ALZHEIMER: Técnicas de comunicação: 2a fase ( confusão temporal)

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O doente de Alzheimer  na segunda fase é inseguro nos movimentos, caminha com os ombros descaídos e a cabeça baixa… usa um tom de voz baixo e fala lentamente. Todo o ambiente é confuso, devido ao decadimento do pensamento racional, da vista e do ouvido.

Exprime as emoções, mas não recorda os factos ( o porquê daquela emoção)

As experiências de vida dão-lhe sabedoria intuitiva: conseguem distinguir, quem é sincero e quem finge.

Recordam as sensações sensoriais(boas) da infância, mas não escutam as pessoas no presente… são fantasiosas e contam histórias “inventadas” para esconder a sua dificuldade cognitiva actual.

Gostam de um abraço e de um contacto sincero!

A relação de confiança é muito importante para se conseguir ajudar nesta fase da doença!

É importante que exprimam as emoções sem que sejam julgados, interrogados ou expostos (precisam de intimidade e respeito)

Precisam de ser “gratificados” com elogios e valorizando o que fizeram, no passado, sobretudo na familia e na profissão ( bom pai, boa mãe… bom profissional)

Estes doentes têm muito medo do escuro, do desconhecido, da morte… É necessário que estejam num ambiente que conhecem e tratados com carinho, por pessoas que amam o que fazem, com sensibilidade e coração! (devemos tratar, como gostariamos de ser tratados).

Normalmente, procuram a mãe e dizem «vou para casa»…

A mãe é a segurança, é o amor que precisam e nós devemos ajudar a recordar a mãe e os bons momentos vividos com ela, sem falar de morte ou mentir… simplesmente, ajudar a recordar!!

Ir para casa, é procurar a casa da infância…por isso, não devemos contrariar, dizendo: “não pode ir” “já não tem casa”…. acompanhamos e falamos das boas recordações desse tempo, até que (lentamente) desviamos o percurso e voltamos para trás, sem que o doente se aperceba; fica tranquilo e não se sente enganado!

Mais uma vez, espero de ter sido útil…

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Isabel Pereira
Chamo-me Isabel Maria Martins Pereira, tenho (quase) 54 anos e nasci em Balurcos de Baixo (Alcoutim). Estudei até aos 11 ano em Vila Real de Santo António, mas depois casei cedo e tive de emigrar para a Suiça... (em 1985) Até aí a minha ideia era a de ser "educadora de infância", mas como interrompi os estudos, emigrando, tive de fazer limpezas em hotéis... foi o que pude arranjar.... Os anos foram passando e eu, dedicada à família e com o sonho de ter uma casa, esqueci-me de mim e do que eu gostaria realmente de fazer! A um certo ponto da minha vida, entrei numa crise existencial e percebi que não tinha estudado para fazer limpezas, não estava satisfeita com a vida que levava... havia algo que enchia o meu coração... era ajudar o próximo (sobretudo os idosos). No estrangeiro nada cai do céu e se eu queria algo diferente iria ter de enfrentar muitos sacrifícios, ir à escola (2 anos) com a dificuldade da língua, a discriminação, a gestão da família e da casa, etc... mas fui corajosa e consegui um diploma de assistente de enfermagem. Agora, há já 17 anos que trabalho numa casa medicalizada para idosos, cuidados continuados e doenças terminais... Sempre gostei imenso do que fazia, mas percebi ao longo destes anos, que tenho uma paixão particular por doentes de Alzheimer!!!! Hoje, depois de uma operação à coluna (não posso esforçar com pesos) dedico-me completamente a pessoas com Alzheimer ou outro tipo de demência...Pois, ainda quando estava bem, fiz uma formação que me ensinou as técnicas de comunicação com estes doentes ( Operadora VALIDATION) e, assim, ajudo comunicando e dando a estes doentes a possibilidade de exprimir as emoções e resolver conflitos do passado para, nesta fase, viverem com mais serenidade e para que possam morrer em paz!!!! Tudo o que faço enche o meu coração e sinto, dia após dia, não um trabalho, mas uma missão! Espero de poder reformar-me aos 60 anos e dedicar-me a esta missão (de forma voluntária) seja em Portugal, seja na Suiça... O que eu mais gostava, era de ser útil às famílias que têm de cuidar de um doente de Alzheimer e, muitas vezes, não sabem como reagir, o que responder, o que pode ajudar, o que fazer (?!) Há muitos profissionais nesta área e todos são necessários... a minha ajuda pode ser só "uma gota no oceano" mas necessária também. Espero de ser útil.

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