vereadora eleita da Câmara Municipal de Faro entre 2009 e 2012

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