Município de VRSA encara com estranheza “volte face” da APA em relação a Hotel para Monte Gordo

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O Meliá Monte Gordo tem previstos 108 quartos e será o 13º hotel do grupo espanhol em Portugal

Foi noticiado no início desta semana que a Associação Portuguesa do Ambiente (APA) quer revogar o projeto para a construção de um hotel de luxo a construir em Monte Gordo no extremo poente da praia e a 15 metros do areal. A recente posição da APA surge por esta entidade considerar, afinal, que o projeto violaria o Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) em vigor. Ao que nosso jornal conseguiu apurar esta revogação é de Abril de 2017, sensivelmente, um ano após o Parecer Prévio Favorável da mesma entidade ao mesmo projeto.

Acontece que, entre os dois pareceres, a Câmara de Vila Real de Santo António vendeu o terreno para o projeto; um lote com mais de 6 mil metros quadrados, no extremo poente da praia, e vendido a uma cadeia hoteleira após concurso público, em dezembro, pelo valor de 3,6 milhões de euros.

O município liderado por Luís Gomes já deu conta da sua tomada de posição face ao que considera ser um «volte face» da APA e espera que “não esteja relacionado com quaisquer questões político-partidárias em véspera de eleições”.

O nosso jornal contactou a APA, mas até ao momento não obteve qualquer resposta às questões que colocou.

Numa tomada de posição por parte da câmara municipal de Vila Real de Santo António contactada pelo Jornal do Baixo Guadiana em relação à revogação por parte da Associação Portuguesa do Ambiente (APA) do Hotel de Luxo previsto para a zona poente de Monte Gordo, a edilidade presidida por Luís Gomes considera “estranho que a APA se contradiga e que, um ano depois, já em abril de 2017, apresente à autarquia um despacho de revogação contrariando todos os fundamentos que já tinha validado e alegando a falta de enquadramento no Plano de Ordenamento da Orla Costeira Vila Real de Santo António – Vilamoura”.

A autarquia confirma que “a APA emitiu um parecer prévio favorável, em março de 2016, ao projeto de requalificação da frente ribeirinha de Monte Gordo, o qual prevê a reabilitação da frente de mar (calçadão), bem como a construção de uma unidade hoteleira”, sendo que, garante-nos, que “no referido parecer, não são apontadas quaisquer dúvidas quanto à localização da unidade hoteleira, sendo apenas referidas questões de pormenor”.

Hotel de Luxo fica agora em stand by

Luís Gomes recorda que em relação ao Hotel na área agora posta em causa a APA foi “inequivocamente favorável, chegando inclusivamente a referir que «(…) afigura-se que a solução apresentada por essa Câmara Municipal constitui uma opção adequada do ponto de vista da salvaguarda dos valores naturais, concretamente a implantação do hotel em área com características urbanas em alternativa à sua implantação em espaços de elevado valor natural (ecossistema dunar), parcialmente afetados pela Reserva Ecológica Nacional em vigor para o concelho de Vila Real de Santo António (…)»”.

O executivo municipal explica ao nosso jornal que “por não ter existido qualquer oposição da APA durante o referido período (mais de um ano), a autarquia de VRSA desencadeou os procedimentos e concursos públicos para a construção de uma unidade hoteleira, tendo procedido à autonomização de um prédio urbano para tal e aberto um concurso público”.

Recorde-se que em Março deste ano a Publituris divulgava que a Meliá Hotels International iria ter uma unidade hoteleira no Algarve, concretamente em Monte Gordo. A notícia, avançada pelo Hosteltur, indicava que o hotel teria abertura prevista para 2018.
O Meliá Monte Gordo tem previstos 108 quartos e será o 13º hotel do grupo espanhol em Portugal.

Município “estranha casualidade”

Para o município é “estranha a causalidade entre a data de venda da parcela de terreno por parte da CM VRSA e o despacho de revogação da APA, que surge semanas depois de o concurso público ter sido finalizado”. E “perante o conjunto de factos apontados, o município de VRSA espera que este suposto volte face da APA não esteja relacionado com quaisquer questões político-partidárias em véspera de eleições”, pode ler-se na tomada de posição enviada ao nosso jornal.

Ao que conseguimos também apurar “nesta sequência, e em sede de audiência prévia, o município já solicitou os pareceres que fundamentaram o despacho de revogação, não tendo obtido ainda qualquer resposta factual”.

O Jornal do Baixo Guadiana contactou a APA sobre esta matéria, mas sem resultados até ao momento.

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Susana Helena De Sousa
Formação Superior em Jornalismo (Carteira Profissional 9621): Especialização em Imprensa Escrita pelo Centro Nacional de Formação de Jornalistas (CENJOR) Formação media pela Representação da Comissão Europeia em Portugal Experiência em Jornalismo: Rádio (Voz D'Almada, PAL FM, Guadiana FM), Televisão (TVI, AXN, RTP, Canal História) e Imprensa Escrita (Jornal de Setúbal, Semanário O Algarve, Jornal i, Jornal do Baixo Guadiana); Tese de Licenciatura Bi-Etápica: «Serviço Público de Televisão», (publicação com entrevista a Carlos Pinto Coelho) Co-produção, realização e apresentação do programa de Rádio «Se Dúvidas Existem...», do Núcleo de Estudos e Intervenção Psicolõgica de VRSA Co-produção, realização e apresentação do programa «Viver Aqui», do Núcleo de Imigração da Cruz Vermelha Portuguesa de VRSA para o Alto Comissariado para o Diálogo Intercultural Assistente de Realização para Televisão Produtora para Televisão Escrita para Reportagens Televisivas Escrita de Documentário para TV «O Contrabando no Baixo Guadiana» Escrita do texto filme documental «Um Dia na Santa Casa», de Eduardo Soares Pinto Formação Avançada em Dança Contemporânea (CIRL) Formação Inicial em Teatro (TAS, Teatro O Elefante) Formação Inicial Interpretação para Televisão (Aloysio Filho pela ACT) Participação em antologia poética «5.50» (Poetas do Guadiana) Escrita de prefácio para obra editada (Os Poetas do Guadiana nos meios de comunicação social) e outra obra inédita Autora convidada do livro de contos «Ruas» de Pedro Oliveira Tavares e João Miguel Pereira Revisão de Livro de Contos inédito de Mouji Soares Curandoria de exposição de fotografia de Eduardo Soares Pinto, Espanha Co-organização da exposição internacional de arte «Minha Fukushima» na Eurocidade do Guadiana, da Peace and Art Society Organização da Exposição «Aline´s Project» em VRSA, da Peace and Art Society Apresentação de Galas Moderação de Debates e Tertúlias Apresentação de Livros Organização de eventos Co-fundadora do Eco&Design Hotel «Monte do Malhão» Co-fundadora da Mostra Internacional de Cinema «FRONTEIRAS» Voluntariado para a área da comunicação em IPSS's

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