Viagem de (Re)Encontro com o Algarve

0
107

Há uns dias fui abrir um encontro com agentes e profissionais do turismo sobre o tema “Mar de Experiências” (um título bem sedutor e adequado, por sinal), relembrei na conversa inicial e como sempre acontece, alguns dos números e recordes deste ano: as chegadas internacionais subiram 13% em Portugal em 2016; o Algarve chegou aos 4 milhões de hóspedes (+10%) do que no ano anterior; as receitas subiram quase 20%…; podia continuar com outros dados que revelam um ano turístico excelente, no seio de uma Europa que se apresenta como destino consagrado e com uma das melhores performances dos últimos anos.

Podem dizer que, estes resultados foram altamente determinados pelas instabilidades das políticas internacionais, pelos conflitos armados em alguns mercados concorrentes e pela percepção positiva da segurança do destino Portugal e do Algarve. Também alguns esforços de concertação de vontades, de coordenação de agentes e de uma comunicação mais eficaz, deram frutos. Todavia, a reflexão não ficou por aqui e continuou sobre o que está a acontecer e sobre algumas convicções que temos sobre o trabalho a desenvolver.

A “Era do Turismo” como a conhecíamos já não existe! As entidades não possuem hoje a mesma capacidade de moldar e influenciar o consumidor como no passado, através de estratégias de promoção e de marketing. A necessidade hoje é de nos promovermos através dos outros e não para os outros.

Por um lado, hoje, poucos de nós desejamos ser identificados como “turistas” e queremos experimentar a autenticidade e usufruir daquilo que torna um destino único. Nestas dinâmicas, a comunidade local é parte do destino e a interacção com o visitante deve ser harmoniosa. Os locais são um dos grandes atractivos do destino (com a sua cultura e património).

Por outro lado, a flexibilidade, a mobilidade e a conectividade sãos os elementos principais para o “turista”. Todos nós estamos permanentemente ligados e a gerar nova informação, o que possui uma inesgotável capacidade de influenciar o comportamento dos outros.

Pode parecer incompatível o que acabámos de dizer com o ideário perfeito da viagem que pressupõe experimentação, libertação e reencontro. Mas criar o sentimento próximo das antigas relações de vizinhança junto dos que nos visitam é uma das formas que pode ser alcançada com a transmissão das histórias locais, com a afirmação do carácter de cada um dos lugares. As comunidades devem por isso conhecer as suas histórias e participar neste desenvolvimento.

O crescimento sustentado do turismo no Algarve só acontecerá se se basear nas pessoas e se essas pessoas partilharem da visão e das ambições das várias entidades que participam na estratégia do território. Precisamos de marcar um (Re)Encontro com o Algarve.

(Março 2017)

Publicidade
Partilhar
Alexandra Gonçalves
Diretora Regional de Cultura do Algarve desde 16 de Dezembro de 2013 Doutorada em Turismo pela Universidade de Évora (2013), Mestre em Gestão do Património Cultural pela Universidade do Algarve em colaboração com a Univ. de Paris-8 (2002) Pós Graduada em Direito do Património Cultural pela Faculdade de Direito, da Universidade de Lisboa (2017) Professora Adjunta da Escola de Gestão, Hotelaria e Turismo da Universidade do Algarve e investigadora do CIEO - Research Centre for Spatial and Organizational Dynamics da UALG Vereadora eleita da Câmara Municipal de Faro entre 2009 e 2012

Deixe uma resposta

Please enter your comment!
Please enter your name here

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.