Mestre Manuel Cabanas evocado em mais uma data sobre seu nascimento

0
63

Teve lugar este fim-de-semana, sábado, mais uma comemoração do aniversário do nascimento do Mestre Manuel Cabanas (LAMC). Este é um evento, organizado pela Liga dos Amigos do Mestre Manuel Cabanas, que, tal como habitualmente, teve início com uma romagem à campa do Mestre.

Mais tarde teve lugar a cerimónia no interior do Arquivo Histórico Municipal António Rosa Mendes, com o presidente da LAMC, João Caldeira Romão, a dar seguimento aos momentos agendados para a manhã. Foi o caso da conferência proferida pelo Professor António Pires Ventura e um momento musical a cargo do professor Rui Martins. A homenagem contou ainda com a participação do artista plástico Elias Nunes, cuja exposição de trabalhos se encontra patente no Arquivo Histórico Municipal.

A jornada comemorativa culminou com um almoço convívio onde, de outra forma, foi dada continuidade a um encontro convívio onde a memória do Mestre foi exaltada.

Outras imagens publicadas aqui por parte do município de Vila Real de Santo António.

 

Sobre Manuel Cabanas*:

De origem humilde, filho de modestos proprietários agrícolas, também naturais de Vila Nova de Cacela, Manuel Cabanas fez a instrução primária, tendo neste período se dedicado ao campo como forma de trabalho. Em 1920 passou a trabalhar como encarregado da manutenção das mercadorias e das bagagens na ferrovia. Dois anos depois mudou-se para cidade de Barreiro, quando passou a desenvolver cargos e funções no Sindicato dos Ferroviários do Sul e Sueste, mobilizando a classe para a defesa dos seus direitos, o que naquela época era considerado um delito subversivo pelo fascismo.[1]

Em 1927, por ocasião da revolução de 7 de fevereiro, Manuel Cabanas teve o primeiro embate com a ditadura, quando a convite do almirante Mendes Cabeçadas Júnior, integrou a comissão revolucionária local. Foi neste ano que Cabanas foi preso pela primeira vez, quando, ao dirigir-se para o quartel de marinheiros de Vale de Zebro, a fim de ganhar aquela unidade para a causa dos revolucionários, é preso à entrada dessa unidade militar. Pouco tempo passado, Manuel Cabanas seria restituído à liberdade. Como represália, é enviado para o trabalho noturno, na estação dos Caminhos de Ferro da Moita do Ribatejo, tendo nela permanecido por dez anos, onde, de forma discreta, mantinha atividade política de oposição ao regime, o que o levou a relacionar-se com importantes intelectuais e políticos portugueses tais como, Aquilino RibeiroRamada CurtoBento de Jesus CaraçaCâmara ReisPiteira SantosJosé Magalhães GodinhoVasco da Gama FernandesJaime CortesãoRaul ProençaRaul RegoArlindo Vicente dentre outros, com os quais além de conviver, participou em vários atos políticos.[2]

Durante o regime fascista, Manuel Cabanas envolve-se na realização de obras de melhoramento social da classe dos trabalhadores. De 1924 a 1930, Cabanas faz parte da direcção do Asilo D. Pedro V, no Barreiro, uma instituição muito pobre, onde consegue melhorias no equipamento e nos serviços. Durante dezoito anos desenvolve grande atividade em prol da Comissão Nacional de Assistência aos Tuberculosos, iniciativa esta que lhe valeu nova prisão.[3]

Durante a década de 30 do século XX, participou em todas as ações de vulto da Oposição Democrática, mantendo-se ligado à tendência socialista e foi co – fundador do Partido Socialista, por cujas listas, já septuagenário após o 25 de Abril de 1974, foi eleito deputado à Assembleia da República.[4]

A partir de 1938, Manuel Cabanas deu início a uma intensa atividade artística no campo da gravura em madeira, encetando uma ruptura abrupta com as técnicas tradicionais de gravação. No início de sua carreira artística, os desenhos xilogravados por Cabanas eram feitos por seu amigo o pintor Américo Marinho, com o passar do tempo, o próprio artista passou a desenhar para posteriormente esculpir na madeira de Buxo.[5] Em 1939 começou a expor os seus trabalhos, o que lhe valeu vários prêmios, entre eles a medalha de ouro das Belas Artes.[6]

Em 1985, Manuel Cabanas foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, no grau de comendador, pelo então Presidente da República, General Ramalho Eanes. Em 1991, foi agraciado pelo Presidente da República, Dr. Mário Soares, com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique. Em 1983, também a Câmara Municipal do Barreiro decidiu homenageá-lo na área das Artes e Letras.

Faleceu aos 93 anos de idade, no dia 25 de Maio de 1995, no hospital de Faro.[7]

*Leia mais sobres este Mestre aqui.

 

Publicidade

Deixe uma resposta

Please enter your comment!
Please enter your name here