Demência ou Alzheimer

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Necessidades Principais e Método de Comunicação

As pessoas que sofrem de uma demência ou do morbo de Alzheimer têm necessidades fundamentais:

– Sentirem-se amados e protegidas;

– Sentirem-se úteis e conseguir fazer algo que ainda sabe e que lhes dê satisfação;

– Poder exprimir as emoções (tristeza, alegria, amor, medo, vergonha, desespero, ansiedade, raiva…) e resolver conflitos do passado, para poder morrer em paz.

– Sentir-se num lugar seguro, livres de se mover em liberdade e sem obstáculos perigosos

– Ser reconhecidos como pessoas adultas, ter o seu estatuto social e a sua autoestima

Segundo o «Metodo Validation» – método de comunicação com pessoas desorientadas – é muito importante exprimir todos os sentimentos reprimidos ao longo da vida para que sejam resolvidos, voltando ao passado e associando livremente palavras, sons, movimentos do corpo, nomes de pessoas, etc.

As lembranças felizes do passado, aliviam a dor do presente e a sensação de inutilidade, dão serenidade e estimulam a memória sensorial…

Quem vive quotidianamente com estas pessoas, deve ser paciente, respeitar e escutar de forma empática (viver o mesmo sentimento e imaginar-se no seu lugar) demonstrar interesse pelas histórias que contam, sem julgar, respeitando a intimidade e observando a expressão mímica (comunicação não verbal)

Criar uma relação de confiança com estes doentes é a base para os conseguir ajudar em qualquer situação…

IMPORTANTE: Não mentir!!!

Usar um tom de voz adequado, sem ordens ou julgamentos e comunicar olhando-se nos olhos e respeitando os seus limites.

Proteger e dar carinho ( abraçar, dá muita segurança ao doente)

Deixar o mais possível, no seu ambiente… a sua casa ou o lugar onde se sente seguro

Enfeitar o ambiente (quarto) com fotografias dos pais e dos irmãos (sobretudo da infância) mas também dos filhos e netos…

Orientar o doente: lugar, tempo e espaço… com a ajuda de cartazes e indicações definidas e fáceis.

Nunca contrariar, quando decide fazer algo (pois o paciente pode ficar agressivo). É melhor desviar a sua atenção para algo diferente, de forma tranquila e sem enganar.

MUITO AMOR E RESPEITO, são a base para conseguir a confiança destes doentes, pois as perdas cognitivas, desenvolvem neles, uma grande capacidade de SENTIR… ” Sentir o coração de quem os trata” para poder confiar em quem o rodeia.

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Isabel Pereira
Chamo-me Isabel Maria Martins Pereira, tenho (quase) 54 anos e nasci em Balurcos de Baixo (Alcoutim). Estudei até aos 11 ano em Vila Real de Santo António, mas depois casei cedo e tive de emigrar para a Suiça... (em 1985) Até aí a minha ideia era a de ser "educadora de infância", mas como interrompi os estudos, emigrando, tive de fazer limpezas em hotéis... foi o que pude arranjar.... Os anos foram passando e eu, dedicada à família e com o sonho de ter uma casa, esqueci-me de mim e do que eu gostaria realmente de fazer! A um certo ponto da minha vida, entrei numa crise existencial e percebi que não tinha estudado para fazer limpezas, não estava satisfeita com a vida que levava... havia algo que enchia o meu coração... era ajudar o próximo (sobretudo os idosos). No estrangeiro nada cai do céu e se eu queria algo diferente iria ter de enfrentar muitos sacrifícios, ir à escola (2 anos) com a dificuldade da língua, a discriminação, a gestão da família e da casa, etc... mas fui corajosa e consegui um diploma de assistente de enfermagem. Agora, há já 17 anos que trabalho numa casa medicalizada para idosos, cuidados continuados e doenças terminais... Sempre gostei imenso do que fazia, mas percebi ao longo destes anos, que tenho uma paixão particular por doentes de Alzheimer!!!! Hoje, depois de uma operação à coluna (não posso esforçar com pesos) dedico-me completamente a pessoas com Alzheimer ou outro tipo de demência...Pois, ainda quando estava bem, fiz uma formação que me ensinou as técnicas de comunicação com estes doentes ( Operadora VALIDATION) e, assim, ajudo comunicando e dando a estes doentes a possibilidade de exprimir as emoções e resolver conflitos do passado para, nesta fase, viverem com mais serenidade e para que possam morrer em paz!!!! Tudo o que faço enche o meu coração e sinto, dia após dia, não um trabalho, mas uma missão! Espero de poder reformar-me aos 60 anos e dedicar-me a esta missão (de forma voluntária) seja em Portugal, seja na Suiça... O que eu mais gostava, era de ser útil às famílias que têm de cuidar de um doente de Alzheimer e, muitas vezes, não sabem como reagir, o que responder, o que pode ajudar, o que fazer (?!) Há muitos profissionais nesta área e todos são necessários... a minha ajuda pode ser só "uma gota no oceano" mas necessária também. Espero de ser útil.

1 comentário

  1. Parabens Isabel .adorei ler a tua publicação e os teus conselhos.
    Uma acção muito nobre.
    Felecidades e saude para poderes continuar.
    Beijinhos

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