Castro Marim: Formação de novos salineiros é “muito urgente”

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A economia do sal tradicional de Castro Marim esteve em destaque na tertúlia organizada pelo Jornal do Baixo Guadiana com a empresa municipal de Castro Marim Novbaesuris. Um tema ao qual vale sempre a pena voltar não fosse este um produto que se distingue pelas melhores razões. Tem séculos a história da produção do sal de Castro Marim, constituindo-se numa sabedoria ancestral. A crise a partir da década de 60 do século passado começou a ser travada há cerca de 6 anos a esta parte. Surgiu uma nova geração de salineiros e uma visão inovadora do aproveitamento deste recurso endógeno. As entidades locais e produtores lutaram pelo estatuto do sal como produto agroalimentar e conseguiram obtê-lo.

Atualmente 60% das salinas estão desativadas, sendo, ainda assim, um panorama mais otimista do que em 2011 quando o Jornal do Baixo Guadiana organizou com a associação de Geminação Castro Marim-Guérande um encontro dedicado à temática. Na altura a taxa de desativação ascendia aos 80%.

O reativar das salinas e o aumento da produção está associado a novos investidores que com eles trazem novas abordagens ao produto, semeando novos nichos de mercados e condimentando uma esperança maior sobre esta economia. “O sal artesanal de Castro Marim compete diretamente com o sal industrial”, recorda cauteloso Fernando Reis, empresário da empresa «Pedaços de Mar» e atualmente responsável pela reativação da Tradisal – a Associação de empresários de sal do sotavento. Apesar do caminho não ser fácil está a fazer-se o troço por um sêlo de qualidade garantida que a DOP [Denominação de Origem Protegida] e Fernando Reis fala já na “certificação biológica do sal”. Conta que se está “a trabalhar em articulação com a Federação Europeia de Produtores de Sal Marinho Artesanal nesta certifiação que é determinante para o nosso sal”. E sublinha que “se aliarmos a DOP ao reconhecimento em Bruxelas do nosso sal como um produto biológico teremos ouro sobre azul”, sublinha.

Cooperativa «Terras de Sal» luta pela agregação dos produtores

Castro Marim conta com uma cooperativa de sal artesanal, a Terras de Sal, que congrega a esmagadora maioria dos produtores. “O crescimento tem sido muito grande e diariamente há novos e potenciais empresários que pedem informaçãos sobre a rentabilidade da atividade, linhas de financiamento…”. Luís Rodrigues, diretor de operações da cooperativa diz que é “urgente apostar na nova formação dos salineiros” e falou da necessidade da cooperativa encontrar um terreno onde no futuro se possa instalar todos os setores da entidade que dirige. Atualmente a Terras de Sal divide-se fisicamente em três locais diferentes; “dois em Castro Marim onde estão os escritórios e área de embalamento e um terceiro em Vila Real de Santo António como armazém”. O crescimento desta cooperativa, premiada continuamente em certames agroalimentares, já não compadece com o espaços exíguos onde opera.

Empresários em crescendo e com destaque em vários nichos de mercado

Há novos empresários a apostarem na compra de salinas em Castro Marim para dali tirarem o melhor rendimento. E há os que têm levado o nome de Castro Marim bem longe e para os produtos mais variados. É o caso de Jorge Raiado reconhecido produtor de sal e, sobretudo, flor de sal que apostou desde o início na alta cozinha, tendo vista a sua Salmarim em destaque pelas melhores razões. Já foi reconhecido inúmeras vezes e garante que “apesar de haver um grande trabalho de sair daqui para mostrar a qualidade do produto o importante é que [nomeadamente os grandes chefs de cozinha] venham à Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António conhecer o local de origem deste sal maravilhoso”. Este empresário de sucesso aposta numa inovação constante desde a abordagem do produto, o que passa também pela imagem, mostrando-se disposto a desafiar as potencialidades deste recurso endógeno que conhece «como ninguém».

SPA salino criou boom de visitas na Reserva Natural

Um dos empresários presente na tertúlia foi Luís Horta-Correia da empresa Água-Mãe que revolucionou a imagem da Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e VRSA com a criação de um spa salino onde proporciona “experiências salinas desde os banhos nas salinas, a aplicação de argilas no corpo e as massagens com flor de sal”. À parte desta dinâmica produz sal, tendo sido, aliás, por aí que começou quando decidiu em prol desta economia deixar uma vida de consultor em Lisboa para se dedicar a uma atividade que o coloca na história da nova geração de salineiros de Castro Marim. “Tem de se gostar deste trabalho porque é muito duro, mas também temos de ter uma visão de futuro, reconhecendo o potencial e a qualidade ancestral do produto”, conferiu, lembrando que “o sal e flor de sal são muito bons em termos de produtos físicos e que aliados à história, à componente cultural, social, ambiental os tornam em produtos únicos”.

Vendas crescentes

Na tertúlia houve ainda espaço para conhecermos a realidade de Guérande (capital do sal em França) através de Jean Didier Gry impulsionador da geminação Castro Marim-Guérande. Aprofundámos a história milenar do sal com o técnico de património da empresa municipal Novbaesuris Pedro Pires. Ficámos a conhecer melhor o conteúdo do dossier que está a ser elaborado pela Novbaesuris e a associação QUALIFICA e a vice-presidente da câmara municipal de Castro Marim, Filomena Sintra, fez um relato sobre as competências que a edilidade tem executado enquanto administração local no âmbito da economia do sal, sendo que parte delas delegou na Novbaesuris, entidade do município no âmbito do setor empresarial do Estado. De referir que a Novbaesuris tem em diversas plataformas à venda o sal dos produtores de Castro Marim. Segundo os dados oficiais em 2016 as vendas de sal representaram os 18 mil euros, em 2017 os 23 mil euros e a previsão é de que aumentem as vendas em 2018, disse a presidente do Conselho de Administração da empresa Célia Brito.

Com esta tertúlia fica a convição que o sal artesanal de Castro Marim é um tema a que temos de voltar mais amiúde.

 

 

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Susana Helena De Sousa
Formação Superior em Jornalismo (Carteira Profissional 9621): Especialização em Imprensa Escrita pelo Centro Nacional de Formação de Jornalistas (CENJOR) Formação media pela Representação da Comissão Europeia em Portugal Experiência em Jornalismo: Rádio (Voz D'Almada, PAL FM, Guadiana FM), Televisão (TVI, AXN, RTP, Canal História) e Imprensa Escrita (Jornal de Setúbal, Semanário O Algarve, Jornal i, Jornal do Baixo Guadiana); Tese de Licenciatura Bi-Etápica: «Serviço Público de Televisão», (publicação com entrevista a Carlos Pinto Coelho) Co-produção, realização e apresentação do programa de Rádio «Se Dúvidas Existem...», do Núcleo de Estudos e Intervenção Psicolõgica de VRSA Co-produção, realização e apresentação do programa «Viver Aqui», do Núcleo de Imigração da Cruz Vermelha Portuguesa de VRSA para o Alto Comissariado para o Diálogo Intercultural Assistente de Realização para Televisão Produtora para Televisão Escrita para Reportagens Televisivas Escrita de Documentário para TV «O Contrabando no Baixo Guadiana» Escrita do texto filme documental «Um Dia na Santa Casa», de Eduardo Soares Pinto Formação Avançada em Dança Contemporânea (CIRL) Formação Inicial em Teatro (TAS, Teatro O Elefante) Formação Inicial Interpretação para Televisão (Aloysio Filho pela ACT) Participação em antologia poética «5.50» (Poetas do Guadiana) Escrita de prefácio para obra editada (Os Poetas do Guadiana nos meios de comunicação social) e outra obra inédita Autora convidada do livro de contos «Ruas» de Pedro Oliveira Tavares e João Miguel Pereira Revisão de Livro de Contos inédito de Mouji Soares Curandoria de exposição de fotografia de Eduardo Soares Pinto, Espanha Co-organização da exposição internacional de arte «Minha Fukushima» na Eurocidade do Guadiana, da Peace and Art Society Organização da Exposição «Aline´s Project» em VRSA, da Peace and Art Society Apresentação de Galas Moderação de Debates e Tertúlias Apresentação de Livros Organização de eventos Co-fundadora do Eco&Design Hotel «Monte do Malhão» Co-fundadora da Mostra Internacional de Cinema «FRONTEIRAS» Voluntariado para a área da comunicação em IPSS's

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