Num alerta contra a corrupção, Vasco Lourenço deixa (muitos) recados aos políticos

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(Esq.ª para D.ta) O «capitão de Abril» Vasco Lourenço acompanhado por João Caldeira Romão, presidente da Liga dos Amigos do Mestre Manuel Cabanas

O «capitão de Abril» Vasco Lourenço esteve em Vila Real de Santo António, no final da semana passada (27 de Abril), no âmbito das comemorações dos 44 anos do 25 de Abril, numa organização da Liga dos Amigos do Mestre Manuel Cabanas com o apoio do município de Vila Real de Santo António. A sessão, que teve lugar no Arquivo Histórico Municipal António Rosa Mendes, teve dois momentos distintos. Desde logo uma conferência e uma segunda parte em que a partilha deste capitão de Abril foi feita a partir das questões colocadas pelos presentes.

Vasco Lourenço começou por dizer que ao fim de 44 anos da «Revolução dos Cravos» está “profundamente orgulhoso, apesar dos retrocessos que a Democracia também já sofreu”. Lembrou que “Portugal está muito melhor do que era”, sem, contudo, deixar de apelar para que seja dada a continuidade, nomeadamente, ao processo de justiça social.

Defensor do Serviço Militar Obrigatório como “o último passo da formação de um jovem”, lamentou que “nos dias de hoje se viva muito mais uma vida virtual do que a realidade” e alertou para o facto desse fenómeno social estar “a prejudicar a construção da democracia que tem que viver de uma intensa cidadania ativa de todos”.

É preciso mais reivindicação para combater injustiças

Questionado pelo público Vasco Lourenço não teve dúvidas em afirmar que “não imaginava que o golpe militar proporcionasse mudanças tão positivas como aquelas que se verificaram mais à frente”. Mesmo assim, 44 anos depois “é preciso mais reivindicação para combater a injustiça social que ainda temos, e muita”, ressalva.

E se “os primeiros dois anos foram de bebedeira coletiva”, como ilustrou Vasco Lourenço referindo-se à euforia vivida no seio de uma sociedade portuguesa em exercício da liberdade, este capitão de Abril afirma-se como “sendo daqueles que sofreu uma grande deceção por não ter sido possível a interrelação entre a Democracia participativa e a Democracia representativa”, e que tanto defendeu.

Questionado se (afinal!) o «25 de Abril» não está por cumprir este herói de Abril lembrou que ” a revolução não surge como uma revolução popular, mas sim como um golpe dos militares e com objetivos políticos muito concretos”, ressalvando que, por outro lado, “o rumo que a nossa Democracia tomou é da responsabilidade de todos os cidadãos, não podendo ficar-se à espera que se cumpra por si só “. Ainda sublinhando sobre esta questão, colocada por diversas pessoas da assistência, Vasco Lourenço foi peremptório ao afirmar que “não era possível fazer outro 25 de Abril” já que “a grande deficiência da nossa democracia é a participação cívica, sublinhando, no entanto, que “os objetivos da revolução foram no essencial alcançados”.

Os partidos políticos falharam

O convidado da Liga dos Amigos do Mestre Manuel Cabanas é da opinião que “em grande medida os partidos políticos falharam”. Vasco Lourenço lembrou que no pós-revolução “foi necessário dar a devida força aos partidos”, mas quatro décadas depois, o retrato que este capitão de abril, assumidamente independente, faz não poderia ser muito mais negro. “Os partidos políticos transformaram-se em agências de emprego, de interesses e de poder”. E continuou, dizendo que “os grandes partidos políticos têm a agravante de representarem fações dentro dos próprios partidos…”. Não sendo “anti-partidos” assume que o seu “espaço ideológico está ocupado pelo Partido Socialista”. Contudo,  sublinhou que “se este [o Partido Socialista] está de acordo com a sua atuação devida, ou não, essa é outra questão”.

“A corrupção é o maior dos males da democracia portuguesa”; disso não tem dúvidas Vasco Lourenço que identifica este como um problema transversal dentro do poder político, acusando que “grande parte das autarquias se deixou invadir pela corrupção”. Lembrou que foi “o primeiro em Portugal a denunciar a corrupção política [1981]” e várias décadas depois das suas primeiras afirmações neste sentido volta a reafirmá-lo, denunciando que “a justiça habituou-nos a ser pouco independente”, contestando que “ainda hajam tantos casos metidos debaixo do tapete”.

“Partidarite é uma doença da Democracia”

Deixando nesta conferência em Vila Real de Santo António fortes recados e duras críticas à classe política, e diagnosticando a “partidarite como uma doença da Democracia”, Vasco Lourenço enalteceu “o povo português que aguenta tudo isto, sem desistir e sem fugir do país como já foi sugerido por governantes”;

Lamentando que “a sociedade neo-liberal esteja a destruir os serviços públicos [como a saúde e a educação] o presidente da «Associação 25 de Abril» lembrou que a «Revolução dos Cravos» foi “única no mundo (…) num golpe militar em que cada um deu o seu melhor”.

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Susana Helena De Sousa
Formação Superior em Jornalismo: Especialização em Imprensa Escrita pelo Centro Nacional de Formação de Jornalistas (CENJOR) Experiência em Jornalismo: Rádio (Voz D'Almada, PAL FM, Guadiana FM), Televisão (TVI, AXN, RTP, Canal História) e Imprensa Escrita (Jornal de Setúbal, Semanário O Algarve, Jornal i, Jornal do Baixo Guadiana); Tese de Licenciatura Bi-Etápica: «Serviço Público de Televisão», (publicação com entrevista a Carlos Pinto Coelho) Co-produção, realização e apresentação do programa de Rádio «Se Dúvidas Existem...», do Núcleo de Estudos e Intervenção Psicolõgica de VRSA Co-produção, realização e apresentação do programa «Viver Aqui», do Núcleo de Imigração da Cruz Vermelha Portuguesa de VRSA para o Alto Comissariado para o Diálogo Intercultural Assistente de Realização para Televisão Produtora para Televisão Escrita para Reportagens Televisivas Escrita de Documentário para TV «O Contrabando no Baixo Guadiana» Escrita do texto filme documental «Um Dia na Santa Casa», de Eduardo Soares Pinto Formação Avançada em Dança Contemporânea (CIRL) Formação Inicial em Teatro (TAS, Teatro O Elefante) Formação Inicial Interpretação para Televisão (Aloysio Filho pela ACT) Voluntária para IPSS's na área da Comunicação Participação em antologia poética «5.50» (Poetas do Guadiana) Escrita de prefácio para obra editada (Os Poetas do Guadiana nos meios de comunicação social) e outra obra inédita Autora convidada do livro de contos «Ruas» de Pedro Oliveira Tavares e João Miguel Pereira Revisão de Livro de Contos inédito de Mouji Soares Curandoria de exposição de fotografia de Eduardo Soares Pinto, Espanha Co-organização da exposição internacional de arte «Minha Fukushima» na Eurocidade do Guadiana, da Peace and Art Society Organização da Exposição «Aline´s Project» em VRSA, da Peace and Art Society Apresentação de Galas Moderação de Debates e Tertúlias Apresentação de Livros Organização de eventos Co-fundadora do Eco&Design Hotel «Monte do Malhão» Co-fundadora da Mostra Internacional de Cinema «FRONTEIRAS»

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