«Agressividade é mecanismo de defesa de doentes de Alzheimer»

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Um artigo de Isabel Mestre, terapeuta de Alzheimer

Cuidar ou trabalhar com doentes de alzheimer significa que diariamente nos confrontamos com as dificuldades ligadas à doença, mas também, relacionamo-nos com familiares angustiados que sofrem e têm dúvidas em relação ao futuro do seu ente querido e das decisões a tomar. É preciso compreensão e paciência…

A agressividade destes doentes é um mecanismo de defesa devido à incapacidade e aos limites que sentem e ao medo de ser maltratados por quem os rodeia! Eles têm força e a intuição ajuda-os a perceber se podem confiar ou não nas pessoas que não conhecem.

Por vezes ficam agressivos por uma conversa que lhes traga recordações negativas do passado ou porque quem está ali não lhes inspira confiança.

Como eu sempre disse, o primeiro passo importante é instaurar uma boa relação de confiança.

Mas, quando acontecer um episódio de agressividade:

– Nunca o deixem soinho, desabafando a sua raiva, mas estejam ao seu lado (nunca de frente, pois podem agredir). Consolem o doente, apoiando, com frases «tem razão»; «você disse ou fez o que estava certo» (depende do motivo). E é importante nunca contrariar…

-Devemos explicar sempre, o que estamos para fazer: despir, vestir, lavar-se, deitar, fazer o banho, levar para ir comer, etc…

– Usar um tom de voz adquado, não autoritário ou de pouco respeito e sobretudo, não os julgar ou perguntar, porque fez isto ou aquilo… Não sabem responder, mas ficam em dificuldade e a emoção negativa desse momento vai fazer com que essa pessoa perca a sua confiança.

-Falem-lhe de episódios, do passado, onde eles fizeram algo de importante, façam-nos sentir gratificados e orgulhosos da pessoa que foram e de quanto são amados, por esses motivos: ser um bom pai, boa mãe, pessoa generosa, honesta, trabalhadora, etc… Ajuda a tranquilizar e dá auto-estima.

Na base de uma boa relação está sempre um bom coração e um grande respeito por quem sofre e precisa de sentir o carinho com um abraço e uma frase linda, que enche a alma : GOSTO MUITO DE SI e ESTOU AQUI PARA O AJUDAR!!!!!

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Isabel Pereira
Chamo-me Isabel Maria Martins Pereira, tenho (quase) 54 anos e nasci em Balurcos de Baixo (Alcoutim). Estudei até aos 11 ano em Vila Real de Santo António, mas depois casei cedo e tive de emigrar para a Suiça... (em 1985) Até aí a minha ideia era a de ser "educadora de infância", mas como interrompi os estudos, emigrando, tive de fazer limpezas em hotéis... foi o que pude arranjar.... Os anos foram passando e eu, dedicada à família e com o sonho de ter uma casa, esqueci-me de mim e do que eu gostaria realmente de fazer! A um certo ponto da minha vida, entrei numa crise existencial e percebi que não tinha estudado para fazer limpezas, não estava satisfeita com a vida que levava... havia algo que enchia o meu coração... era ajudar o próximo (sobretudo os idosos). No estrangeiro nada cai do céu e se eu queria algo diferente iria ter de enfrentar muitos sacrifícios, ir à escola (2 anos) com a dificuldade da língua, a discriminação, a gestão da família e da casa, etc... mas fui corajosa e consegui um diploma de assistente de enfermagem. Agora, há já 17 anos que trabalho numa casa medicalizada para idosos, cuidados continuados e doenças terminais... Sempre gostei imenso do que fazia, mas percebi ao longo destes anos, que tenho uma paixão particular por doentes de Alzheimer!!!! Hoje, depois de uma operação à coluna (não posso esforçar com pesos) dedico-me completamente a pessoas com Alzheimer ou outro tipo de demência...Pois, ainda quando estava bem, fiz uma formação que me ensinou as técnicas de comunicação com estes doentes ( Operadora VALIDATION) e, assim, ajudo comunicando e dando a estes doentes a possibilidade de exprimir as emoções e resolver conflitos do passado para, nesta fase, viverem com mais serenidade e para que possam morrer em paz!!!! Tudo o que faço enche o meu coração e sinto, dia após dia, não um trabalho, mas uma missão! Espero de poder reformar-me aos 60 anos e dedicar-me a esta missão (de forma voluntária) seja em Portugal, seja na Suiça... O que eu mais gostava, era de ser útil às famílias que têm de cuidar de um doente de Alzheimer e, muitas vezes, não sabem como reagir, o que responder, o que pode ajudar, o que fazer (?!) Há muitos profissionais nesta área e todos são necessários... a minha ajuda pode ser só "uma gota no oceano" mas necessária também. Espero de ser útil.

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