Que lugar ocupa o museu na sua vida?

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Uma pergunta simples com uma resposta simples?

Este ano o tema do Dia Internacional dos Museus, que  hoje se comemora, introduziu um tema que é em si uma desinquietação: “Museus e histórias controversas: dizer o indizível nos museus”.

A imaginação e a criatividade podem conduzir-nos a propostas ousadas para desenvolver este assunto. Surge uma outra questão, será que foram ousados os museus portugueses na abordagem que nos vão apresentar? Na plataforma da Direção Geral do Património Cultural encontra-se o programa do dia 18 e do dia 20 de maio com todo as actividades previstas (www.patrimoniocultural.gov.pt). A 20 de Maio acontece também a Noite dos Museus.

São dezenas de actividades, de uma enorme diversidade que procuram reequacionar o museu e a(s) sua(s) comunidade(s): “objetos com segredos”, “mitos e feitiçarias”, “peças rejeitadas”, “problemas de comunicação”, “Nazismo, prisão política, guerras, escravatura, minorias, tabus” ,“novos desafios de gestão”, “crise dos refugiados”, “ética”,… um sem fim de desafios que se abrem ao visitante, que se espera que não saia indiferente.

Muito do que vai acontecer e ser dito nos museus nos próximos dias, seria para a comunidade em geral, discurso expectável noutro lugar… O museu é visto por excelência como o consagrador de histórias reais, uma fonte de verdades, espaço das memórias oficiais dos fatos ocorridos.

É altura de retomar a questão: Que lugar ocupa o museu na sua vida? E na vida da sua comunidade?

Fontes de sabedoria e de conhecimento especializado em vários domínios, mas também pilares de educação, de criatividade, de qualidade de vida, de integração social e de desenvolvimento humano.

Este desafio de se auto questionarem e de questionar “o mundo à sua volta” é também o de todos nós. Uma reciprocidade que é uma responsabilidade cívica e cultural que se deve promover.

Pelo que se pergunta agora: A quem ouve o museu? Como ouve e como transmite o que ouve?

Ilustrando com um exemplo recente fora de portas, a Associação de Museus do Reino Unido em ano de eleições promoveu a redação de um Manifesto conjunto sob o lema “inspirando os museus a alterar vidas” onde identifica um conjunto de preocupações para o futuro dos museus, que sugere que sejam inscritas nas prioridades do próximo Governo eleito. Um processo comum nestes momentos. Mas não só nestes momentos esta reflexão deve ser promovida e nem só nos museus. As instituições culturais possuem na sua missão esta preocupação, que têm espelhado nos seus planos de actividades e nas propostas de sedução e de envolvimento das suas comunidades.

Ficam estas e outras perguntas que nos ajudam no auto questionamento constante: Encontram-se os nossos museus em tensão com a sociedade onde se inserem? São os nossos museus vitais para a comunidade onde se encontram?

Boas reflexões neste Dia Internacional dos Museus.

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Alexandra Gonçalves
Diretora Regional de Cultura do Algarve desde 16 de Dezembro de 2013 Doutorada em Turismo pela Universidade de Évora (2013), Mestre em Gestão do Património Cultural pela Universidade do Algarve em colaboração com a Univ. de Paris-8 (2002) Pós Graduada em Direito do Património Cultural pela Faculdade de Direito, da Universidade de Lisboa (2017) Professora Adjunta da Escola de Gestão, Hotelaria e Turismo da Universidade do Algarve e investigadora do CIEO - Research Centre for Spatial and Organizational Dynamics da UALG Vereadora eleita da Câmara Municipal de Faro entre 2009 e 2012

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