Viagem de (Re)Encontro com o Algarve

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Há uns dias fui abrir um encontro com agentes e profissionais do turismo sobre o tema “Mar de Experiências” (um título bem sedutor e adequado, por sinal), relembrei na conversa inicial e como sempre acontece, alguns dos números e recordes deste ano: as chegadas internacionais subiram 13% em Portugal em 2016; o Algarve chegou aos 4 milhões de hóspedes (+10%) do que no ano anterior; as receitas subiram quase 20%…; podia continuar com outros dados que revelam um ano turístico excelente, no seio de uma Europa que se apresenta como destino consagrado e com uma das melhores performances dos últimos anos.

Podem dizer que, estes resultados foram altamente determinados pelas instabilidades das políticas internacionais, pelos conflitos armados em alguns mercados concorrentes e pela percepção positiva da segurança do destino Portugal e do Algarve. Também alguns esforços de concertação de vontades, de coordenação de agentes e de uma comunicação mais eficaz, deram frutos. Todavia, a reflexão não ficou por aqui e continuou sobre o que está a acontecer e sobre algumas convicções que temos sobre o trabalho a desenvolver.

A “Era do Turismo” como a conhecíamos já não existe! As entidades não possuem hoje a mesma capacidade de moldar e influenciar o consumidor como no passado, através de estratégias de promoção e de marketing. A necessidade hoje é de nos promovermos através dos outros e não para os outros.

Por um lado, hoje, poucos de nós desejamos ser identificados como “turistas” e queremos experimentar a autenticidade e usufruir daquilo que torna um destino único. Nestas dinâmicas, a comunidade local é parte do destino e a interacção com o visitante deve ser harmoniosa. Os locais são um dos grandes atractivos do destino (com a sua cultura e património).

Por outro lado, a flexibilidade, a mobilidade e a conectividade sãos os elementos principais para o “turista”. Todos nós estamos permanentemente ligados e a gerar nova informação, o que possui uma inesgotável capacidade de influenciar o comportamento dos outros.

Pode parecer incompatível o que acabámos de dizer com o ideário perfeito da viagem que pressupõe experimentação, libertação e reencontro. Mas criar o sentimento próximo das antigas relações de vizinhança junto dos que nos visitam é uma das formas que pode ser alcançada com a transmissão das histórias locais, com a afirmação do carácter de cada um dos lugares. As comunidades devem por isso conhecer as suas histórias e participar neste desenvolvimento.

O crescimento sustentado do turismo no Algarve só acontecerá se se basear nas pessoas e se essas pessoas partilharem da visão e das ambições das várias entidades que participam na estratégia do território. Precisamos de marcar um (Re)Encontro com o Algarve.

 

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