A Europa na Web Summit: transição para «Mobilidade Limpa» custará 70 milhões

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Um dos maiores desafios da Europa nos próximos anos é o de fazer a transição para uma mobilidade limpa

Autor: Rodrigo Burnay, Jornalista

Um dos maiores desafios da Europa nos próximos anos é o de fazer a transição para uma mobilidade limpa. Este compromisso está, de resto, assumido pela Comissão Europeia e o esforço de investimento necessário foi estimado em 70 mil milhões de euros, disse o vice-diretor-geral da Comissão Europeia para a Mobilidade e Transporte, Matthew Baldwin, durante a Web Summit 2017, realizada em Lisboa.

E será necessário gastar “cada gota desse dinheiro”, sublinhou.

Este objetivo, no entanto, faz parte de uma agenda mais vasta: a de repensar as cidades, no sentido de as tornar mais inteligentes e criativas.

No mesmo painel, Sharon Masterson responsável do Fórum do Transporte Internacional da OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico defendeu a necessidade de explorar o “grande potencial de construir novas cidades”, idealizadas, não em torno do automóvel, como as atuais, mas baseadas na utilização de meios de transporte alternativos, como os carros partilhados ou a bicicleta.

 Cidades Inteligentes

O conceito de «cidade inteligente» é muito lato, mas tem sempre três denominadores comuns: desenvolvimento económico, maior eficiência nas operações urbanas e aumento da qualidade de vida dos habitantes dessa cidade.

Desde ferramentas para uma gestão mais eficiente dos resíduos e da distribuição de energia elétrica, uma cidade inteligente pode ter instrumentos como sensores subterrâneos para detetar as condições do trânsito e reprogramar os semáforos quando necessário ou mecanismos para reduzir as emissões de carbono.

A mobilidade, com uma forte componente ambientalmente responsável, e a acessibilidade do cidadão aos serviços públicos são outros dos requisitos de uma cidade inteligente.

Em quatro palavras, uma cidade inteligente incorpora sempre inovação, tecnologia e cultura participativa.

Cidades criativas

As ferramentas de uma cidade inteligente são também a condição-base para termos «cidades criativas», um conceito ainda mais amplo, onde, além da tecnologia, também se incorpora o talento e a tolerância.

Talento, tolerância e tecnologia. Uma «cidade criativa» assenta nestes três fatores. Tem de ter capacidade para atrair gente criativa, culta e com uma educação formal elevada; deve aceitar culturas e estilos de vida diferentes e, por último, precisa de ter infraestruturas de vanguarda e com tecnologia de ponta.

Este conceito tem vindo a ganhar adeptos e não é por capricho: faz-se em nome do desenvolvimento económico.

Numa perspetiva mais tradicionalista, para atrair investimento deve-se conceder vantagens competitivas às empresas, como benefícios fiscais ou uma legislação laboral mais flexível, mas esse paradigma está a mudar.

De acordo com estudos mais recentes, as empresas onde existe mais inovação – e também onde o valor acrescentado do produto e as margens de lucro são maiores – já não procuram aqueles benefícios, mas sim locais com as condições requeridas pelos seus quadros de criativos.

Essas condições são diversas: além de tecnologia, assim como de um bom sistema de transportes públicos, por exemplo, os criativos são atraídos pela existência de pessoas de diferentes etnias e culturas, com formações académicas distintas e estilos de vida diversos.

Chamam-lhes «cidades criativas» porque conseguem potenciar a criatividade de quem lá trabalha.

Richard Florida, professor de desenvolvimento económico na Carnegie Mellon University e investigador do Brookings Institution, diz que as cidades onde não há diversidade e tolerância entram em declínio económico, muitas vezes pelo excesso de regulamentação, burocracia e aversão à inovação.

A criatividade é a grande atividade humana do Mundo globalizado e deste tempo altamente tecnológico.

Cada vez mais, as ideias, a imaginação e a inovação representam o essencial da produtividade, até porque, também de forma crescente, as máquinas têm vindo a substituir o homem nas tarefas mais penosas e repetitivas.

Esta nova «classe criativa», como lhe chamou Richard Florida – arquitetos, designers, artistas, atores, professores, engenheiros, informáticos, gestores, animadores culturais, todo o tipo de produtores, publicitários, etc. –, exige um novo tipo de ambiente de vida.

Um ambiente onde seja possível, não só realizar as tarefas do dia-a-dia, mas também aprender, interagir socialmente, contactar com novas ideias e protagonistas: onde seja possível viver a cultura no momento da sua criação.

Para Florida e outros teóricos do conceito de «cidade criativa», a competitividade das cidades assenta, já hoje, muito na capacidade de corresponder às necessidades desta nova classe de trabalhadores criativos.

Prémio de um milhão para as cidades inovadoras

Não por acaso, a Comissão Europeia instituiu um prémio de um milhão de euros para a Capital Europeia da Inovação 2017.

Coube ao português Carlos Moedas, comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação, anunciar o vencedor: Paris.

“Digitalizámos tudo […] mas não a vida e dinâmica das cidades”, disse Carlos Moedas, no palco principal da Web Summit.

Há três séculos atrás, apenas as cidades de Beijing e Londres tinham mais de um milhão de habitantes. Hoje há mais de 400 cidades com mais de um milhão de habitantes.

Em 2025, daqui a oito anos, 60% da população mundial viverá em cidades.

Nessa perspetiva de futuro, Anne Hidalgo, presidente da Câmara de Paris, defendeu o precioso contributo da inovação, em todas as suas áreas, para a construção de uma cidade mais ecológica e inclusiva.

Quatro comissários europeus na Web Summit

Pela primeira vez, a Comissão Europeia centralizou num stand da Web Summit as suas áreas de atuação, incluindo o financiamento.

Com a sua presença, a Comissão Europeia quis assinalar o “esforço para valorizar o impacto da tecnologia e inovação no desenvolvimento de sociedades modernas mais inclusivas e justas”.

Estiveram na cimeira tecnológica deste ano quatro comissários europeus: Margrethe Vestager, responsável pela Concorrência, Carlos Moedas, responsável pela Investigação, Ciência e Inovação, Julian King, responsável pela União da Segurança, e Tibor Navracsics, responsável pela Educação, Cultura, Juventude e Desporto.

Web Summit em números

A Web Summit, realizada na capital portuguesa pelo segundo ano consecutivo – e terá novamente lugar em Lisboa em 2018 – teve 59 115 visitantes, oriundos de 170 países e a totalidade dos participantes utilizou 45 terabytes de tráfego na internet entre os dias 6 e 9 de Novembro, revelou na organização.

O cabo de fibra ótica instalado para a Web Summit tinha 80 mil quilómetros, o suficiente para escalar oito vezes até ao topo do Monte Everest.

Do universo de participantes, mais de metade eram do sexo feminino e 35,4% dos oradores eram também mulheres.

A conferência teve 2,2 milhões de ligações à rede de wireless local, foi acompanhada por 2 600 meios de comunicação social de todo o mundo, contou com a participação de mais de 2 100 startups, 1 400 investidores e 1 200 conferencistas.

Mercado único digital

O mercado único digital é a 2ª das 10 das prioridades definidas no programa de tralho da atual Comissão Juncker. A estratégia para o mercado único digital abrange três domínios de intervenção ou «pilares»:

  1. Melhor acesso dos consumidores e das empresas aos bens em linha
  2. Um ambiente propício ao desenvolvimento das redes e serviços digitais
  3. A economia digital como motor de crescimento.

É necessário adequar o mercado único europeu à era digital eliminando barreiras regulamentares e passando dos atuais 28 mercados nacionais a um mercado único. Tal poderá representar um contributo de 415 mil milhões de euros por ano para a nossa economia e criar centenas de milhares de novos empregos. Comissão juncker

De referir que a aquisição e importância das competências digitais, foram um dos motes da iniciativa «Descobre o tEU talento» que de 24 a 26 de novembro retomou alguns dos temas da websummit  no âmbito da celebração das semanas europeias da Robótica, vocational skills e Aprendizagem ao longo da vida, Dias europeus do empregador e Semana da Ciência e Tecnologia. O ponto alto foi a Mesa Redonda: «Ciência, Vocação e Reconhecimento».

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Centro Europe Direct do Algarve

O Centro Europe Direct do Algarve é um serviço público que tem como principal missão difundir e disponibilizar uma informação generalista sobre a União Europeia, as suas políticas e os seus programas, aos cidadãos, instituições, comunidade escolar, entre outros.
Está hospedado na CCDR Algarve e faz parte de uma Rede de Informação da Direcção-Geral da Comunicação da Comissão Europeia, constituída por cerca de 500 centros espalhados pelos 28 Estados Membro da União Europeia, existindo 19 em Portugal.
A Assembleia Geral Anual (AGM ) decorre nornmalmente em outubro e a rede celebrou 10 anos em 2015.
Atualmente a Rede de Centros Europe Direct em Portugal inclui 19 centros e é apoiada pela Comissão Europeia através da sua Representação em Portugal.

Os Centros de Informação Europe Direct atuam como intermediários entre os cidadãos e a União Europeia ao nível local. O seu lema é «Todos somos EUropa»!

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