Bruxelas previu 8 milhões de euros para Ano Europeu do Património Cultural

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Tertúlia contou com uma assistência atenta e participativa

Decorreu no passado dia 26 de Janeiro na Biblioteca Municipal Vicente Campinas, em Vila Real de Santo António, a primeira tertúlia da temporada 2018 do Jornal do Baixo Guadiana. Numa organização habitual entre este jornal e aquela biblioteca, contou esta tertúlia em Janeiro com a colaboração organizativa do Centro Europe Direct do Algarve (CIED Algarve).

Tal como anunciado, o tema  que esteve no centro da tertúlia foi «2018: Ano Europeu do Património Cultural»  e contou com um grupo de oradores convidados e uma assistência atenta e participativa. Nesta conversa aberta a todos os cidadãos refletiu-se sobre o que é Património Cultural, de que forma é valorizado ou subestimado no nosso quotidiano e até que ponto a reflexão sobre o mesmo permite-nos trazer novas abordagens e pensar no nosso património além-fronteiras num auto-conhecimento que viaja connosco e entre nós e se mistura com os outros que o replicam e o utilizam quer seja na criação artística quer a outros níveis.

Contámos com contributos muito distintos neste encontro que se mostrou um ponto de partida para uma reflexão motivadora de ação no nosso território num Algarve rico na temática.

Exemplos elucidadores daquilo que é o Património Cultural

Iniciámos a tertúlia com dois exemplos de projetos e entidades que têm na sua ação uma dinâmica cujo património cultural é fulcral. O Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela (CIIPC) instalado desde 2005 pelo município de Vila Real de Santo António na aldeia de Santa Rita tem um histórico de trabalho em prol da investigação e divulgação do património de Cacela que trespassa os saberes, os sabores, a arqueologia, museologia, entre muitos outros que são, na maioria deles, recolhidos junto da comunidade e depois devolvidos em formatos vários. Publicações, atividades de diversas dinâmicas, escavações (o conhecido projeto do monumento megalítico de Cacela), entre outros. De realçar o grande pendor educacional deste projeto que tem enorme preocupação em transmitir o património cultural aos mais pequenos, quer numa ida às escolas, bem como recebendo-os e convidando-os a partir à descoberta. “O trabalho junto dos mais novos, envolvendo-os com quem detém o saber tem feito sempre parte do trabalho do CIIPC”, sublinhou Miguel Godinho, atualmente coordenador para a área da Cultura do município, mas que ao longo de cerca de 10 anos foi técnico em Santa Rita, sendo, por isso mesmo, um projeto que conhece bem.

Por outro lado tivemos o contributo do concelho vizinho de Castro Marim que através da empresa municipal Novbaesuris deu conta de como a gestão de património edificado pode e deve acoplar um conjunto de atividades, dinâmicas e relação com a comunidade que partem à descoberta de um território rico em história, estórias e gentes que deixaram a sua marca de forma incisiva e decisiva. Carlos do Carmo, Técnico de Turismo e Cultura daquela entidade deu conta das atividades, da agenda a este nível que “em relação estreita com a câmara municipal cria uma dinâmica própria com cada vez maior adesão da comunidade residente e visitante!”.

Direção Regional da Cultura regojiza-se com este Ano Europeu

Alexandra Gonçalves, Diretora Regional da Cultura, partilhou nesta tertúlia a importância de se estimular para o centro da União Europeia uma reflexão sobre o Património Cultural, realçando que o Algarve tem vindo, paulatinamente, a desenvolver uma política de aproximação ao património como reforço das potencialidades regionais numa oferta não só aos turistas, mas também a quem aqui reside. “É de notar que, nomeadamente, no que diz respeito aos monumentos, a maior parte dos visitantes ainda é estrangeira, mas a dinâmica instalada está também pensada para que se crie o hábito para que quem cá reside o ano inteiro aproveite os vários monumentos”, apontou a responsável, que lembrou que as candidaturas ao programa DIVAM estão neste momento abertas, sendo que este ano o tema do programa é «Património – Que Futuro».

A Direção Regional tem abertas candidaturas várias para os agentes de cultural da região, bem como considera “extremamente importante o diálogo com os municípios” numa lógica de proximidade ao património com vista a uma dinamização conjunta e de partilha de recursos.

É de salientar que a Direção Regional de Cultura é o ponto de contacto a nível nacional com o Ano Europeu do Património Cultural – 2018.

«365 Algarve» não pretende combater sazonalidade, mas proporcionar experiências a quem nos visita

De acordo com Anabela Afonso, nova comissária do «Programa 365 Algarve» [substituindo Dália Paulo], este programa, que tem na sua grelha iniciativas diversas em que a tónica património cultural é evidenciado, “não serve, no entanto, e ao contrário do que tem sido veiculado, para combater a sazonalidade turística da região”, sublinhando que “o grande objetivo do 365 passa por proporcionar experiências aos nossos turistas através de uma programação ampla e diversificada”. Ora, de acordo com esta responsável “quando falamos em património cultural falamos de um conjunto muito grande de manifestações artísticas, saberes, tradições; muitas vezes falamos daquilo que é imaterial e que não devemos esquecer”. Valorizando o património cultural e o ano europeu que lhe é dedicado, esta responsável regional, mostra-se atenta à oferta dos agentes culturais e desperta para com a panóplia abrangente que a região tem para oferecer, relevando que o programa 365 Algarve denota o potencial dos agentes no território que mais uma vez serão chamados a candidatar-se para a criação de um programa que vigore entre Outubro de 2018 e Maio de 2019.

Fotógrafo Filipe da Palma é exemplo de cidadania observadora e denunciadora

Um dos convidados desta tertúlia foi também o fotógrafo Filipe da Palma que tem um trabalho sobejamente conhecido e que ao longo dos anos tem trazido a público, nomeadamente, aquilo que é o Algarve Interior, suas riquezas, resquícios, património; quanto dele muitas vezes subvalorizado ou até mesmo desvalorizado. Para além da componente artística, Filipe da Palma comunica através das suas fotografias com uma visão crítica que muito tem ajudado a denunciar aquilo que representa a riqueza do nosso património cultural que se apresenta em risco e alvo da desvalorização patrimponial. “Creio que é preciso olharmos mais para o nosso património e perceber de que forma muitas vezes está em risco perante a pressão urbanística, por exemplo”, declarou. Sem esquecer aquilo que é um património imaterial este fotógrafo considerou que muitas vezes está em causa a destruição de património material, testemunho da nossa identidade e que cairá no esquecimento comum caso não exista um trabalho de valorização do mesmo. “As platibandas, as chaminés algarvias são exemplo claro disso mesmo. Hoje em dia quando se recuperam casas de traça tradicional pintam-se todas de branco porque é mais fácil, destruindo muitas das suas características. Se perguntamos às pessoas se sabem o que são platibandas muitas não sabem”, exemplificou.

Há 8 milhões de euros para o Ano Europeu do Património Cultural

De acordo com Catarina Cruz, diretora do Centro Europe Direct do Algarve, o Ano Europeu do Património Cultural “tem um orçamento de oito milhões de euros para os 27 Estados-membros”. Assumindo que este possa ser um volume de verba que distribuído pelos diversos países da União Europeia não satisfaça os anseios dos agentes culturais, a responsável apelou a que os interessados em trabalhar o tema do Ano Europeu estejam atentos às diversas chamadas para candidaturas que vão abrir e em que o Património Cultural vai ser chave para uma melhor avaliação das mesmas. De acordo com esta responsável a importância deste Ano Europeu reside no facto de nos permitir trabalhar “amplamente e refletir conjuntamente naquilo que é o património cultural, material e imaterial da nossa região”.

A importância das parcerias

Da parte do público a reflexão fez-se numa consciência de que é importante que as parcerias sejam uma evidência de modo a que a mensagem de valorização do património cultural seja uma realidade entre todos e um tema assumido por todos. Da parte do CIED Algarve foi tornado público o compromisso de que o Baixo Guadiana será um território-alvo para a atuação numa componente transfronteriça também; ou seja de mão dadas com a vizinha Espanha.

Na agenda estão já diversas iniciativas. Já em Março vai ter lugar a terceira edição da iniciativa «Empreender no Feminino» em conjunto com a Algarve Women Business Network, bem como o Jornal do Baixo Guadiana, Eurocidade do Guadiana, Escola de Hotelaria e Turismo de Vila Real de Santo António, entre outras. Em Maio terá lugar pela primeira vez a Sul do país, a Noite da Literatura Europeia. Acontecerá uma noite após a noite que terá lugar em Lisboa e está a ser desenhada para que aconteça no Baixo Guadiana, entre Portugal e Espanha. Em Outubro, inserida na programação da III Mostra Internacional de Cinema FRONTEiRAS, terá lugar uma seleção dos filmes Lux, da União Europeia.

Um dos pontos altos da tertúlia, como é habitual, passou pela troca de contactos entre os presentes que poderão abrir espaço para novas sinergias. Bem como serviu para levar a informação aos cidadãos de uma forma mais próxima.

A tertúlia em Fevereiro vai decorrer no dia 16, na biblioteca municipal Vicente Campinas, em VRSA, e subordinar-se-à ao tema «Animais: Quem os Salva dos Maus-Tratos?».

 

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