Falemos de civilização, sociedade atual, honra, dignidade, justiça e amizade

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Nesta crónica vou ser um pouquinho mais sério porque o tema ou temas merecem essa seriedade. Falemos de civilização, sociedade atual, honra, dignidade, justiça e amizade.

Como disse Adauto Novaes, «mais que a barbárie, o que define a nossa situação hoje é a ausência de um sentido para o termo civilização» (Civilização é um conceito complexo da antropologia e história, numa perspetiva evolucionista,  é o estágio mais avançado de determinada sociedade humana).

É sem dúvida a melhor definição para descrever a sociedade atual. Estaremos a evoluir como seres humanos ou a regredir? Temos que fazer uma reflexão profunda sobre o mundo que nos rodeia, que cada vez mais nos faz caminhar em direção ao “abismo” em que se transformou a sociedade atual.

A honra que significa o sentimento de dever, da dignidade e da justiça é cada vez mais uma utopia na sociedade atual. Nos séculos XIX e XX em Portugal a honra era vista como um dos bens jurídicos mais apreciados da personalidade humana. A honra era na visão do Estado, segundo Laurentino Araújo, a «súmula de valores individuais legais, sociais e morais, e, neste sentido, ela é inatacável por não ser diminuída, qualquer que seja a ofensa». A honra era lei, uma espécie de contrato sem papel e caneta, sem assinaturas ou letras pequenas, a palavra bastava para assumir compromissos e não honrar esses compromissos estava completamente fora de questão.

A sociedade atual faz-nos questionar, também, sobre o conceito da “amizade” – o que é realmente a amizade?!… Aquele verdadeiro sentimento de amizade, de afeto, carinho, lealdade e proteção atualmente é, em muitas situações, um termo banal, coisa rara. Basta para isso que os temas em discussão sejam o futebol, a política ou a religião… Neste mundo cada vez mais globalizado, as pessoas conseguem passar por cima de uma amizade, por puro egoísmo e individualismo e por pensarem que têm sempre razão.

A amizade conseguida na infância, na escola, através de amigos em comum, ou mesmo até de forma casual, é colocada em causa, na maioria das vezes, por coisas tão banais que nos faz temer o pior para a dita “civilização”. Passemos a meros exemplos:

O Benfica perdeu um jogo, o Sporting foi prejudicado num lance dentro da área, que deveria ter sido assinalada grande penalidade, o Jorge Jesus fala espanhol como fala português, o José Sócrates é inocente, o Bruno de Carvalho quer que a bandeira da nação seja toda verde, incluindo o pau da mesma, porque odeia o vermelho, o meu partido deveria ter ganho porque era melhor que o teu… são todos exemplos que dão azo a variadíssimas discussões, que passam a ofensas entre aqueles que supostamente são nossos amigos. Nada mais interessa: a infância, o colégio, a faculdade e até mesmo a família. Tudo se esquece em segundos e numa discussão que todos querem ter razão, não existindo a humildade para reconhecer que o outro tem direito à sua opinião e que estamos a dar demasiado valor a um assunto que não o merece.

Quem fala de futebol, fala de política… Mais uma vez as ideologias políticas, o que pensamos ser melhor para nós, não quer dizer que seja para os demais, cada um é livre de optar, se tu és laranja, não passa nada, se eu sou rosa, menos ainda. São opções de vida: respeitar essas opções é importante para essa dita “civilização”, que para não parecer uma miragem, a evolução da humanidade, a nível de mentalidades, aconteça!

Quanto mais evoluímos a nível tecnológico, mais regredimos como seres humanos, as crianças já não brincam como antes, os pais já não têm tempo para estar com os filhos, porque são explorados pelos patrões ou porque ganham ordenados de miséria, ou porque precisam trabalhar mais ou porque têm que ter os “amigos” nos sítios certos. A amizade cada vez mais é uma mera palavra. Se estás doente são só votos de melhoras, se ganhas o Euromilhões nem te dão os parabéns… Não sei se me faço entender. (Mas também não generalizemos a questão, como é óbvio). Esta sociedade está doente, está carente de princípios e somos nós chamados de seres racionais?! Mó que cena!!

P.S. E não é que fui mesmo sério desta vez…deve ser da medicação!

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Eusébio Costa

Eusébio Costa, nasceu a 31 de outubro em Monte Gordo na casa da avó paterna. Aos 14 anos, influenciado pela magia da rádio, ouvinte da Rádio Renascença de então em onda média, ouvindo relatos de futebol e programas como os “Parodiantes de Lisboa”, ingressou na Rádio Glória em 1984, só terminando essa atividade em 2012, foi técnico superior de comunicação na Junta de Freguesia de Vila Real de Santo António e foi colaborador do Jornal «O Jogo», «Jornal do Algarve» e «Jornal do Baixo Guadiana».
Em 2011 decidiu terminar os estudos e licenciou-se em Ciências da Comunicação na Escola Superior de Educação e Comunicação da Universidade do Algarve, com média de 16 valores.

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