Alzheimer: Características e Técnicas de Comunicação

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Primeira fase (mal orientados)

Na primeira fase da doença, este doentes ficam ansiosos com muita facilidade; é necessário escutá-los com atenção, observar as características físicas, o tom de voz, os movimentos,etc…

Não se deve discutir, sobre a verdade dos factos (para eles, é assim…)

Não julgar…

Não invadir, o espaço privado (seja fisicamente, seja psicologicamente)

Nunca perguntem algo que os doentes não saibam responder (como se chamam os filhos, quantos anos tem, onde mora…??). São perguntas que os vão angustiar e evidenciar as limitações cognitivas.

É importante seguir a conversa deles e para os ajudar a exprimir melhor usem as perguntas «Quem? o quê? onde? quando? como?…» Assim, mesmo se não percebemos, ajudamos-lhe a aliviar de algo que precisava de contar, para assim se tranquilizar.

Quando dizem algo do género: «É melhor morrer!» Não façam comentários… Simplesmente, REPITAM a mesma frase (reformulada) e ouçam o que eles têm para dizer, o que os leva a pensar assim. Muitas vezes, desabafam e depois ficam bem, mais tranquilos!

Quando procuram a mãe, nunca lhes digam que a mãe «morreu» ou que a mãe «está a chegar». Com a primeira resposta iriam recordar-lhe a dor da separação da mãe, na segunda, estariam a dizer uma mentira e isso não ajuda na relação de confiança.

Quando dizem «vou para casa» não digam que não pode ir. Simplesmente, acompanhem o doente um pouco e depois, logo que tenham oportunidade, falem-lhe de algo importante, ou peçam-lhe ajuda para fazer algo que ele goste e nessa altura o mais natural é esquecer que procurava a casa e segue o terapeuta noutra tarefa, pois estes pacientes gostam muito de se sentir úteis. Premissa: NUNCA ENGANAR um doente com alzheimer.

Muito importante também é dar-lhe a possibilidade de RECORDAR episódios  felizes do seu passado. Por exemplo: as lembranças dos pais (sobretudo da mãe), dos irmãos, da casa… a casa da infância!

Os doentes com alzheimer quando se sentem ameaçados e têm medo, é necessário desviar a conversa para recordações positivas e perguntar-lhe o que podem fazer para os ajudar… Elogiando-os por tudo o que conseguiram de bom, o quanto foram fortes, superando as dificuldades da vida aumenta a auto-estima e dá segurança. Para tal é importante conhecer bem a história de vida do paciente.

 

Os idosos, em geral, uma sabedoria intuitiva, própria da idade e não escutam o ” jovem” que lhe diz o que deve fazer… Também o idoso com alzheimer, não deve ser guiado para aprender novos comportamentos (não são crianças). Exprimem livremente os sentimentos, para os resolver!!

É importante tratar por ” Voçê ” não por ” TU”, respeitando-os damos-lhe dignidade e em troca, recebemos a confiança deles e a certeza que podemos ajudá-los.

Com este artigo espero ser útil e, sobretudo, sensibilizar quem trabalha com estes doentes, a dar-lhe o respeito e a dignidade que merecem.

Precisam da nossa ajuda e do nosso carinho…. Hoje são eles, amanhã podemos ser nós…

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Isabel Pereira
Chamo-me Isabel Maria Martins Pereira, tenho (quase) 54 anos e nasci em Balurcos de Baixo (Alcoutim). Estudei até aos 11 ano em Vila Real de Santo António, mas depois casei cedo e tive de emigrar para a Suiça... (em 1985) Até aí a minha ideia era a de ser "educadora de infância", mas como interrompi os estudos, emigrando, tive de fazer limpezas em hotéis... foi o que pude arranjar.... Os anos foram passando e eu, dedicada à família e com o sonho de ter uma casa, esqueci-me de mim e do que eu gostaria realmente de fazer! A um certo ponto da minha vida, entrei numa crise existencial e percebi que não tinha estudado para fazer limpezas, não estava satisfeita com a vida que levava... havia algo que enchia o meu coração... era ajudar o próximo (sobretudo os idosos). No estrangeiro nada cai do céu e se eu queria algo diferente iria ter de enfrentar muitos sacrifícios, ir à escola (2 anos) com a dificuldade da língua, a discriminação, a gestão da família e da casa, etc... mas fui corajosa e consegui um diploma de assistente de enfermagem. Agora, há já 17 anos que trabalho numa casa medicalizada para idosos, cuidados continuados e doenças terminais... Sempre gostei imenso do que fazia, mas percebi ao longo destes anos, que tenho uma paixão particular por doentes de Alzheimer!!!! Hoje, depois de uma operação à coluna (não posso esforçar com pesos) dedico-me completamente a pessoas com Alzheimer ou outro tipo de demência...Pois, ainda quando estava bem, fiz uma formação que me ensinou as técnicas de comunicação com estes doentes ( Operadora VALIDATION) e, assim, ajudo comunicando e dando a estes doentes a possibilidade de exprimir as emoções e resolver conflitos do passado para, nesta fase, viverem com mais serenidade e para que possam morrer em paz!!!! Tudo o que faço enche o meu coração e sinto, dia após dia, não um trabalho, mas uma missão! Espero de poder reformar-me aos 60 anos e dedicar-me a esta missão (de forma voluntária) seja em Portugal, seja na Suiça... O que eu mais gostava, era de ser útil às famílias que têm de cuidar de um doente de Alzheimer e, muitas vezes, não sabem como reagir, o que responder, o que pode ajudar, o que fazer (?!) Há muitos profissionais nesta área e todos são necessários... a minha ajuda pode ser só "uma gota no oceano" mas necessária também. Espero de ser útil.

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